Práticas educativas de Políticas Públicas de aposentadoria dos técnicos administrativos da Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT

Por Ercilia Verônica 06/09/2017 - 15:47 hs

Foto: Reprodução

 Ercilia Verônica Barcelo [1]

 

RESUMO

Este artigo tem como objetivo analisar a importância das práticas educativas de políticas públicas através de um programa de preparação para aposentadoria - PPA aos servidores técnicos administrativos da Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT, considerando as significações desses servidores em relação ao trabalho e a aposentadoria. Para isso a pesquisa procurou analisar comparativamente o significado do trabalho e da aposentadoria para os servidores e técnico-administrativos, com o objetivo de identificar o lugar ocupado pelo trabalho em suas vidas e compreender, assim, as implicações desse fator no momento de transição para a aposentadoria. O caminho metodológico esta amparado no método quantitativo, na revisão bibliográfica de temáticas relativas a aposentadoria e PPA, e na coleta de dados através da aplicação de um  questionário semi-estruturado junto aos 50 servidores sujeitos desta  investigação. Os resultados sugerem forte significação de vínculo emocional apresentada pelos entrevistados, evidenciando o trabalho como um meio de segurança financeira, e o despreparo para a aposentadoria, demonstrando urgência na implantação programas de políticas públicas através de um plano de preparação para a aposentadoria dos servidores da UFMT

Palavras-Chave: Aposentadoria. Trabalho. Servidor público. PPA

 


[1] Autora – Mestre em Ciências da Educação pela Universidad Tecnica de Comercialización y Desarrolo.  veronixxcc@hotmail.com.br

[2] Article extracted from the Master's Dissertation in Educational Sciences at the Technical University of Marketing and Development, Paraguay, 2014.

[3] Author - Master in Educational Sciences by the Technical University of Marketing and Development veronixxcc@hotmail.com.br

 

EDUCATIONAL PRACTICES FOR RETIREMENT PUBLIC POLICIES OF TECHNICAL ADMINISTRATIVE FEDERAL UNIVERSITY OF MATO GROSSO - UFMT. [2]

Ercilia Verônica Barcelos[3]


ABSTRACT

This article aims to analyze the importance of educational practices of public policy through a program of preparation for retirement - PPR for administrative technical employees of the Federal University of Mato Grosso - UFMT considering the meanings of these servers in relation to work and retirement. For this, the research sought to analyze comparatively the meaning of work and retirement for servers, technical and administrative, in order to identify the place occupied by work in their lives and understand, as well, the implications of this factor in the transition time for retirement. The methodological approach is supported by the quantitative method, the literature review of issues related to retirement and PPR, and the collection of data by applying a semi-structured questionnaire with 50 servers subjects of this investigation. The results suggest a strong significance of emotional attachment submitted by respondents, showing the work as a means of financial security, and the lack of preparation for retirement, demonstrating urgency in the implementation of public policy programs through a preparedness plan for the retirement of the UFMT servers

Keywords: Retirement. Job. Public employees. PPA

  

INTRODUÇÃO

A aposentadoria pode ser vista como uma transição que envolve a expansão, redefinição e mudança no papel funcional. As atividades que dependem do contato com colegas de trabalho e as envolvidas na execução de funções de trabalho tendem a diminuir, sendo assim, o papel social cuja manutenção depende da interação, e o papel profissional, será fortemente atingido.

Na atualidade há uma preocupação crescente com a qualidade de vida dos aposentados, de modo que existe uma atenção especial por parte da comunidade e do Governo, se comparadas a um século atrás, quando se firmaram os direitos à aposentadoria. Convém ressaltar que o papel profissional não tem o mesmo significado para todas as pessoas. Cada uma organiza sua vida de modo diferente em relação ao trabalho, aos seus valores pessoais e sociais.

A preparação para a aposentadoria deve estar inserida no programa de qualidade de vida de cada empresa e órgão público, onde deve ter a atuação de psicólogo junto aos funcionários que iram aposentar, auxiliando no redimensionamento dos projetos de vida e a de realização de alguma ação laboral.

Neste caminho a pesquisa tem como o tem o propósito de servir como motivadora para a possibilidade de implantação do Programa de Preparação para a Aposentadoria (PPA) na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), como orientação educacional no caminho da qualidade de vida daqueles que na carreira do serviço público irão se aposentar.

Diante disto esta pesquisa tem como objetivo de analisar a importância das práticas educativas de políticas públicas através de um programa de preparação para aposentadoria - PPA aos servidores técnicos administrativos da Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT, considerando as significações desses servidores em relação ao trabalho e a aposentadoria.

Trata-se de uma pesquisa quantitativa, baseada na revisão bibliográfica e na aplicação de questionário semi-estruturados aplicadas a 50 servidores Técnicos administrativos da UFMT de três grandes grupos, nível auxiliar, secundário e superior, que vivenciam o período de pré-aposentadoria.

Para análise do discurso foi utilizada técnicas de pesquisas variadas, e Fagundes (2008) que considera três pilares básicos, a serem pensados na implantação do PPA, o psicológico, a atividade futura e o fator financeiro.

 

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS

Nas Ciências sociais, as representações sociais são definidas como categorias de pensamento, de ação e de sentimento que expressam a realidade, explicam-na, justificando-a ou questionando-a, o senso comum ou os saberes coletivos se apresentam nas representações sociais, assim como os significados atribuídos por um grupo a um objeto.

