A problemática da evasão escolar na educação de jovens e adultos no ensino fundamental II

Por Elizabeth de Moraes 05/09/2017 - 10:11 hs

Foto: Reprodução

Elizabeth de Moraes Botelho

Secretaria de Educação do Estado de Mato Grosso – SEDUC/MT Doutora em Educação

Professora da Escola Estadual Gonçalo Botelho de Campos

Rua Jacob do Bandolin, n. 30, Jardim Costa Verde, Várzea Grande-MT, CEP: 78128-23 Cel.: (65)99982-3211 Residência: (65)3686-7002

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RESUMO

Este artigo tem como objetivo tratar sobre a evasão escolar na Escola Estadual Deputado Gonçalo Botelho de Campos, conhecendo as causas que levam ao fracasso escolar dos alunos matriculados no Ensino Fundamental II noturno – Educação de Jovens e Adultos (EJA) no município de Várzea Grande, Mato Grosso. Utilizamos como metodologia pesquisa in loco, entrevistas e análise documental. Traçamos um diálogo entre as considerações registradas e as teorias que as esclarecem, utilizando assim alguns estudiosos no assunto como Barbosa, Beisegel, Freire, Gadotti, Haddad, Mello, entre outros. A EJA é uma modalidade de ensino que dá oportunidade aos jovens e adultos que não concluíram seus estudos no período regular, buscando melhor qualificação na vida profissional. Isso ocorre em virtude das mudanças sociais que trouxeram novas exigências de formação, ampliando o espaço de educação  formal. No entanto, na Escola Estadual Deputado Gonçalo Botelho de Campos a evasão se evidencia pelo número de alunos que se matricula e a escola não consegue retê-los. Dentre os motivos que os-levam à evasão destacam-se, dentre outros, a necessidade de trabalhar, o desestímulo, os conteúdos que não são apropriados a sua realidade escolar e a postura tradicional do professor, no que diz respeito à relação pessoal, são os principais responsáveis pelas estatísticas de evasão escolar. Com isso, as dificuldades encontradas são muitas  e acabam por provocar um alto índice de evasão, e o desenvolvimento desses sujeitos ficam aquém das suas expectativas e da proposta da EJA.

Palavras-chave: Educação. Evasão Escolar. Educação de Jovens e Adultos (EJA).

 

ABSTRACT

This article aims to deal with school evasion at the Gonçalo Botelho de Campos State School, knowing its causes that lead to the school failure of students enrolled in Secondary  Education


II - Youth and Adult Education (EJA) in the town of Várzea Grande, Mato Grosso. We use methodology in loco research, interviews and documentary analysis. We draw a dialogue between recorded considerations and the theories that clarify them, thus using some scholars in the subject as Barbosa, Beisegel, Freire, Gadotti, Haddad, Mello, among others. The EJA is a modality of teaching that gives opportunity to young people and adults who did not finish their studies in the regular period, seeking better qualification in professional life. This is due to the social changes that brought new training requirements, expanding the space of formal education. However, at the Gonçalo Botelho de Campos State School evasion is evidenced by the number of students enrolling and the school are unable to withhold them. Among the reasons that lead them to avoidance are, among others, the need to work, discouragement, contents that are not appropriate to their school reality and the traditional posture of the teacher, regarding the personal relationship, are the main responsible for school dropout statistics. With this, the difficulties encountered are many and end up provoking a high rate of evasion, and the development of these subjects falls short of their expectations and the proposal of the EJA.

Keywords: Education. School Evasion. Youth and Adult Education (EJA).

 

INTRODUÇÃO

Este artigo, parte integrante da pesquisa de doutorado intitulado “Evasão escolar de alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) do 6º ao 9º ano da Escola Estadual Deputado Gonçalo Botelho de Campos no período noturno, na cidade de Várzea Grande, Mato Grosso, Brasil, 2013”, tem como objetivo analisar as causas da evasão escolar, tendo como estudo de caso alunos matriculados no programa de Educação de Jovens e Adultos.

Os jovens e adultos que não sabem ler, ou com pouca escolaridade, são pessoas que tiveram no seu passado podado, devido um fato da vida ou sobrevivência. Sabemos que as pessoas que passam por processos educativos escolares, podem exercer melhor sua cidadania e deste modo ter autonomia na vida em sociedade. Garantir o acesso de jovens e adultos à educação é, antes de tudo, respeitar um direito do ser humano.

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma educação possível e capaz de mudar significativamente a vida de uma pessoa, permitindo-lhe reescrever sua história de vida. Ao refletirmos sobre a EJA, podemos perceber que no decorrer de sua história houve alguns progressos no que se refere à legislação que rege esta modalidade de educação como a Constituição Federal de 1988 e a LDB 9394/96.

A oferta de cursos aos jovens e adultos proporciona oportunidade educacional apropriada, considerando as características do aluno, seus interesses, condição de vida e trabalho. A EJA é uma modalidade da Educação Básica nas etapas do Ensino Fundamental e Médio, que visa oferecer oportunidade de estudos às pessoas que não tiveram acesso ou continuidade desse ensino na idade própria, assim como, prepará-los para o mercado de trabalho e o pleno exercício da cidadania. De acordo com Mato Grosso (2006, p. 4):

O objetivo da EJA é oferecer aos Jovens e Adultos uma alternativa de atendimento na forma direta e semi-presencial, possibilitando-lhes a ampliação da escolarização (Ensino Fundamental (2° segmento) e Médio), assegurando-lhes oportunidades educacionais apropriadas, considerando as suas características, seus interesses, suas condições de vida e de trabalho, tendo como valores pedagógicos e éticos: promover a autonomia dos jovens e adultos, de modo que se tornem sujeitos do aprender e se apropriem do mundo do fazer, do conhecer e do agir; preparar os educandos para os desafios éticos, políticos, tecnológicos e sociais, relacionados ao exercício da cidadania e ao mundo do trabalho; propiciar aos jovens e adultos o acesso  aos conhecimentos que os ajudarão a compreender a sociedade e dela participarem, exercendo seu papel de cidadãos; possibilitar aos jovens e adultos a organização do seu tempo escolar.

Contudo, apesar dos amparos legais, que determinam as características e objetivos desta modalidade de ensino, sabemos que a mesma ainda não garante uma educação de qualidade para os sujeitos que busca na EJA uma oportunidade de ascensão social como melhores empregos e salários, ou mesmo uma satisfação pessoal em elevar o nível de conhecimento.

