Vida acadêmica: estudos e convivência em repúblicas

Por Letícia Leite/Focaia 07/08/2017 - 15:35 hs

Foto: Vasco Aguiar
Vida acadêmica: estudos e convivência em repúblicas
Da esquerda para a direita estão os alunos Arthur de Oliveira, Thássios de Melo e Heitor Eduardo
A vida na universidade nem sempre é somente de estudos e diversão, por vezes, é preciso fazer as contas financeiras para saber como sobreviver, quando se mora longe de casa, da proteção da família. Como solução para adequar o orçamento, nas universidade brasileiras existem a tradicionais e inesquecíveis “repúblicas”, casas onde estudantes moram, dividindo despesas com colegas, que se tornam outra família , a fim de diminuir gastos e melhor adaptar-se a vida distante dos pais. 

Para saber mais sobre a convivência, conflitos e familiarização dentro dessas moradias o Focaia realizou entrevistas com integrantes de três repúblicas conhecidas em Barra do Garças, como “Betas”, "4 de paus (4♣)” e “Vegas”.

Todos matriculados na Universidade Federal de Mato Grosso, Campus Araguaia (UFMT/CUA), Heitor Eduardo tem 20 anos, cursa Engenharia Civil e veio de Vilhena - RO; Arthur de Oliveira tem 20 anos, cursa Agronomia, sua cidade natal é Goiânia – GO; e, Thássios de Melo, tem 21 anos, cursa Engenharia Civil, natural de Jataí – GO.

As três repúblicas são masculinas. Na Betas moram quatro alunos de Engenharia Civil, já na 4 de paus vivem cinco pessoas e um cão da raça Border collie apelidado de “Mandela”. Três cursam Agronomia, um Engenharia Civil e um Engenharia de Alimentos. Na Vegas, residem sete alunos de Engenharia Civil.

Alguns estudantes moravam em kit net, porém, o lugar era pequeno e no final sentiam pesar no orçamento, pelo alto custo. Depois de pôr no papel as despesas, tomaram a decisão de abrir uma república. A mudança de ambiente parece que alimentou expectativa do grupo, “Eu estava bem empolgado para mudar para república. No fim das contas saiu mais em conta do que morar sozinho”. Afirma o estudante Heitor Eduardo.

A primeira impressão da cidade e Universidade não foi como o esperado, pois a cidade é bem diferente das que os estudantes haviam vindo. Porém, com o tempo eles foram se acostumando e gostando de viver em Barra do Garças, que segundo o grupo, uma cidade de fácil acesso, custo de vida baixo. Existem as cachoeiras para diversão, e, ao decorrer do curso, criaram laços de amizade e os professores são excelentes.

Conforme os estudantes da UFMT, dividir moradia é algo bom, pois nunca se está sozinho, se cria um ambiente familiar e as despesas são menores. “Eu sempre tenho com quem contar, estando longe de casa. Hoje, meus amigos são minha família”, afirma Arthur de Oliveira.

As festas

Os eventos na Vegas e Betas costumam se feitos duas vezes por semestres. Já na 4 de paus, é de costume algo mais leve, como chamar os amigos para um churrasco, ou apenas jogar poker (foto abaixo na Vegas).


Como gestão de integração entre os estudantes, moradores de Barras o Garças, que vivem fora, fizeram parcerias entre as repúblicas,  objetivando a realização de festas. A oportunidade logo surgiu, na Copa CACEI, evento que baseava-se em jogos de futebol entre as atléticas, e, como já esperado a festa, no final dos jogos.

Convivência

Mesmo com tantas pessoas de origens e costumes diferentes, a convivência é pacífica de acordo com os jovens. Os moradores aderiram à multa para os que não cumprem suas tarefas. O dinheiro obtido com a medida é direcionado ao caixa da república, que serve para reparos da casa.

Segundo os alunos, morar em república interfere um pouco no desempenho estudantil, por conta dos eventos, dias livres nos quais os mesmos decidem ficar apenas com os amigos, tarefas etc. Entendem, porém, que basta diálogo entre o grupo para que todos consigam estudar e, ao mesmo tempo se aproveitar a diversão, que não pode faltar, é claro.

Para os graduandos, entre morar em república, com os pais ou sozinho, o trio da entrevista afirma ser melhor em república, em razão da convivência, independência, o círculo de amizades e a privacidade. “Depois que você sai de casa, a rotina muda, não tem como voltar ao que vivíamos antes com nossos pais”, diz o estudante Thássios de Melo. Eles também afirmam que sentirão saudades quando terminarem seus cursos, acrescentando que todos deveriam viver essa experiência.