As representações sociais circulam em nossos cotidianos, formamo-las sobre os mais diversos objetos segundo a posição social em que nos encontramos, de forma que uma representação sempre parte de alguém e é elaborada sobre alguma coisa. Assim concebe-se que o ato de representar significa apreender e retocar o texto, esse retoque do texto é intimamente ligado a posição ocupada pelo indivíduo ou grupo na sociedade, assim, se a sociedade oferece uma variedade de interpretações a um determinado objeto ou situação, o indivíduo ou grupo também interpreta e molda sua forma de pensar e sentir de um modo que lhe é próprio.

Nesse sentido repensar a aposentadoria como um processo de qualidade de vida, levando em consideração a significação do trabalho e da aposentadoria na representação social do cidadão (servidor) implica um remanejamento das estruturas, uma remodelação dos elementos, uma reconstrução do dado no contexto dos valores, das noções e das regras.

O universo das representações sociais pressupõe a subjetividade e contribui na construção das identidades dos sujeitos, sendo efetivada nas condições dos sujeitos e dos elementos econômicos, sociais, políticos e ideológicos presentes no contexto de vida (Moscovici, 1978).

O conhecimento sobre determinado objeto, ou fenômeno, se torne uma representação social, é necessário ele seja interiorizado, o que acontece, através do mundo da conversação. Nesse sentido a representação social é uma modalidade de conhecimento particular que tem por função a elaboração de comportamentos e a comunicação entre os indivíduos, na qual a vida cotidiana é concebida em função da incessante comunicação que se estabelece entre os indivíduos, no qual eles modificam, resignificam e reconstroem sua realidade subjetiva, sendo a interação o principal meio, pelo qual os indivíduos estabelecem contatos expõe seus pontos de vista e suas respectivas realidades, sensibilizando-se para o que lhe é estranho e se apropriando dos elementos que lhe convém (Moscovici, 2003).

Durkheim (1996, p.21), em seus estudos considera que as representações sociais são formações pelas quais a sociedade, enquanto uma realidade sui generis se exprime, uma classe muito genérica de fenômenos psíquicos e sociais, que abrange o que designamos por ciências, ideologia, mito, e destrinçam simultaneamente o aspecto social e as vertentes perceptiva e intelectual do pensamento coletivo

 

SignificadoS E CENTRALIDADE do Trabalho

A palavra trabalho vem do latim tripalium, termo utilizado para designar instrumento de tortura. Esse conceito nasceu nas sociedades antigas e perdurou até o início do século XV Na perspectiva marxista o trabalho pode ser compreendido, de forma genérica, como uma capacidade de transformar a natureza para atender necessidades humanas (ALBORNOZ, 1988).

A intenção aqui é de contextualizar de maneira geral as mudanças ocorridas no significado do trabalho e as transformações ocorridas nas definições que afetaram todos os envolvidos em cada época da humanidade.

No cotidiano de cada indivíduo, o trabalho assume diferentes perspectivas, como uma realidade, independente da forma como é realizado, visto que as pessoas continuam trabalhando para garantir a própria subsistência para alguns representa orgulho e prazer, para outros obrigação e aprisionamento, entre inúmeros significados.

O significado do trabalho refere-se às representações que o sujeito tem de sua atividade, assim como o valor que ele atribui a sua profissão. Formado por um conjunto de valores e crenças, é construído antes e durante o processo de socialização do trabalho, mudando em função das novas experiências (GARCIA, 2004).

Na condição de objeto histórico o trabalho teve seus valores e significados forjados e transformados pelos homens em conformidade com os arranjos sociais, políticos, econômicos e culturais constituídos no decurso do tempo (Gondar, 1989).

A análise do trabalho a partir da perspectiva histórica, considerando os diferentes contextos nos quais se produzem seus sentidos permite afirmar a sua centralidade na estruturação social, compreendendo que sua importância, a que  não se restringe à garantia da sobrevivência material, mas se estende a outras dimensões da vida dos sujeitos, como sua integração social e a constituição de suas subjetividades, da qual participa a atribuição de sentidos.

Na história da humanidade, o trabalho sempre teve seu valor percebido pelas pessoas de diferentes formas e apresentou diferentes características quanto à obrigatoriedade, à relevância, à obrigação social, dentre outros fatores. Sendo importante acrescentar que, apesar de as concepções de trabalho se adequarem a momentos históricos específicos, o aparecimento de uma tendência não significa o completo abandono de outra; todas continuam existindo e integrando as significações atuais de trabalho (Borges e Yamamoto, 2004).

O trabalho continua a exercer um papel central na estruturação social, sendo necessário o reconhecimento prático do trabalho como dotado também de sentido especial na vida das pessoas que dele vivem. A discussão sobre a centralidade do trabalho não pode prescindir de considerar o aspecto dos sentidos do trabalho na vida dos sujeitos. É nessa perspectiva que os sentidos atribuídos ao trabalho assumem sua real dimensão. Os estudos que se ocupam da discussão acerca da centralidade do trabalho, questionam se a atual conjuntura socioeconômica permitiria sustentar que o trabalho se mantém como elemento estruturante da vida e da sociedade, em conformidade com princípios marxistas.