As dificuldades com a educação em massa são acompanhadas de propostas técnicas pedagógicas para a educação de adultos que não se limitam a escolarização. As críticas ao método de alfabetização da população adulta, por sua inadequação a clientela bem como pela superficialidade do aprendizado no curto período de alfabetização, remetem a uma nova visão sobre o problema do analfabetismo e a consolidação de uma nova pedagogia de alfabetização de adultos que tem como principal referencial o educador Paulo Freire.

A alfabetização de adultos tem uma longa tradição, já tendo sido desenvolvida, no Brasil, uma considerável produção teórica e prática, fundamentalmente a partir do reforço ou da crítica sobre essa questão de mundo de acordo com Freire. Diversos estudos apontam os desafios encontrados na EJA, tanto para o docente quanto para o discente. Mas, quais são  esses desafios e a sua relação com a evasão escolar?

Utilizamos como metodologia os estudos teóricos de Barbosa, Beisegel, Freire, Gadotti, Haddad, Mello entre outros, pesquisa in loco, entrevistas e análise documental. Através desta pesquisa e das observações realizadas durante a aplicação dos questionários  com os docentes e discentes da EJA buscamos respostas para as questões que norteiam nossa pesquisa e relacioná-las com as teorias que as elucidam, e deste modo, buscar compreender os desafios encontrados pelos docentes e discentes da EJA e verificar se estes influenciam  ou não na evasão escolar.

A abordagem da pesquisa qualitativa escolhida foi a de estudo de caso. Buscando compreender melhor a realidade do funcionamento desta modalidade de ensino, escolhemos uma escola para realizar um estudo de caso, porque “quando queremos estudar algo singular, que tenha um valor em si mesmo, devemos escolher o estudo de caso” (LÜDKE e ANDRÉ, 1986, p.17).

Segundo Lüdke e Andre (1986, p. 21) diz que:

Um estudo de caso visa a descoberta; enfatiza a interpretação em contexto; busca relatar a realidade de forma completa e profunda usa uma variedade de fontes de informações; revela experiências vicárias e permite generalizações naturalísticas; utiliza uma linguagem e uma forma mais acessível que outros relatórios de pesquisa.

A escola escolhida para realização da pesquisa é uma instituição pública localizada no município de Várzea Grande, que atende alunos desta modalidade do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental II no turno noturno. A turma na qual se realizou a pesquisa é formada por cinquenta alunos da EJA regularmente matriculados na escola, além de dez professores que foram entrevistados.

As questões norteadoras para os alunos se fundamentaram nas causas que motivaram os alunos a abandonar seus estudos dando ênfase às expectativas e dificuldades dos alunos da EJA e as dificuldades encontradas para a efetivação do acesso e permanência destes alunos. Ao coletar informações dos professores que trabalham nesta modalidade, na escola demos ênfase aos seguintes questionamentos: se há um comprometimento por parte dos profissionais da área de EJA, quais os motivos que levam os alunos a evasão? Quais as dificuldades encontradas em sua prática com a clientela da EJA?

Apesar do interesse da Escola Estadual Deputado Gonçalo Botelho de Campos, no sentido de ofertar ensino de qualidade voltado para os jovens e adultos, um dos grandes problemas deste estabelecimento é a evasão, que se evidencia pelo grande número de alunos que se matriculam e, a escola não consegue retê-los. Sabe-se que a evasão não pode ser atribuída às causas isoladas, sejam as deficiências pessoais dos alunos, sejam os fatores de natureza socioeconômica ou da organização escolar.

 

I.   O DESAFIO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

A história da EJA no Brasil foi constituída como história de experiências, não conseguindo produzir enraizamentos nos sistemas públicos. Algumas fogem dessa categoria, como o MEB, efetivamente nacional em poucos meses de ação, e o MOBRAL, como programa de governo que constituiu política em rede de atendimento paralela ao sistema.

A EJA torna-se modalidade da educação básica a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 9394/96. Essa mudança significou a reafirmação da sua institucionalização. A nova nomenclatura veio substituir o termo ensino supletivo e trouxe uma concepção mais abrangente à compreensão do que pode ser o atendimento ao público jovem e adulto.

No entanto, o artigo 38 dessa mesma lei continua a fazer referência aos cursos e exames supletivos, “[...] habilitando ao prosseguimento de estudos em caráter regular” (LDB, 1996, p. 33). Além disso, a nova LDB rebaixou a idade de certificação via exame para 15  anos no Ensino Fundamental e 18 anos no Ensino Médio. Isso permitiu a entrada de alunos mais novos na EJA, regulamentada mais tarde pelo Parecer CNE/CEB nº 11/2000.

Historicamente, a Educação de Adultos permaneceu marginalizada no interior das políticas públicas. Esta afirmação pode ser ratificada ao analisar a perpetuação do analfabetismo da população brasileira jovem e adulta. As campanhas, movimentos de massa e programas implementados nas últimas seis décadas não resolveram nem impediram o crescimento do problema do analfabetismo, considerando a ligação com a estrutura social injusta e desigual em que estão inseridos os sujeitos não escolarizados.

Este quadro de desigualdade é ratificado em pesquisas que tratam de um dos indicadores mais preocupantes na educação de jovens e adultos, o abandono educacional. De acordo o IBGE (2008), 42,7% dos adultos que procuraram a EJA no Brasil até 2007 tiveram que interromper sua escolarização – o que corresponde a mais de 3,4 milhões de pessoas. Na PNAD 2007, foram entrevistadas 399.964 pessoas em 147.851 residências, distribuídas por todo o país. O estudo revelou que, das pessoas que saíram da educação de jovens e adultos, apenas 4,3% conseguiram concluir o primeiro segmento do ensino fundamental (antiga 1ª à 4ª série); 15,1% terminaram o segundo ciclo do ensino fundamental (antiga 5ª à 8ª série); e 37,9% finalizaram o ensino médio.

Com a LDB, surgem várias dúvidas a respeito de como deveria ser organizada a EJA nas instituições de ensino. Sendo assim, em 2000, são aprovadas as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos, elaboradas pelo Conselho Nacional de Educação, para esclarecer as dúvidas recorrentes acerca da sua nova abordagem.

Esse documento propõe três diferentes funções a essa modalidade: reparadora, que restitui o direito ao acesso a uma educação de qualidade até então negada à população, equalizadora, com a garantia de continuidade dos processos formativos interrompidos e qualificadora, baseada na ideia de educação ao longo da vida (CNE, 2000).

