Dietas restritivas podem representar perigo, diz nutricionista

Especialista avalia que ideal é a pessoa ter equilíbrio na alimentação e fazer exercícios

Por Cintia Borges/Mídia News 09/10/2017 - 14:20 hs

Foto: Reprodução

Dietas restritivas como a lowcarb, paleolítica e jejum intermitente ganharam notoriedade após perfis nas redes sociais divulgarem resultados de grande perda de peso ou grande mudança de massa corporal.

A nutricionista cuiabana Graciely Navarro, no entanto, alerta que essas dietas não são para qualquer tipo de pessoa. E é preciso estar atentos em que perfil o paciente se encaixa.   

“Dietas restritivas muitas vezes podem gerar uma compulsão alimentar, porque o paciente se restringe demais e passa vontade sempre. Se faz sem o acompanhamento, ele pode ter deficiência nutricional”, explica.

Na lowcarb a pessoa corta para quase zero o consumo de carboidratos. Na paleolítica, em suma, o paciente tem uma dieta cheia de proteínas, assim como a lowcarb, mas permite alguns tipos de vegetais e frutas.

“No jejum intermitente, por exemplo, o paciente pode ficar 8h, 16h, e às vezes até 24h sem comer. Chega um momento em que ele não aguenta mais e come principalmente alimentos que dão prazer, que são normalmente os que mais engordam”, detalha a especialista.

As dietas restritivas, então, são indicadas pela nutricionista para pessoas que querem perder peso com urgência, para definição muscular, ou com alguma comorbidade como o pré-diabetes e gordura no fígado (esteatose hepática).

“A lowcarb, por exemplo, pode ser introduzida para pacientes que possuem um pré-diabetes, para controlar mais a carga glicêmica, a quantidade de carboidrato. E a ‘paleo’ para pessoas que querem melhorar a qualidade da alimentação”, revela. 

Contudo, ela não serve para todos. “Com pacientes diabéticos, por exemplo, eu não consigo trabalhar um jejum intermitente, por conta do controle da glicemia. Tem que ser muito bem supervisionado”.

Exercício é primordial

De acordo com pesquisa realizada em 2015 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 62,1% da população não pratica atividade física regularmente. Isso equivale a 100,5 milhões de pessoas de um total de 161,8 milhões de brasileiros maiores de 15 anos.

Para Navarro, a atividade física é importante principalmente para uma qualidade de vida melhor, tanto na juventude, quanto na velhice.

“Eu não consigo pensar em uma pessoa que não faz atividade física. Eu sempre pergunto pros meus pacientes: com 60 anos, como você vai estar? De bengala? Vai querer fazer um passeio dependendo de outras pessoas?”, diz a especialista, e recomenda que o melhor é procurar com um profissional de Educação Física.

Violões

O refrigerante, o macarrão instantâneo e a bolacha recheada são os piores alimentos na dieta do brasileiro.

A nutricionista avalia ainda que os alimentos processados como nuggets e salames devem ser excluídos da rotina alimentar, pelos aditivos químicos que os compõem.

Esses alimentos são pobres em nutrientes e contribuem para o aumento calórico da dieta e em consequência levam à obesidade e à hipertensão.

“Quanto mais industrializado é o alimento, pior para nossa saúde. As doenças vêm, principalmente, pela má alimentação”, afirma a nutricionista. 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta a obesidade como um dos maiores problemas de saúde pública no Mundo. A instituição projeta que, em 2025, cerca de 2,3 bilhões de adultos vão estar com sobrepeso e mais de 700 milhões, obesos. 

Na região Centro-Oeste, a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) aponta que 48% da população adulta está com excesso de peso.

Para Graciely Navarro, a obesidade deve ser combatida com uma dieta equilibrada e sem “terrorismos nutricionais”.

“A vida é equilíbrio. As pessoas criam desespero com a alimentação, que não pode isso, não pode aquilo. Dá para viver tranquilamente comendo de tudo, com maior prevalência da alimentação saudável”, avalia.

O açúcar, contudo, é um dos grandes vilões para uma dieta equilibrada e sem excessos.

“Quanto mais se consome, mais se tem o desejo de consumir. Eu oriento sempre os pacientes a substituir por açúcar com mais qualidade, que é o mascavo, o demerara e o açúcar de coco”, conta.  “Mas mesmo que substituído por açucares mais saudáveis, é preciso cuidado, pois eles têm muita caloria".

A recomendação é substituir ainda por adoçantes naturais como o xilitol e a stévia.