Mow (1987) parte do pressuposto de que o significado do trabalho é uma construção psicológica multidimensional determinada pelas escolhas e experiências do indivíduo, do contexto organizacional e do ambiente em que se vive e trabalha.

Baseado no estudo de Mow (1987), Soares (1992), em sua pesquisa, identificou as várias relações que a centralidade do trabalho gera, e considera que quanto mais central for o trabalho na vida dos indivíduos, maior será a tendência em valorizar suas características intrínsecas e menos as condições extrínsecas, podendo tender a valorizar menos a religião e família, e mais a auto-realização por meio da atividade desenvolvida no trabalho.

Assim a centralidade do trabalho pode ser entendida como o nível de importância que o indivíduo atribui ao trabalho em sua vida, sendo este nível influenciado por valores próprios de cada pessoa e que ao longo do tempo podem sofrer alterações.

 

Significados da Aposentadoria

Na língua portuguesa, a palavra aposentar prende-se etimologicamente à hospedagem, ao abrigo nos aposentos. Aposento é o mesmo que quarto, remetendo à noção de abrigar-se nos aposentos, no interior da habitação, ou seja, cessar as atividades. Em inglês e francês, retired e retraité, respectivamente, trazem a mesma

noção, retirar-se, afastar-se da vida ativa.

 Esses significados remetem também à separação entre o espaço doméstico (privado) e o espaço do trabalho. Mesmo com as transformações recentes e com o reconhecimento progressivo das atividades domésticas como trabalho, a noção de espaço privado associada à ausência de trabalho perdura (CARLOS et al., 1999).

A aposentadoria é um direito social imutável e inalienável de todos os trabalhadores em um novo estágio de vida que goza de seu próprio nome e identidade, uma vez que implica a prevenção social de investir dinheiro para o futuro, ação em que o Estado é responsável. Usa-se a palavra aposentadoria para referir-se a dois processos distintos:

1. Aposentadoria legal: como direito adquirido à pensão, após determinado período de contribuição previdenciária, independente da saída do mercado de trabalho;

2. Aposentadoria concreta: o rompimento com determinada carreira laboral e/ou a saída do mundo do trabalho remunerado, geralmente após adquirida aquela de base legal. Ambos os momentos podem ou não coincidir na trajetória laboral.

As diferentes formas pelas quais os sujeitos percebem a aposentadoria podem ser ressaltadas pela história de vida de cada um. Os processos de envelhecimento e de aposentadoria ocorrem de maneiras diversas, com múltiplas interfaces, que estão relacionadas às mudanças na vida social e no mundo do trabalho, à reorganização da vida familiar que se presencia na sociedade contemporânea, ao convívio dentro e fora do trabalho, à rotina laborativa, aos papéis sociais desempenhados, ao status do sujeito, ao modo de ser de cada um, aos projetos de vida e a muitos outros fatores (DEBERT, 1999).

Para entender o significado da aposentadoria na vida das pessoas, é preciso ter clareza sobre as mudanças que vêm ocorrendo no mundo atual, porque elas repercutem na vida do ser humano, no seu modo de ser e agir, na qual são muitas as dificuldades do indivíduo que se prepara para vivenciar a sua aposentadoria, uma vez que, há algumas décadas, quem se aposentava, não precisava continuar trabalhando, porque a renda da aposentadoria bastava para o seu sustento, o que hoje em geral não acontece (NERI; DEBERT, 1999).

Muitos aposentados relacionam a aposentadoria ao envelhecimento e ao adoecimento. Com a própria inatividade e os sentimentos relacionados à aposentadoria não raramente desencadeiam uma série de doenças, físicas e psíquicas, durante e após o processo de aposentadoria. Essa nova fase da vida traz à tona, além das doenças, a crise da identidade social devido ao afastamento conjunto das atividades produtivas, entendido como afastamento da própria existência (FRANÇA, 2002).

Numa sociedade que tem dificuldade em lidar com as diferenças, em relação ao aposentado há ainda muitos estereótipos e mitos, os quais estigmatizam e provocam sentimento de impotência e de exclusão, quando as pessoas são afastadas do mundo produtivo. Para que se construam estratégias de intervenção, por parte dos diversos segmentos da sociedade envolvidos com essa questão, é importante que se desvelem as diversas formas de preconceito, estigma e exclusão, e que sejam socializados os conhecimentos sobre envelhecimento e trabalho (Simões, 1999).

A sociedade é contraditória. Por um lado, considera a aposentadoria como um direito e uma conquista do trabalhador, por outro, desvaloriza o aposentado, que passa a ser visto como improdutivo e inútil. Muitos são os indivíduos que se aposentam e continuam trabalhando, principalmente quando lhe cabe o papel de mantenedor do grupo familiar, que para grande parcela dos brasileiros, os valores recebidos com a aposentadoria não cobrem as despesas de sua manutenção e de seus dependentes (Dartora, 2009).