Neste sentido, o referido Parecer CNE/CEB nº 11/2000 explicita três funções para a

EJA:

Função reparadora, entendendo-a como aquela que devolve a escolarização, resgata esse direito não assegurado na idade adequada; a função equalizadora, como a que cuida de pensar, politicamente, a necessidade de oferta maior para quem é mais desigual do ponto de vista da escolarização. Para reparar esse direito negado, deve ofertar mais a quem menos recebeu do direito, de modo a se fazer justiça entre cidadãos que tiveram acesso à escola de Ensino Fundamental e os que não tiveram, ou por ela passaram e facassaram, evadindo-se, por fim; a função qualificadora, entendida como o verdadeiro sentido da EJA, por possibilitar o aprender por toda a vida, em processos de educação continuada, por ressignificar os processos de aprendizagem, pelos quais os sujeitos se produzem e se humanizam,  ao longo de toda a vida (SEC, 2006, p.50).

O debate e o avanço nas legislações, no entanto, não significou aumento na política  de

atendimento, dada a falta de incentivos financeiros. Além disso, com a diminuição da idade para matrícula na EJA, aumentava-se, naturalmente, o seu público-alvo e as estratégias de investimento parecia não seguir esse crescimento.

O programa da EJA é bastante extenso, heterogêneo e muito abrangente. São muitas as agências que as desenvolvem, tanto na ação pública como privada, onde há misturas de cursos presenciais com avaliação do decorrer do curso, cursos à distância, cursos livres, estratégias específicas de educação sempre seguindo parâmetros organizacionais da sociedade civil e tantas outras iniciativas sob a figura de educação permanente.

A União sempre participou de alguma maneira no campo da EJA, dando assistência técnica e financeira. Atualmente no Art. 8º, 1º da LDB, mostra formas de impedir a descontinuidade e induzir ações continuadas e conjuntas com os diferentes da União é de fundamental importância para os encontros dos diferentes entes federativos e de outros imediadores que fazem parte da EJA.

Em 2010, foi aprovada a Resolução CNE/CEB nº 3, que instituiu diretrizes operacionais para essa modalidade de ensino. Tais diretrizes reafirmam a idade mínima de 15 anos para ingresso na EJA no Ensino Fundamental. Observa-se uma ênfase nesse público, além da orientação para que os sistemas elaborem políticas próprias para atendimento da faixa etária de 15 a 17 anos, com foco nos alunos adolescentes que não conseguiram completar o

Ensino Fundamental. Essas políticas precisam observar, então, as especificidades desse público para alcançar o proposto.

O documento aponta ainda para uma integração da EJA ao Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica. Além disso, estabelece um padrão de tempo mínimo de horas de duração para os seus cursos: para os anos finais do Ensino Fundamental, a duração seria de 1.600 horas; para o Ensino Médio, 1.200 horas (Resolução nº 03, 2010, art. 4º). Já a duração dos anos iniciais do Ensino Fundamental ficaria a critério de cada sistema de ensino.

O MEC planejou e vem distribuindo livros pedagógicos e didáticos apropriados para esta modalidade, direcionados aos alunos e professores, incluindo várias formas de proposta pedagógicas é uma forma de explicar a função supletiva da União no sentido de proporcionar aos projetos das instituições e programas da EJA, mais recursos didáticos.

Em Mato Grosso com a aprovação da LDBN n.º 9394/96 e das Diretrizes Curriculares Nacionais para a EJA impôs aos Estados a reformulação de suas legislações referentes à EJA foi elaborada a Resolução n.º 180/2000, que fixou as normas para a oferta da modalidade.

Em seguida, o CEE, por meio da Resolução 177/02 CEE/MT, aprovou o Programa da EJA da SEDUC/MT, com as diretrizes e critérios de oferta da modalidade, por meio de cursos e Exames de Ensino Fundamental e Médio para as escolas integrantes do Sistema Estadual de Ensino. O Programa dava autonomia às escolas que deveriam elaborar seus Projetos Políticos Pedagógicos com um plano de ensino flexível com vista a atender as peculiaridades deste público (BOFF, 2002).

A partir da Resolução 180/2000 e da aprovação do Programa da EJA, Mato Grosso ganha uma nova configuração para esta modalidade. Esse foi o primeiro documento normativo que conferiu amplos direitos à EJA em Mato Grosso. Ao reconhecê-la como modalidade da Educação Básica, constituiu-se em oferta de educação regular, com características adequadas às necessidades e disponibilidades de seu público (MELLO, 2013)

Mesmo com a aprovação destas resoluções e demais pareceres que legalizaram o direito da população jovem e adulta vir para a escola e concluir a Educação Básica, o número de mato-grossenses sem escolarização ou com o Ensino Fundamental e Médio incompletos continuava alto. Esta constatação, acrescida da cobrança da sociedade civil, mobilizou a SEDUC/MT a difundir no ano de 2004 o Programa LetrAção.

Apesar deste contexto e da disponibilização de recursos por parte do governo federal, apenas um quarto da população mato-grossense sem escolarização foi cadastrada nestas etapas.  Dos  64.850  alfabetizandos  que  foram  cadastrados  no  Programa  nos  três      anos, aproximadamente  65% deste percentual concluiu o curso, deste, 60% aprenderam, de forma incipiente, a ler e a escrever, ou seja, aproximadamente 24 mil pessoas. (MELLO, 2010).

Em 2005 a SEDUC/MT realizou o censo escolar de todos os eleitores mato-grossenses acima de 16 anos. O resultado identificou que 430 mil pessoas acima de 25 anos não haviam concluído o Ensino Fundamental e que gostariam de voltar a estudar. Na época, esse resultado mostrou que a metade da população do Estado tinha menos de oito anos de escolarização.

Diante desta realidade, a SEDUC/MT implantou no ano de 2006 o Projeto Beija-Flor e suas primeiras iniciativas foram à abertura de salas da EJA em 57 dos 141 municípios do Estado e a ampliação do número de salas em mais quinze Escolas Estaduais. O Projeto foi autorizado pela Resolução n.º 222/06-CEE/MT em caráter experimental, com duração de quatro anos, com a previsão de incentivar a ampliação da EJA no Estado de Mato Grosso que deveria ser ofertada nas Escolas Estaduais e Municipais (MELLO, 2013).

Mobilizada pela necessidade de reunir esforços para eliminar o analfabetismo e universalizar pelo menos o Ensino Fundamental, visando atender ao assegurado no Art. 214 da Constituição Federal, a SEDUC/MT implantou os CEJAs com a criação da Portaria nº 393/2007/SEDUC/MT e da Portaria n. 44/2008/SEDUC/MT que constituiu uma Comissão Interinstitucional com o objetivo de mapear a localização de cada unidade escolar estadual em que seriam implantados os CEJAs.

