Novacki classifica ajuda de U$ 1 bi como "migalha" e defende vantagem comercial do Brasil no exterior

Por Agro Olhar 14/07/2017 - 09:11 hs


Em evento internacional realizado na Suíça, o secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Eumar Novacki, classificou como “migalha”, a ajuda de U$ I bilhão enviada pela Noruega para o combate ao desmatamento no Brasil. O posicionamento reforça o discurso do ministro Blairo Maggi (PP), que, durante abertura do Fórum das Cadeias Produtivas, em Cuiabá, defendeu que o governo abrisse mão dos recursos já o que estes, segundo ele, não beneficiam a população.

“Precisamos ter a coragem de chegar nos fóruns e dizer claramente que não podemos mais ficar cócoras nesse processo.. Se eu fosse o presidente ia dizer que não quero nada deles, afinal esses recursos que vieram pra cá, não viraram em nada. Se você achar um cidadão que mora na Floresta Amazônica ou em qualquer lugar da Amazônia Legal Brasileira que foi beneficiado com esse 1 bilhão, vai ganhar um prêmio. O Brasil se compromete e fica na dívida com países sem gerar nada para sua população”, disse Maggi.

O ministro se refere a um encontro de Michel Temer (PMDB) com representantes do país europeu, realizado há duas semanas, por causa do avanço do desmatamento na Amazônia. Na ocasião a Noruega anunciou que vai cortar os pagamentos ao Brasil em 2017 para o fundo que é administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O anúncio foi considerado internamente como uma "deselegância" contra o Brasil.

Em Genebra Novacki aproveitou para questionar abertamente o comportamento de países estrangeiros contra a situação do meio ambiente no Brasil. Ali, levou o posicionamento do governo de pedir compensações da comunidade internacional por seu esforço na área ambiental. Uma das opções seria a de obter melhores condições de acesso para produtos exportados pelo País, como prêmio pela conservação. 

Blairo Já havia reforçado que os produtores esbarram em questões ambientais, trabalhistas e sociais que envolvem a agricultura e a Pecuária. Questões estas que também podem prejudicá-los no setor. É considerado ainda que o produtores mantêm 20% do território para área ambiental e que ninguém paga nada por isso, sendo ainda de responsabilidade dos investidores cuidar do seu perímetro, das invasões e do fogo. Diante disso, ele defende que o país obtenha uma vantagem comercial sobre os outros.

O ministro aponta que 66% do território nacional é preservados na forma original, tendo 9% ocupados pela agricultura, 20% pela pecuária e 13% para atividades indígenas. Distribuição não observada em outros países do mundo, segundo ele. “Somos obrigados a deixar 35% das nossas propriedades em Mato Grosso, no cerrado, e 80% das nossas áreas fechadas no bioma amazônico. Eu tenho tentado mostrar isso. O Brasil precisa ter um apoio, uma vantagem comercial em relação aos outros países que não respeitam essas questões, que não tem mais como fazer isso.”

Ao longo de sua fala deixou claro que respeita a legislação e que as ponderando apenas trazem argumentos para o pode ser feito para se ter acesso aos mercados. “O Brasil abre mão de muitos recursos ou de áreas que poderiam ser cultivadas em nome das questões ambientais. Não estou pregando nada contra, só estou fazendo uma constatação. O Brasil se compromete e fica na divida com outros países sem efetivamente gerar nada para os moradores destas regiões.”