 

PPA E SUA IMPORTÂNCIA

Os Programas de Preparação para Aposentadoria - PPA são programas educacionais que servem para aprofundar questionamentos sobre os aspectos biológicos, sociais, culturais, psicológicos, políticos, econômicos, que se manifestam com maior intensidade no período antecedente à aposentadoria. Atuando dessa forma, procurar reduzir ansiedades e dificuldades associadas à tal fase, bem como servir de facilitador na reelaboração de projetos de vida, geralmente é realizado por organizações públicas ou privadas com aqueles funcionários com previsão de aposentadoria nos próximos anos, visando o desenvolvimento pessoal dos participantes. São palestras com conteúdos informativos e vivenciais, com profissionais oriundos de diversos campos do conhecimento (Psicologia, Medicina, Serviço Social, Nutrição, Educação Física, Direito, Administração, etc) e que, ao abordar o tema aposentadoria, o fazem a partir de seus referenciais específicos do conhecimento, e estabelece a base para a reelaboração de valores, atitudes e percepções.

Alguns autores como Carvalho e Serfim (1995), França (2002), referem que o levantamento do público-alvo dos empregados que irão se aposentar deverá ser em, no máximo, cinco anos, e o PPA deveria se iniciar quando o indivíduo se prepara para o começo de sua trajetória como trabalhador. Não necessariamente como um programa formal, mas inserido no contexto educacional e profissionalizante. Esta abordagem teria o objetivo de, precocemente, despertar a consciência sobre o que o trabalho deveria significar na vida das pessoas, considerando os planos e as medidas que precisam ser tomadas para o futuro. Entretanto, a autora concorda que a clientela prioritária é a emergencial, ou seja, aquela que estiver a cinco anos da aposentadoria.

A intenção dos programas de preparação para aposentadoria deve ser sempre de planejar a vida que segue, buscando novas áreas de interesse para a pessoa, incentivando a descoberta de potencialidades, o reconhecimento de limitações e prevenindo conflitos emergentes. Parte-se do principio de que o planejamento é uma alternativa apropriada para reduzir a ansiedade que é comum ocorrer, mesmo quando as pessoas tem clareza das possíveis consequências da aposentadoria e esboçam planos para seus futuros (FRANÇA, 1992).

O planejamento pode ser feito de outros modos, mas os programas de preparação são, por principio, estratégias privilegiadas para tal. Contudo, sabe-se que, no geral, e não apenas no Brasil, uma insignificante parcela dos trabalhadores que se aposentam, participam de programas de preparação para aposentadoria (MORAGAS, 1991).

É de extrema importância a inclusão de programas de preparação para a aposentadoria nas instituições públicas, uma vez que a aposentadoria representa, sob o ponto de vista psicológico e social, um momento estressante e de muita expectativa na vida do indivíduo, que suscita reações muito ambivalentes, desde uma sensação de liberdade até um sentimento de exclusão. Assim, a proximidade da aposentadoria torna-se uma fase propícia a reflexões e, neste sentido, os programas de preparação para a aposentadoria cumprem, papel fundamental à redefinição e à reorientação das pessoas em relação ao seu futuro,

O governo que deve estabelecer políticas que garantam o acesso à população que envelhecem, abrir espaço para a participação de seus servidores de qualquer idade em projetos de PPA, fomentando segurança e bem-estar.

Os programas de educação precisam começar bem antes da aposentadoria e contar com a participação não só dos pré-aposentados como dos empregados mais jovens e também dos aposentados, num processo permanente de desenvolvimento do ser humano e da qualidade de vida.

As instituições públicas devem criar condições para que se estabeleça um foro de informações e debates sistemáticos pautados nos desejos, interesses e dúvidas daqueles próximos à aposentadoria e nas experiências atuais dos aposentados.

Os programas precisam ser disponíveis, com investigações e avaliações permanentes, e, especialmente, acessíveis as diferentes categorias de servidores, os quais devem ser conscientizados de sua responsabilidade e participação no seu planejamento para a aposentadoria. Os servidores precisam ser convencidos não só da importância do PPA, mas da continuidade, extensão e seus benefícios.

A preparação para a aposentadoria, como processo educativo, é contínuo e deve estar relacionada a um planejamento de vida remanescente, atual ou a ser reformulado. Pela interdependência dos conteúdos do passado, presente e futuro, o tema interessa à qualquer idade e deveria ser discutido pelo jovem que ingressa no mercado de trabalho e por aquele que passa a receber uma pensão sem a “necessidade” de continuar a trabalhar.

 

Proposta de Implantação do PPA na UFMT

Não existe uma fórmula para o programa, cada empresa formula de acordo com suas necessidades. A proposta aqui apresentada de implantação do PPA na UFMT, tem como base a significação do servidor em relação ao trabalho e a aposentadoria e pode ser visto como um processo de intervenção ao final de uma carreira.

A aposentadoria oficial, ou seja, o encerramento da carreira formal implica em escolher alternativas, sendo inevitável pensar e decidir sobre uma segunda carreira, um trabalho autônomo, tarefas filantrópicas, práticas de lazer, cuidados com a casa e com a família, ou outras atividades. De qualquer modo, a inclusão em novos grupos sociais tem decorrências para a identidade pessoal e as necessárias adaptações a uma nova realidade.