No contexto atual, o Estado de Mato Grosso organiza sua política de oferta à modalidade da EJA em várias formas de atendimento: CEJAs; Escolas que ofertam a modalidade EJA; Exames Supletivos de Ensino Fundamental e Ensino Médio - Exame online; Programa de Ensino Médio Integrado à Educação Profissional na Modalidade EJA (PROEJA); PROEJA Campo; Projeto Piloto - Ensino Médio a Distância em parceria com a Secretaria de Educação a Distância (SECAD) do MEC; EJA Prisional – Sistema Socioeducativo; Sistema Penitenciário. Os Exames Supletivos e o Ensino Médio a Distância são realizados nos CEJAs. (MELLO, 2013).

 

II.   A EVASÃO DA EJA E SUAS SINGULARIDADES

A evasão escolar sempre mobilizou a atenção das instituições de ensino em seus diversos níveis. Na EJA esta realidade tem alguns agravantes, uma vez que os estudantes normalmente já estão comprometidos com o trabalho, não julgam a escolaridade como algo tão importante em suas vidas e o motivo que os leva a retornar aos estudos é na maioria das vezes questões de ordem prática, como maior chance de concorrer a vagas no mercado de trabalho ou receberem uma promoção no cargo em que ocupam.

Vários fatores podem ocasionar a evasão escolar. Dentre eles, ensino mal aplicado por meio de metodologias inadequadas, professores mal preparados, problemas sociais, descaso por parte do governo. Outro fator de desmotivação são os constantes atrasos nas aulas e faltas, decorrentes da retenção do trabalhador no posto de trabalho para além da jornada de trabalho, da rotatividade dos turnos de trabalho, colocando o jovem e o adulto em condições muito difíceis para conciliar estudo e trabalho.

Nesse sentido, é preciso considerar que a evasão escolar é uma situação problemática, que se produz por uma série de determinantes. O problema da evasão escolar preocupa a escola e seus representantes, ao perceber alunos com pouca vontade de estudar, ou com importantes atrasos na sua aprendizagem.

Entender o processo da evasão escolar é um desafio que exige uma postura de desconstrução das verdades construídas, assumindo assim uma atitude reflexiva diante dos conhecimentos prévios a respeito da evasão escolar. Nesse intuito, ao compreender a abrangência do tema evasão escolar, envolvendo questões cognitivas e psicoemocionais dos alunos, fatores socioculturais, institucionais e aqueles ligados á economia e a política.

A evasão escolar é composta então pela conjugação de várias dimensões que  interagem e se conflitam no interior dessa problemática. Dimensões estas de ordem política, econômica, cultural e de caráter social. Dessa maneira, o abandono escolar não pode ser compreendido, analisado de forma isolada. Isto porque, as dimensões socioeconômicas, culturais, educacionais, históricas e sociais entre outras, influenciam na decisão tomada pela pessoa em abandonar a escola.

É comum, tanto às iniciativas governamentais com foco na EJA, quanto aos programas, a preocupação com a permanência dos alunos na educação formal. A evasão, nesse sentido, fenômeno que se destaca no universo escolar da EJA, não pode prescindir de olhares que transcendam a compreensão vigente no senso comum de que faltaria interesse e comprometimento por parte dos adultos para a permanência na esfera educacional.

São várias e as mais diversas as causas da evasão escolar. A evasão escolar historicamente permeia as discussões, as reflexões e os debates no âmbito da educação, uma vez que, até os dias de hoje, essa temática tem sido notória como uma manifestação da  questão social na sociedade capitalista brasileira. Em virtude disso, os debates a respeito dos rumos que a evasão tem tomado estão se pautando no dever da família, da escola e do Estado para a permanência do aluno, como estabelece a LDB, Art. 2º: “a educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.”

No entanto, levando-se em consideração os fatores determinantes dessa situação, consideram-se alguns pontos relevantes como: a escola não atrativa, professores despreparados ou insuficientes e ausência de motivação. Alunos desinteressados, indisciplinados, com problema de saúde, gravidez, responsabilidades profissionais, pois a grande maioria já está inserida no mercado de trabalho.

Esta dupla condição dos jovens – trabalhadores durante o dia e estudantes à noite – é um dos principais motivos que levam estes alunos a chegarem cansados e acharem as aulas maçantes, sem o atrativo de aulas mais dinâmicas e participativas, como a utilização de computadores e de laboratório.

A evasão escolar é o que ocorre quando um aluno deixa de freqüentar a escola e fica caracterizado o abandono escolar, e historicamente é um dos tópicos que faz parte dos debates e análise sobre a educação pública. Vários fatores podem ocasionar a evasão escolar. Dentre eles, ensino mal aplicado por meio de metodologias inadequadas, professores mal preparados, problemas sociais, descaso por parte do governo.

A falta de interesse do aluno, traduzida na evasão escolar é uma maneira de mascarar sua incapacidade para se esforçar. Mas em outras ocasiões não é assim. O aluno faria um esforço se percebesse que os conteúdos da aprendizagem são pouco atrativos, úteis, conectados, com sua vida diária, atraentes o suficiente para que o esforço vala á pena. Quando o aluno descobre que aprender supõe apenas memorizar certos conteúdos distantes para recuperá-los depois em uma prova, sua atitude defensiva diante da aprendizagem vai se consolidando com a evasão.

Fonseca (2002, p. 5) em sua tese de mestrado, afirma que,

os motivos para o abandono escolar podem ser ilustrados quando o jovem e adulto deixam a escola para trabalhar; quando as condições de acesso e segurança são precárias; os horários são incompatíveis com as responsabilidades que se viram obrigados a assumir;evadem por motivo de vaga, de falta de professor, da falta de material didático; e também abandonam a escola por considerarem que a formação que recebem não se  dá de forma significativa para eles.

Devem-se entender quais os motivos que levam os alunos a serem infreqüentes, como também se suas expectativas trazem relação com o compromisso de se manterem freqüentes nos cursos em que se matricularam.

Por outro lado, há um grande preconceito referente à EJA sendo o mesmo considerado de  segunda  oportunidade,  destinado  aos  alunos  considerados  "mais  fracos",  defasados  e menos privilegiados dos pontos de vista social e educacional. A escola noturna é marginalizada e a ela se estendem "as mazelas do ensino diurno de modo mais agravado e cumprindo as funções de seletividade e hierarquização social comumente identificadas na escola" (HADDAD et al., 2002, p. 96).

Freire (1981) afirma que para que os educandos de fato aprendam e goste de aprender que o seu conhecimento de mundo seja respeitado e que o educador instigue-o a usar esse conhecimento prévio para a aquisição do aprendizado. “[...] cabe ao professor reconhecer as diferenças na capacidade de aprender dos alunos, para poder ajudá-los a superar suas dificuldades e avançar na aprendizagem” (FREIRE, 1981, p.52).

