Mulheres ampliam atuação no campo, mas ainda enfrentam barreiras por espaço no agro

Por Agro Olhar 09/03/2017 - 09:32 hs


A cada dia cresce o número de mulheres em meios às lavouras e pastagens de Mato Grosso e no Brasil. Apesar de tal presença e da conquista de espaço, onde algumas chegam a ocupar cargos como presidente de instituições, como Sindicatos Rurais, ou diretoria, ainda há um sentimento entre elas da existência de uma “barreira” com o universo masculino.
 
Conforme pesquisa desenvolvida pela Fran6 em parceria com a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), divulgada no Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio 2016, sobre o perfil da mulher do campo, das 300 entrevistadas, 57% participam ativamente dos negócios rurais.

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A pesquisa revelou ainda que dois terços dessas mulheres são casadas e têm filhos. Além disso, 88%se consideram independentes financeiramente, 60% têm curso superior completo e 55% acessam a internet diariamente.
 
“Eu venho de um núcleo que valoriza a mulher, mas ainda é um meio predominantemente masculino, onde a gente precisa conquistar espaço arduamente. Sinto que ainda há uma barreira”, comenta a produtora de Tangará da Serra, Eloisa Zuconelli. A produtora afirma que que a visão masculina é uma e a feminina é outra, “mas, precisamos das duas visões para que as coisas tenham sucesso. Eu acho que as mulheres estão ganhando espaço, porém é preciso que as pessoas acreditem mais no que as mulheres falam”.
 
Filha e neta de produtores rurais Roseli Giachini é produtora no município de Cláudia. Ela está à frente de 11 mil hectares distribuídos entre as três fazendas do Grupo Giachini. “A nossa contribuição na fazenda ela tem que ser autossuficiente para que a gente possa cobrar. É difícil, porque às vezes você acaba comandando uma equipe só de homens. Antigamente era mais desafiador lidar com eles, porém hoje eles entendem que fazemos parte do processo e nos respeitam como profissional”.
 
De “paraquedas”
 
Giovana Velke não só tem o desafio de administrar a fazenda em Campo Novo dos Parecis com o pai, mas também a de liderar o Sindicato Rural no município. Ela revela que não fazia parte da atividade e que em 2008 começou a acompanhar seu pai em algumas reuniões de produtores e entidades representantes do setor produtivo.
 
“Acabei caindo dentro do sistema meio assim sem querer e agora toco os negócios com o meu pai. Eu cuido da parte financeira e ele da parte agronômica, ou seja, da lavoura”, comenta Giovana. Conforme ela, seu pai prefere que os escritórios negociem com mulheres e não com homens, “porque as mulheres tem uma visão diferente do negócio”.
 
Quanto ao Sindicato Rural, Giovana afirma ser muito desafiador estar à frente dele. “Mas, nada impossível, porque eu nasci no meio do agronegócio e os produtores me conhecem desde nova. Então, nisso não existe preconceito. Tenho muito apoio”.
 
Tanto Giovana Velke quanto Roseli Giachini lembram que muitos produtores rurais só tem filhas. “Então, são essas filhas que são suas sucessoras. Não são homens”.