A proposta de implantação do PPA, busca propiciar a reflexão a respeito de possíveis alternativas de ação na aposentadoria, além de facilitar a reelaboração perceptiva e afetiva de estereótipos, estigmas ou preconceitos, geralmente referidos como característicos do papel do aposentado; ressaltar a qualidade dos vínculos familiares; observar os efeitos na saúde integral dos participantes como decorrência da evolução do processo vital; rever a valorização do corpo físico e suas conexões com o bem estar emocional; mostrar a importância do esporte e do lazer como forma de sentido lúdico da vida, proporcionar meios para o reconhecimento de possibilidades concretas de emancipação e auto-realização em qualquer fase da vida humana.

De acordo com o modelo proposto por Zanelli e Silva (1996), para a elaboração de um programa de preparação para a aposentadoria - PPA é necessário, primeiramente, realizar um diagnóstico, a partir de um levantamento de necessidades, com o intuito de conhecer aspectos psicológicos e sociais da população de pré-aposentados em questão, identificando suas cognições a respeito de trabalho e demais âmbitos ligados às mudanças provocadas pela aposentadoria, tais como: relacionamento familiar, conjugal, sexual e com amigos; relação com o trabalho; ocupação do tempo e saúde.

França e Soares (2009), salientam que nos programas de preparação para a aposentadoria - PPA, é fundamental discutir a questão das escolhas profissionais realizadas ao longo da vida, pois estas aparecem como pano de fundo para se compreender como o sujeito se relaciona com suas possibilidades de futuro, e é também fundamental discutir sobre como se constitui a identidade do aposentado, a partir do momento no qual não tem mais como sobrenome o nome da instituição onde ele trabalhava, e o modo como os aposentados e os pré-aposentados dão significado a seus projetos futuros.

Diante disso, propomos a implantação de um programa de preparação para aposentadoria - PPA para os servidores técnicos administrativos da UFMT, sujeitos de desta investigação, de forma satisfatória e adequada, levando em consideração as suas necessidades, na busca da qualidade de vida na condição de aposentado.

A proposta aqui apresentada foi elaborada com base em temáticas frequentes na literatura e que trata de assuntos relacionados aposentadoria, PPAs e nas categorias de análise do questionário aplicado aos servidores técnicos administrativos, que demonstrou a necessidade de implantação do PPA. Segue algumas sugestões:

- Os participantes do programa deverão ser aqueles servidores que estão a 5 anos da aposentadoria, conforme preconiza a literatura recomenda. Entretanto, há autores como aponta França (2002), que referem que o PPA deveria iniciar quando o indivíduo se prepara para o começo de sua trajetória como trabalhador, ou seja, que o servidor deveria começar a participar do programa logo no ingresso da carreira funcional, proporcionando uma reflexão permanente, que favoreça sua preparação para tomada de decisões frente às mudanças decorrentes da aposentadoria, visando minimizar o impacto no contexto de vida pessoal e familiar.

Os participantes do PPA deve ser diversificado, com turmas de diferentes setores e compondo servidores de ambos os sexos e com diversos cargos e de escolaridade. Carvalho e Serfim (2005) recomendam que “os grupos do PPA sejam formados com integrantes que possuem interesses afins, facilitando a efetiva troca de experiência de vida profissional e particular”.

- A equipe que coordena e executa o programa de preparação de aposentadoria, devem ser composta de profissional especializado de direção, professores e equipe de apoio administrativo. Os educadores do PPA, podem ser profissionais internos ou externos da instituição (UFMT), considerando que o programa torna-se mais dinâmico, criativo e diversificado quando há profissionais internos e externos à instituição. A vantagem de possuir profissionais internos da instituição é pela questão do tempo na contratação, da valorização funcional e do conhecimento da dinâmica institucional. E a vantagem da contratação de profissionais externos é que traz “sangue novo”, experiências novas. França (2002) refere ser necessário estudar a hipótese da solicitação de profissionais de organizações governamentais e não-governamentais,  para a colaboração do programa.

- O conteúdo do PPA deve abordar questões como previdência, significados do trabalho e da aposentadoria, aspectos psicológicos, cuidados com a saúde, lazer, reeducação alimentar, atividade física, sexualidade, depoimentos de aposentados, aspectos familiares e financeiros, atividade pós-carreira, religião e outros conforme o perfile e significação perante o trabalho e aposentadoria dos participantes.

Conforme França (2002), Zanelli e Silva (1996) os PPAs geralmente trabalham com os seguintes temas: aspectos legais e previdenciários; investimento; saúde (fatores médicos, odontológicos, nutricionais, farmacêuticos e alternativos); aspectos comportamentais e relacionamento afetivo-sexual, familiar e social; aspectos culturais e de lazer.

- As atividades do PPA são extremamente importantes, e podem ser através de encontros mensais, trimensais, ou conforme a proposta do programa, levando em consideração o perfil dos servidores aposentados ou em via de se aposentar. Deve-se destacar a importância da participação da família nessas atividades.

A realização de palestras também devem fazer parte do rol de atividades do PPA, que podem ser bimestrais ou trimestrais com os servidores com previsão de aposentadoria até 5 anos, que ainda têm mais um período de trabalho até efetivar a aposentadoria, e com servidores já aposentados e que já realizaram o PPA como forma de acompanhamento Pós-PPA. Desta forma, pode-se planejar uma “reciclagem” ou “aperfeiçoamento” dos conteúdos já desenvolvido no programa.