Santos (2007, p.5) pesquisando a permanência de jovens e adultos no ambiente escolar, estrutura a argumentação de que é importante pensar o trabalho pedagógico da EJA de forma que o educando participe do desenvolvimento da sociedade. Sendo assim, nós enquanto educadores temos a responsabilidade de criarmos uma dinâmica metodológica que atinja o interesse do educando, de maneira que a escola recupere seu objetivo social e supere o fracasso escolar e a repetência.

Podem-se destacar vários fatores que interferem na sua permanência escolar, dentre eles a sobrecarga de trabalho extensivo, aspectos relacionados com a complexidade da vida pessoal, familiar, financeira e laboral; professores sem uma qualificação adequada ao programa para jovens e adultos que tem contribuído mais para a exclusão social do que para a formação educacional. Acredita-se que muito mais importante que repassar conhecimento, é desenvolver no aluno a capacidade de aprender. Isso redefine o papel da escola.

De acordo com Ragonesi (1990) em sua pesquisa conclui que a evasão é um processo que se inicia muito antes do aluno abandonar o curso. Assim, há uma falta de compromisso político com a EJA, expresso na “sua não inclusão efetiva no sistema educacional através de campanhas; falta de educadores com formação específica, utilizando mão-de-obra com formação inferior ao 2º grau e voluntária, além da falta de investimento” (SOUZA, 2002, p. 89-90), o que demonstra claramente que a EJA não se caracteriza como prioridade nos sistemas de ensino do país.

Quando um aluno abandona a escola, deixa de usufruir de toda essa aprendizagem que decorre da educação. No sentido mais amplo, a educação exerce influência no meio social sobre os indivíduos e estes, ao assimilarem essas influências, estabelecem uma relação ativa e transformadora com o meio social. No atual contexto social, a escola surge de forma dinâmica, como espaço de construção e reconstrução do conhecimento, como articuladora do processo natural de desenvolvimento das pessoas e do seu meio.

Há também um estudo sobre o ensino regular noturno que trata do tema da evasão. Segundo Rodrigues (1994), identificou as implicações da legislação e do debate sobre a LDBEN. A escola de ensino noturno sempre está associada à relação entre educação e trabalho, mas também ao fracasso escolar, às reprovações, à desistência e à evasão.

As pesquisas sobre ensino noturno concluem, de uma maneira geral, que é necessário um projeto político-pedagógico que seja construído conjuntamente e que dê início à reconstrução da escola noturna. A escola noturna de EJA é comumente visualizada como o turno da evasão, no qual é forte a condição marginal em que se encontra essa modalidade (HADDAD, 2002).

Assim como regem os Parâmetros Curriculares Nacionais e as Orientações Curriculares da Secretaria de Estado de Educação, Ensino Médio e Fundamental, a educação, na prática, deve criar condições necessárias para o exercício pleno da cidadania, desenvolvendo as capacidades e a apropriação dos conteúdos necessários para a compreensão da realidade e a participação nas relações sociais, políticas e culturais.

 

2.1   Causas da Evasão Escolar

Quais são as causas da evasão na EJA? O que leva ou estimula esses alunos a abandonarem as salas de aula? Ragonesi (1990) afirma que, nas causas da evasão, somam-se fatores de ordem política, ideológica, social, econômica, psicológica e pedagógica. Demonstrando assim, que não há um único fator determinante possível para evasão, sendo possível até um conjunto de fatores que contribuem para o fracasso escolar daquele jovem ou adulto.

São diversas as causas da falta de freqüência dos alunos às salas de aulas, dentre elas apontamos as que mais se destacam nas pesquisas sobre evasão escolar:

ü  Escola: não atrativa, autoritária, professores despreparados e ausência de motivação. Muitas vezes eles são excluídos das festas e feiras culturais, do jornal interno e dos eventos da escola por serem taxados de incapazes. Cabe à escola ampliar horizontes culturais dos estudantes com diferentes encaminhamentos e sugestões de participações dos eventos escolares;

ü  Aluno: desinteressado, indisciplinado, com problemas de saúde, gravidez precoce, etc. Para Gadotti, 2000, p. 18. “Cabe ao professor estimulá-lo a fim de que ele possa participar de todas as atividades propostas e que possa se sentir bem com o seu grupo de estudo”. Acabando assim com o retraimento que sentem e se tornando participativo em suas ações.

ü  Social: trabalho com incompatibilidade de horário para os estudos, cansaço físico. A escola deveria oportunizar horários compatíveis às necessidades da clientela.

ü  Migração: alguns alunos em determinada época do ano, viaja para outros municípios  a procura de trabalho para seu próprio sustento e sustento da família. Se o município não oferece condições de sobrevivência, eles precisam se deslocar para trabalhar fora. Sobre tais afirmações que incidem nas causas da evasão escolar, Fernandes (2010, p.

81) coloca que fatores como o tempo de afastamento da escola, a jornada diária de trabalho, questões socioeconômicas, dificuldades com os conteúdos trabalhados, baixa autoestima, falta de motivação de parte dos professores, carência de laboratórios específicos para aulas práticas, entre outros, elevaram os índices de evasão.

Assim a intervenção com sucesso para evitar a ocorrência da evasão escolar deve se realizar quando se constata que a sua ausência pode comprometer o ano letivo prejudicar ainda mais o aluno. O principal agente do processo para o combate da evasão escolar é o professor, face ao seu contato direto e diário com o aluno, cabendo diagnosticar quando o mesmo não está indo a escola e iniciar o processo de resgate.

Diante dessa afirmação, percebe-se que o aluno, mesmo afastado da sala de aula, tem como pretensão voltar para a escola por melhores condições de vida, e precisa encontrar nessa escola um ambiente acolhedor que o estimule a continuar, pois é clara a sua baixa autoestima, uma vez que acha os conteúdos difíceis e ainda depois de uma jornada de trabalho chega na escola esgotado e considerando que precisa dispor de tempo para estudar e fazer os trabalhos propostos, assim, torna-se compreensível sua desistência.

Também Freire (2003) destaca fatores institucionais discutindo que a escola expulsa o educando, por não está preparada para acolhê-lo. A escola tem papel fundamental na permanência desse aluno, para tanto, é necessário respeitar as necessidades específicas deste grupo, como a sua experiência de vida, com conteúdos próprios para os mesmos e não conteúdos infantis e obsoletos.

No entanto, outros autores julgam, como causa da evasão escolar, fatores políticos, tais como Haddad (2002) percebe que tal evasão se inicia antes mesmo do aluno deixar de fato o curso, significando que as causas da evasão são o descompromisso político com esta modalidade de ensino, expresso na sua não inclusão efetiva no sistema educacional através de campanhas; falta de educadores com formação específica, utilizando mão-de-obra com formação inferior ao 2º grau e voluntária, além da falta de investimento, demonstrando claramente que este tipo de ensino não se caracteriza como prioritário. (HADDAD, 2002, p. 91)

No entanto, Oliveira (1999) acredita que uma das causas da evasão pode estar associada ao contexto social do aluno e as características de sua família. Na EJA, alguns alunos tem a responsabilidades de garantir o sustento da família, muitos conciliam trabalho com o estudo, se tornando assim um fator que pode vir a contribuir com sua evasão.

Em verdade, não só o professor, mas, também o sistema educacional, acaba  por atribuir ao aluno a culpa pelo seu fracasso, sem fazer uma reflexão que possibilite reconhecer as verdadeiras causas desse fracasso, que pode estar tanto no processo de ensino- aprendizagem, na relação professor-aluno, nos currículos, na situação socioeconômica dessa clientela, dentre tantas possíveis causas.

É importante relatar que os alunos da EJA só frequentam a escola quando percebem que estão aprendendo o conteúdo dado, logo os conteúdos ministrados precisam ser estimulantes para os alunos, para motivá-los a permanecer na escola, sendo fundamental o dialogo na relação professor aluno para essa permanência.


III.    A CONTEXTUALIZAÇÃO DA EVASÃO ESCOLAR DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NA ESCOLA ESTADUAL GONÇALO BOTELHO DE CAMPOS

A Escola Estadual Gonçalo Botelho de Campos foi fundada no ano de 1985 e está situada no município de Várzea Grande. É uma instituição mantida pelo Governo Estadual com corpo docente, coordenadores pedagógicos e articuladores formados por profissionais concursados e contratados (a maioria), sendo todos habilitados em sua área de atuação, com pós-graduação, mestrado e alguns com doutorado.

Há dois projetos na escola – Projeto Escola Aberta e Projeto Mais Educação. O primeiro funciona aos finais de semana, com atividades esportivas, lazer e conhecimentos, o segundo visa aprimorar a aprendizagem com aulas de apoio, esporte e lazer e suporte aos alunos do período diurno até o 9º ano.

A escola oferece Ensino Fundamental I - 3º ao 5º ano, Ensino Fundamental II - 6º ao  9º ano e Ensino Médio Regular nos períodos matutino, vespertino e noturno e a modalidade  de Educação de Jovens e Adultos – EJA do Ensino Fundamental I – 1º ao 5º ano e Ensino Fundamental II – 6º ao 9º ano no período noturno.

A área da escola é ampla com um pátio sem cobertura onde são realizados os eventos e a culminância dos projetos. Possui uma quadra coberta, porém não possui iluminação o que inviabiliza sua utilização no período noturno. As salas são amplas, porém não tão arejadas; paredes e iluminação precisam de reparos bem como suas instalações sanitárias;    bebedouros sem refrigeração adequada; falta mesa do professor e as carteiras estão em péssimo estado de conservação e em quantidade insuficiente para os alunos; falta refeitório, sendo que a cozinha é muito pequena para a produção da merenda. Apesar disso há uma pequena cantina terceirizada. Não possui auditório e o laboratório de informática funciona precariamente. Não tem uma biblioteca. Há uma sala onde estão alocados a secretaria e a direção da escola e outra para os professores. Existem treze salas de aula.

Quanto aos recursos didáticos, a escola dispõe de: um data show, um episcópio, três aparelhos de som, um televisor, um microscópio, duas copiadoras, dois computadores na secretaria e um computador na sala dos professores. A escola recebe livros oferecidos pelo Ministério da Educação e Cultura que são utilizados pelos professores e alunos. Para a segurança da escola têm oito câmeras instaladas em pontos estratégicos. No total são 68 (sessenta e oito) funcionários na escola.

O maior problema da escola está relacionado à EJA, pois muito dos alunos que se matriculam acabam desistindo antes de terminar o ano letivo. A prática da EJA nas escolas, apesar das renovações propostas pelas atuais reformas de ensino que surge, o educando como agente do processo educativo, ao longo da história e em sua grande maioria, tem se limitado a forma de educação “bancária”, onde o aluno absorve uma gama de conhecimentos, muitas vezes alheio às suas ansiedades, seus interesses e sua realidade.

Segundo Freire (2001, p. 57):

[...] pela transformação do pensamento, da formação de conceitos e de outras formas de comportamento, resultados das relações culturais propiciadas pela escola, como a principal instituição dentre outras instituições culturais, seriam possíveis formas de intervenções na sociedade, através de ações planejadas e deliberadas que possibilitassem mudanças neles mesmas e nas condições históricos culturais.

A forma como Freire chega à alfabetização de adultos afastava qualquer hipótese de entendimento da alfabetização como uma ação puramente mecânica. A inquietação passa a dominar os jovens e adultos, insatisfeitos com a condição de espectadores. A escola deveria ser o ambiente mais indicado para responder as inquietações e satisfazer necessidades de jovens e adultos para que eles possam acompanhar a evolução da sociedade.

Reconhecer as conseqüências da exclusão do jovem e do adulto no processo ensino- aprendizagem é concordar com Oliveira (2001) ao salientar que a dinâmica no processo ensino-aprendizagem para jovens e adultos é construída na suposição de que os mesmos percorreram a escolaridade de forma regular. Esta suposição gera por si só a inadequação dos currículos, dos materiais, da postura dos professores, perpetuando assim no interior do espaço educativo as práticas de exclusão. Os motivos pelos quais levam os alunos a abandonarem a escola foram a necessidade de trabalharem para que pudesse sustentar sua própria família, os conteúdos não apropriados a sua assimilação e realidade e a postura tradicional do professor, principalmente no que diz respeito a relação pessoal.

Segundo os dados estatísticos, através das atas anuais da EJA na referida escola registrou-se que em 2010 o número de matriculados foi de 126 alunos sendo que somente 81 alunos foram aprovados, o restante evadidos e reprovados num percentual de 35%, em 2011 a procura aumentou, 217 foi o número de matriculados e um percentual de 56% evadidos e reprovados, ao final do ano, dos alunos matriculados somente 194 foram aprovados.

Em 2012, a procura diminuiu, 187 alunos se matricularam, e somente 78 foram aprovados, evadidos e reprovados teve um percentual de 63,63%, em 2013 mais uma vez a procura diminuiu 162 foi o número dos alunos matriculados onde 64 foram aprovados e o percentual de evadidos e reprovados foi de 60,49%. O insucesso sempre esteve presente neste estabelecimento de ensino, como a procura de matrículas em 2014, apenas 153 alunos.