Cabe ressaltar que à realização das pesquisas investigativas com os servidores que participaram do programa e se aposentaram, e com aqueles que não participaram do programa e se aposentaram, deve ser constante, com o objetivo de validação dos resultados em termos de efetividade e eficácia e comparação dos resultados entre os dois públicos.

A divulgação do PPA também é uma questão importante, propomos que na UFMT pode ser através de e-mail institucional, informativo eletrônico, folders, cartazes e palestra de sensibilização. França (2002) explica que devem ser utilizados todos os instrumentos de divulgação, desde a adoção de cartazes, distribuição de folhetos explicativos do programa, bem como a divulgação nos meios de comunicação, jornal da instituição, associação, através do setor de recursos humanos e outros.

A preparação para a aposentadoria, como processo educativo, é  contínuo  deve estar relacionada a um planejamento de vida remanescente, atual ou a ser reformulado. Estas são algumas propostas que poderá servir como marco inicial para a implantação do Programa de Preparação para Aposentadoria - PPA, na UFMT.

Conforme França (2002, p. 9), “grande parte da adaptação à aposentadoria irá depender do envolvimento de cada indivíduo com o trabalho, da sua história de vida e como ele deseja viver seus próximos anos, suas expectativas e suas limitações”.

 

Resultados E DISCUSSÃO

A apresentação dos resultados e a discussão dos dados foram organizadas em 4 (quatro) eixos norteadores, baseados nos objetivos específicos.

 

O perfil dos servidores técnicos administrativo

Os servidores entrevistados da UFMT são, em sua maioria (64%) do sexo masculino, casado e constituí o principal provedor do lar, apresentando a sua maioria 40% com faixa salarial de R$ 7.000 a R$ 10.000. A maioria , sendo que (60%) estão acima de 50 anos de idade, considerada na categoria da população idosa, corresponde à idade-base para que se possa aposentar com proventos integrais, para os sexos masculino e feminino, respectivamente, 60 e 55 anos de idade e 30 e 35 anos de serviço conforme Emenda Constitucional 47/2005 (BRASIL, 2005). Esse fato reforça a necessidade de uma preparação para a aposentadoria que se proponha a prática de políticas públicas de aposentadoria, pois estes servidores estão na fase de pré-posentadoria, com a perspectiva de transição de vida para a após aposentadoria. Em relação à maioria (40%) é do Ensino Médio, (36%) do Ensino Fundamental e (20%) de Nível Superior, dos quais apenas (4%), tem Pós-Graduação

 

Os significados do trabalho para os servidores

A grande maioria (68%) interpreta o trabalho como uma segurança, relacionado a vida financeira, o que é comum no mundo capitalista, onde o valor de compra,é evidenciado para a sobrevivência, como obrigatório para a garantia do sustento, e onde a maioria dos entrevistados são provedores do lar.

Na visão utilitarista, o trabalho é associado à ética e o cumprimento de dever, sendo ideologicamente configurado como categoria central, prioritária na vida dos indivíduos, porque provém fartura e sucesso, tanto geral quanto individual, e deve ser exercido com dedicação e disciplina, pois vale tanto quanto mais seja produtivo, passando a ser tratado como mercadoria (BORGES; YAMAMOTO, 2004).

Na análise do significado do trabalho para os servidores da UFMT este é descrito de maneira subjetiva, com questionamentos direcionados, definido em termos de agradável e desagradável, predominantemente de forma positiva. A segurança aparece como um dos itens a ser considerados, para a maioria dos entrevistados, porém obrigação e autonomia também foram consideradas. Assim a Instituição é vista predominantemente no domínio do pragmático, remetendo à questão de utilidade, assumindo para o papel de provedora, responsável pelo sustento e sobrevivência dos servidor e de sua família.

Na análise capitalista, ocorreu uma nova visão atribuída ao trabalho, sem as motivações religiosas, que tornou-se regra implícita para o homem moderno, do esforço máximo em seu trabalho. O sistema capitalista funciona por si só, sem o suporte religioso, o trabalho, mesmo permanecendo importante, não se ancora mais em bases religiosas. O trabalho então começa a fazer parte da realização da dimensão pessoal. Essa mudança se reflete nas motivações, passando da busca de êxito em relação às questões divinas para o êxito nas questões terrenas, no plano material (WILLAIME, 2005).

 

Os significados da aposentadoria

A aposentadoria e a saída do mundo de trabalho e se transformou em um direito social e em um novo estágio de vida que goza de seu próprio nome. Nesta pesquisa 40 % dos entrevistados a considera como um direito, exigindo uma série de novas aprendizagens, reorganização da vida e dos papeis sociais desempenhados.

Aposentar-se simbolicamente coloca para o indivíduo a possibilidade real do mundo do não trabalho, da reorganização da vida, e em novos vínculos afetivos, espaços de convívio, relacionamentos fora do mundo do trabalho, rotinas e até diminuição gradativa da atividade em diversos aspectos, além do laboral. Essas mudanças e distingue alguns “fatores de risco” do processo de aposentadoria, entre eles a autoimagem e a autoestima (França, 2002)

As diferentes formas pelas quais os sujeitos percebem a aposentadoria podem ser ressaltadas pela história de vida de cada um. Os processos de envelhecimento e de aposentadoria ocorrem de maneiras diversas, com múltiplas interfaces, que estão relacionadas às mudanças na vida social e no mundo do trabalho, à reorganização da vida familiar que se presencia na sociedade contemporânea, ao convívio dentro e fora do trabalho, à rotina laborativa, aos papéis sociais desempenhados, ao status do sujeito, ao modo de ser de cada um, aos projetos de vida e a muitos outros fatores (DEBERT, 1999).