 

3.1.   Os alunos da EJA na Escola Estadual Deputado Gonçalo Botelho de Campos

Com base nos resultados da pesquisa, dos cinqüenta alunos entrevistados, constatamos a predominância de mulheres, 69%, conforme registra a figura 1. Isso mostra que as mulheres são as que mais se interessam em voltar a estudar visando um posto de trabalho melhor qualificado.

Segundo Fonseca (2002), estes sujeitos apostam na escolarização como uma ação de cuidado consigo mesmas, como um direito a um investimento pessoal adiado pelas condições adversas em suas vidas (trabalho infantil, casamentos, não acesso à escola, cuidado com os filhos). Em presença de tais dados, é possível notar que os alunos estão na EJA para recuperar o tempo perdido.

Na figura 2, observa-se que a variável etária apresenta a distribuição percentual de jovens e adultos da EJA. O perfil do alunado é mais jovem. Este fato procede a partir da legislação educacional que estabelece a idade mínima para ingresso na EJA, dada pela LDBEN n. 9396/1996, no Artigo 38, parágrafo primeiro e segundo:

Art. 38. Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos, que compreenderão a base nacional comum do currículo, habilitando ao prosseguimento de estudos em caráter regular.

§ 1º Os exames a que se refere este artigo realizar-se-ão:

I   - no nível de conclusão do ensino fundamental, para os maiores de quinze anos;

II  - no nível de conclusão do ensino médio, para os maiores de dezoito anos (BRASIL, 1996).

Com base em diversos estudos sobre o tema observa-se a mudança no perfil do  público da EJA que anteriormente alcançava prioritariamente adultos e idosos. Nascimento (2004) verifica que o rejuvenescimento da população que freqüenta a EJA é um fato que vem progressivamente ocupando a atenção de educadores e pesquisadores na área da educação.

O número de jovens e adolescentes nesta modalidade de ensino cresce a cada ano, modificando o cotidiano escolar e as relações que se estabelecem entre o sujeito que ocupam este espaço. Sobre esse contexto da mudança de perfil quanto à faixa etária do público que a EJA vem atendendo nos últimos anos, o número de jovens, cada dia maior, nos espaços que oferecem educação de jovens e adultos é um fenômeno que interfere no cotidiano escolar, exigindo  dos  professores  um  novo  olhar  sobre  esta  realidade.  As  diversas  repetências, o descaso dos governantes pela escola pública e problemas de ordem pessoal fez com que muitos jovens abandonassem a escola regular e optassem pela EJA.

Nota-se que esses adolescentes chegam à EJA com um histórico de repetências, indisciplinas, por ter que trabalhar ou por não conseguirem mais acompanhar os menores nas atividades. E assim, esses alunos são convidados a irem para a EJA. Eles chegam cheios de ideais só que esses jovens não se identificam com as metodologias da EJA, suas particularidades não são atingidas.

O trabalho tem papel fundamental para estes estudantes por suas condições socioeconômicas, com responsabilidades sociais e familiares. Registramos que 87% dos alunos entrevistados acreditam que a continuidade nos estudos podem mudar sua trajetória de vida e 41% acreditam que sua qualificação pode interferir em sua autoestima. No entanto, conforme sinaliza Andréa (2010), se ocorre incompatibilidade entre o horário do trabalho e o horário da escola, os alunos optam pelo trabalho, pois é de onde tiram o seu sustento e o da família, daí decorre-se a evasão escolar também por esse motivo.

Quanto às questões relacionadas diretamente com as causas da evasão na EJA, as respostas dadas pelos alunos, observam-se na figura 3 que as respostas estão diretamente relacionadas com as discussões apresentadas por diversos autores e documentos oficiais que afirmam que não há apenas um fator determinante que irá causar a sua desistência, mas vários fatores aliados que convergem para evasão escolar destes alunos.

Com relação às respostas dos alunos, duas possíveis causas da evasão foram apontadas em maior quantidade, sendo: a falta de interesse e o trabalho. No caso da falta de interesse, é importante observar a convergência ou não do currículo da EJA com os interesses deste público. Ceratti (2008) apresenta algumas provocações em relação ao fator falta de interesse dos alunos na EJA:

Às vezes a falta de interesse do aluno, traduzida na evasão escolar é uma maneira de mascarar sua incapacidade para se esforçar. Mas em outras ocasiões não é assim. O aluno faria um esforço se percebesse que os conteúdos da aprendizagem são medianamente atrativos, úteis, conectados, com sua vida diária, atraentes o suficiente para que o esforço valha a pena (CERATTI, 2008, p. 13)

Esta realidade denuncia a necessidade de ações urgentes, pois a evasão é evidente, o que pode acarretar a extinção da EJA nesta referida escola, não por não existir clientela, mas por a escola não conseguir retê-los. Observamos que o papel do professor é investigar o que os alunos fazem e o que pretendem fazer com os estudos. Com bases nessas informações, ele vai construir uma prática para atender as diferentes necessidades de aprendizagem.

Relevante ainda na definição de políticas e programas é a formação continuada de educadores. Pelo indispensável papel que exercem no desenvolvimento de práticas pedagógicas mais conseqüentes com os fundamentos dos processos de aprender a ler e escrever, além de outros fatores necessários para a vida em sociedade.

Em relação ao trabalho como motivo para a evasão do aluno da EJA, que culmina na desistência da escolarização, uma vez que o trabalho é imprescindível para a manutenção da sobrevivência. Esta dupla condição dos jovens – trabalhadores durante o dia e estudantes à noite – é um dos principais motivos que levam estes alunos a chegarem cansados e acharem  as aulas maçantes, sem o atrativo de aulas mais dinâmicas e participativas, como a utilização de computadores e de laboratório.

O trabalho é parte integrante sim da vida dos alunos adultos EJA, como fator de sobrevivência muitas vezes. O trabalho como uma das principais causas da evasão escolar na EJA traz o foco de uma das peculiaridades desse grupo, sendo discutida também por Andréa (2010, p.11 e 12): “a partir das individualidades de cada aluno é que se pode observar que em sua grande maioria, estes sujeitos do processo educativo têm em comum sua necessidade por trabalho e que conseqüentemente, essa necessidade representa fator homogêneo de agravamento no índice de evasão escolar”.

No entanto, quando questionados se tem investido em sua qualificação profissional e de maneira isso acontece, grande parte dos estudantes considera que é necessário continuar os estudos, fazer cursos e buscar melhor qualificação. O fator econômico e a disponibilidade de tempo dificultam em parte a qualificação desses alunos.

Em conseqüência disso, a grande maioria dos entrevistados não se consideram preparados para enfrentar o competitivo mercado de trabalho.    Isso se deve ao fato de grande parte serem formada por jovens entre 15 e 22 anos de idade, alguns ainda nem pensaram em nada sério, não planejaram o futuro ou simplesmente não tem perspectiva. Já as pessoas com mais idade não tem disponibilidade de tempo para buscar alternativas e continuam com pouca ou nenhuma qualificação e com baixos salários.


3.2 Os professores da EJA da Escola Estadual Deputado Gonçalo Botelho de Campos

Entre os professores entrevistados, 31 a 36 anos de idade é a faixa etária de maior destaque, representando 46% dos respondentes; em seguida a faixa etária mais expressiva é a de acima de 50 anos de idade, correspondendo a 27% dos professores, conforme figura 4.

Quanto ao tempo de atuação dos professores na EJA, 27% atuam de três a cinco anos, 27% atuam de sete a nove anos e 27% atuam de quinze a vinte anos. Dentre os professores 67% já tem especialização. No entanto, 82% afirmam ter às vezes dificuldade na prática profissional com a EJA. E, quanto ao material didático que utilizam na EJA, 46% consideram que às vezes não é compatível ao nível da EJA. Uma das dificuldades encontradas para trabalhar com a EJA é a falta de cursos de capacitação. Apesar disso, a maioria dos professores procura informações sobre a realidade socioeconômica de seus alunos.

O professor em sua atividade pedagógica necessita buscar novas metodologias, propondo discussões e diálogos. Desta maneira, há a possibilidade de crescimento do aluno, que encontra significado em suas ações, realizando-se através do êxito que atinge ao concluir suas tarefas. Já o educador, ao perceber o amadurecimento do aluno, consegue visualizar a importância de uma prática dinâmica e envolvente.

Segundo Di Pierro (2006), a formação acadêmica dos educadores nem sempre  antecede a prática docente. Muitas vezes o educador se constitui na prática e, desafiado por ela, procura a formação acadêmica. O Parecer CNE/CEB n. 11/2000, que regulamenta as diretrizes curriculares nacionais da educação de jovens e adultos, recomenda uma formação específica para os professores da EJA:

[...] um docente voltado para a EJA deve incluir, além das exigências formativas para todo e qualquer professor, aquelas relativas à complexidade diferencial desta modalidade de ensino. Assim, esse profissional do magistério deve estar preparado para interagir empaticamente com essa parcela de estudantes e estabelecer o exercício do diálogo (BRASIL, 2000,  p. 56)

Assim, a metodologia é um fator determinante para uma ação docente satisfatória, na qual professor e aluno possam desenvolver através do diálogo, uma prática eficiente. Os professores foram questionados sobre qual metodologia utilizam em suas aulas.

De acordo com os professores entrevistados da EJA, dentre as dificuldades  encontradas em sua prática com a clientela da EJA se destacam: cansaço, grande evasão, desmotivação, indisciplina dos alunos mais jovens, excesso de faltas, dificuldades de aprendizagem.

Para isso, os professores da EJA sugerem para melhorar os resultados da clientela escolar: motivar os alunos, trabalhar com projetos, maior oferta de material didático, oferta de lanche melhor, o professor deve preparar mais aulas interessantes e atrativas, possibilidade de aula de campo, utilização de biblioteca e sala de vídeo, ter espaço adequado e materiais para aulas práticas de Educação Física e melhoria das condições de trabalho dos professores.

Percebe-se o envolvimento dos docentes ao trabalhar nesta modalidade de ensino, apesar de todas as dificuldades e limitações presentes no espaço escolar. Assim, os docentes representam por muitas vezes a possibilidade de permanência e sucesso escolar dos alunos matriculados na EJA.

 

I.         CONSIDERAÇÕES FINAIS

A expansão do ensino vem se dando de diferentes formas, oscilando junto com a conjuntura sociopolítica e econômica, em períodos de democracia. As iniciativas de atendimento à EJA multiplicam-se e diversificam-se constantemente. As práticas têm ressaltado, para seu sucesso, necessidade de fortalecer a autoestima e a construção da identidade dos sujeitos que dela participam.

Todas as medidas esboçadas sobre o conteúdo dos processos de educação escolar mostram uma orientação histórica, social pedagógica e didática. O ensino deve conter situações nos quais os alunos possam interagir de modo participativo construindo seus próprios conhecimentos, apoiados pela experiência do professor, que deve sempre valorizar  o

conhecimento do aluno, trabalhando a realidade e as suas necessidades existentes (econômicas, sociais, intelectuais e espirituais), bem como, as da sociedade em que eles estão inseridos.

Com a elaboração desse estudo foi possível constatar que a EJA é um campo fértil  para estudo e pesquisa, pois é grande o contingente populacional que ainda não concluiu a educação básica. Como esta se atrela dos interesses sociais ao mudar as demandas do  trabalho, muda o perfil do emprego, há solicitação de o trabalhador que dê conta de acompanhar as mudanças.

Quaisquer que sejam suas áreas de atuação, para todos os trabalhadores regem a exigência de adquirir à capacidade de adaptação as mudanças, de compreender os novos processos técnicos decorrentes das novas tecnologias, de saber comunicar-se de forma eficiente e de adquirir conhecimentos profissionais de base e essas capacidades podem ser desenvolvidas por meio da educação básica.

No entanto, pode-se dizer que para haver a democratização da educação não basta apenas a existência de leis, é preciso que haja comprometimento dos órgãos públicos, responsáveis diretos pela sua efetivação. Pode-se destacar que a evasão em EJA é um fator determinante que inviabiliza sua concretização.

A evasão escolar na EJA é um problema sério e precisa ser investigado para despertar nos profissionais a necessidade de estar sempre refletindo sobre a prática educativa destinada a essa clientela, pois a educação de jovens e adultos deve ir além da representação de números em estatísticas educacionais, ela deve conhecer resgatar a história da comunidade,  desenvolver juntamente com os sujeitos um conhecimento que atenda as suas necessidades, incentivarem os alunos a permanecer em sala de aula e adequá-los aos padrões de visão de mundo, a fim de evitar que as turmas diminuam, que a falta de interesse aumente e a evasão cresça.

 

Notas:

1 Parte dos dados apresentados neste artigo integra-se à tese de doutoramento da autora, desenvolvida sob a orientação da Prof.ª Dr.ª Ana Maria Cáceres Segóvia, por meio do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências da Educação da Universidad Técnica de Comercializacion Y Desarrollo em Pedro Juan Caballero, Paraguai em 2014.


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