Nesta pesquisa foram encontradas conotações tanto positivas quanto negativas, ao significado da a aposentadoria no olhar dos servidores técnicos administrativos da UFMT.  Nos aspectos negativos a (18%) consideram que a aposentadoria significa perda de renda salarial e nos aspectos positivos, (4%) consideram a aposentadoria como um lazer compreende itens como viajar, praticar esportes, participar de atividades culturais e freqüentar clubes e associações. Alguns, (10%) consideram como liberdade, refere-se à ausência de responsabilidades ligadas ao trabalho, pressão por resultados, compromisso com horário e com cargos gerenciais. Outros (4%) consideram a aposentadoria como a oportunidade de realização de um novo projeto de vida, oi seja, a oportunidade de exercer outras atividades, como trabalho voluntário, segunda carreira, participação política e investimento em educação.  Dos entrevistados (8%) consideram dedicação à família, o que significa ter mais tempo para relacionamento, que compreende a percepção de ganho de tempo para os relacionamentos com familiares, amigos e parceiros. Os dados também apresentara (6%), ociosidade, (10%), deixar uma atividade remunerada para assumir outra.

A aposentadoria é uma realidade da vida profissional e laboral e consequência do desenvolvimento natural implica o enfrentamento dessa realidade. Nesse sentido, os programas de preparação para aposentadoria são importantes para que os mitos e preconceitos sejam desfeitos e, assim, ajudem tanto o indivíduo quanto a família a planejarem esse momento de transição, na qual a aposentadoria pode ser vista como oportunidade de se retirar do mercado de trabalho ou manter-se nele.

 

Programa de Preparação para a Aposentadoria e a UFMT

A preparação para a aposentadoria é um processo educativo e contínuo deve estar relacionada a um planejamento de vida remanescente, atual ou a ser reformulado. Pela interdependência dos conteúdos do passado, presente e futuro, o tema interessa à qualquer idade e deveria ser discutido pelo jovem que ingressa no mercado de trabalho e por aquele que passa a receber uma pensão sem a “necessidade” de continuar a trabalhar.

Os técnicos administrativos da UFMT, (42%), acreditam que através de palestras, a instituição pode ajudar na transição para a aposentadoria. (8 %) acreditam que através de cursos, (10%) com apoio psicológico, (30%) com programas de preparação para a aposentadoria - PPA, e 10% outros meios. A grande maioria (90%) dos servidores técnicos administrativos da UFMT, responderam ter interesse em participar de programas de preparação para a aposentadoria PPA, pois entendem que os PPA proporcionam uma oportunidade de melhor adaptação na fase de transição e na de já aposentado.

Neste sentido os programas de preparação para aposentadoria devem ser sempre de planejar a vida que segue, buscando novas áreas de interesse para a pessoa, incentivando a descoberta de potencialidades, o reconhecimento de limitações e prevenindo conflitos emergentes. Parte-se do principio de que o planejamento é uma alternativa apropriada para reduzir a ansiedade que é comum ocorrer, mesmo quando as pessoas tem clareza das possíveis consequências da aposentadoria e esboçam planos para seus futuros (FRANÇA, 1992).

Conforme França e Soares (2009), o PPA facilita o bem-estar dos futuros aposentados, pois enfatiza os aspectos positivos e oportuniza a reflexão sobre os aspectos negativos da transição, bem como a discussão de alternativas para lidar com eles. No PPA o servidor tem a oportunidade de receber informações de adoção de práticas e estilos de vida que promovam a saúde, sendo também o momento para (re)construir o projeto de vida a curto, médio e longo prazo, priorizando os seus interesses e as atitudes que precisa tomar para realizar seus projetos pessoais e familiares.

Diante disso, o planejamento para aposentadoria deve ser um assunto atual e de relevância tanto para UFMT como para os servidores que estão na iminência de se aposentar, principalmente para aqueles que exercem cargos da alta administração. Observa-se que a grande maioria (90%) dos servidores não fazem  planejamento financeiro, sendo um dado muito preocupante, uma vez que, com no processo de aposentadoria a remuneração salarial, apresenta uma redução financeira, em virtude da Lei Federal que orienta a suspensão de alguns benefícios ora incorporado no salário, após a aposentadoria

Embora os aspectos econômicos da aposentadoria sejam muitas vezes referidos, outras preocupações estão presentes na aproximação do evento e nas perspectivas que se abrem para este período da vida do indivíduo, questões como projetos de vida são importantes a serem levados em consideração. Nesta pesquisa (96%) dos entrevistado responderam não ter nenhum projeto de vida após a aposentadoria, sendo considerado um da do preocupante, e o que reforça ainda mais a necessidade de implantação de PPA na UFMT, pois existem pessoas que constroem toda a sua identidade vinculada apenas a uma área de interesse: o trabalho. Estas pessoas podem estar, sem querer, construindo uma aposentadoria difícil.

Diante da insegurança financeira muitos precisam continuar a trabalhar para manter o padrão de vida que tinham ou mesmo sobreviver com o mínimo de dignidade. Nesta pesquisa (80%) dos entrevistados pretendem manter-se ativos no mercado de trabalho.

Observa-se que (90%) dos entrevistados responderam que não fazem investimento financeiro, visando maior conforto para o futuro, o que nos leva a considerar que os fatores percebidos como essenciais para a garantia do bem-estar na aposentadoria para os servidores da UFMT estão ligados à fatores de risco financeiros, é evidente a falta de preparo dos servidores na área financeira para a aposentadoria.

Nesta pesquisa (90%) dos entrevistados responderam não fazem planos para o período pós-aposentadoria, um dados bastante preocupante como já foi dito anteriormente. O planejamento é uma alternativa apropriada para reduzir a ansiedade que é comum ocorrer, mesmo quando as pessoas tem clareza das possíveis conseqüências da aposentadoria e esboçam planos para seus futuros (FRANÇA, 1992).

Com relação à família, a maioria dos entrevistados avaliou positivamente suas relações, no qual (90%) considerou ter o apoio da família para a aposentadoria. Nesta pesquisa (76%) dos entrevistados responderam que não participam de grupos religiosos ou de sua comunidade e (24%), responderam sim.

A inclusão em novos grupos sociais tem decorrências para a identidade pessoal e as necessárias adaptações a uma nova realidade psicossocial, no caso a. aposentadoria que ocasiona "afastamento e redimensionamento da natureza interpessoal, bem como novas formas de ocupação do tempo, e consequentemente, novos comportamentos e, novas auto percepções" (DEPS, 1994).

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Mediante a investigação e resultados obtidos com a coleta de dados conclui-se que a aposentadoria para Técnicos Administrativos na Universidade Federal de Mato Grosso-UFMT, em sentido amplo, deveria ser constituído como um processo educacional de transição, que tem início assim que o técnico começa a tomar consciência da aproximação da aposentadoria.

Nesta pesquisa foi identificada a ausência de programa de preparação para a aposentadoria na Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT. Observou-se que a falta de preparação para a aposentadoria dos técnicos administrativos pode causar angústia, solidão e problemas de saúde, decorrentes da decepção frente à dificuldade de obter satisfação e realização pessoal após o desligamento da ocupação profissional, ainda que esta tenha sido desempenhada com insatisfação. O processo de aposentaria é vivenciado como uma ruptura imposta pelo mundo externo, gerando frustração e sentimento de esvaziamento, uma vez que o trabalho esta fortemente associado à identidade.

Durante a análise dos resultados deste estudo percebe uma influência direta da falta de preparação e de programas de PPA na forma como a aposentadoria é vivenciada e observou-se que os técnicos administrativos que atualmente mais sofrem com a situação de aposentados são aqueles que relataram maior dificuldade para pensar e refletir acerca da aposentadoria durante o período economicamente ativo da vida. A dificuldade na adaptação a novas circunstâncias, associada ao negativismo e resistência para entrar em contato com qualquer assunto ligado à aposentadoria. Demonstrou o quanto o advento da aposentadoria pode trazer benefícios ou malefícios ao servidor , sendo que estas denominações estão ligadas aos significados que cada um atribuiu à aposentadoria.

A aposentadoria quando é assimilada de forma negativa, pode ocasionar comprometimentos na estrutura psíquica do servidor, o que aponta para a responsabilidade social da UFMT, no sentido da preparação dos seus servidores para que o desligamento no processo da aposentadoria, não se torne experiência negativa, considerando que o trabalho e a aposentadoria podem apresentar sentidos e significados diferentes para cada servidor.

A análise dos sentidos atribuídos ao trabalho e a aposentadoria pelos servidores da instituição pública federal de ensino (UFMT) contribui para dimensionar a importância da implantação de PPA em instituições públicas do pais.  Também revelaram que o mundo do trabalho dos servidores públicos mostra-se cada vez mais permeado de incertezas e insegurança financeira. 

Assim a implantação de programa de preparação para a aposentadoria, para servidores aposentados e pré-aposentados e no período que antecede a aposentadoria pode caracterizar-se por um momento de preparação, na qual a aposentadoria pode ser vista de forma positiva. Neste contexto, a Universidade, instituição criada pela sociedade, para ajudar a si própria deverá estar envolta à problemática, cumprindo o seu papel social, por meio da promoção de programas de preparação para a aposentadoria aos seus técnicos administrativos, visando atender as necessidades emergentes neste período de transição: da atividade à “inatividade”.

Diante disso, constata-se a importância de práticas educativas de políticas públicas através da implantação de um programa de preparação para aposentadoria - PPA aos servidores técnicos administrativos da Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT, considerando as significações desses servidores em relação ao trabalho e a aposentadoria. Ao termo preparação às vezes é atribuído um caráter coercitivo ou expulsivo, enquanto outras designações são aceitas mais favoravelmente. Preparação para aposentadoria, embora seja a forma mais comum, tem recebido outras denominações, como por exemplo, reflexão sobre a aposentadoria. Entretanto, a intenção sempre é a de planejar a vida que segue, buscando novas áreas de interesse para a pessoa, incentivando a descoberta de potencialidades, o reconhecimento de limitações e prevenindo conflitos emergentes.

  

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