Práticas educacionais na merenda nas escolas públicas da baixada cuiabana no estado de Mato Grosso, Brasil

Por Epaminondas de Carvalho 11/10/2017 - 16:43 hs

Foto: Reprodução

Epaminondas de Carvalho Filho


RESUMO

Este artigo tem como objetivo analisar as práticas educacionais na merenda escolar nas escolas públicas da baixada cuiabana no estado de Mato Grosso, Brasil. que implica considerar a escola como espaço fundamental e privilegiado em que os alunos têm uma educação alimentar, fazendo parte de seu processo de formação humana. Dentre as escolas da baixada cuiabana tomamos como referencia para o estudo de caso as escolas públicas Gonçalo Botelho de Campos e EMEB Maria Ambrósio Pommont, pertencentes aos municípios de Cuiabá e Várzea Grande respectivamente, municípios que primam pelas práticas educacionais em educação alimentar e se destacam nas ações pedagógicas da merenda escolar a nível nacional. O caminho metodológico esta amparado no método quantitativo, com a técnica de coleta de dados através da revisão bibliográfica e aplicação de questionário estruturado aos 20 sujeitos desta investigação. Como contribuição deste estudo tem-se a demonstração de que para alcançar resultados positivos no âmbito da educação alimentar requer planejamento das escolas, supervisão e orientação nas indicações do PNAE e EAN, onde todos devem estar engajados em um único objetivo em promoção a qualidade de vida.

Palavras-Chave: Práticas Educacionais, Educação Alimentar, Merenda Escolar



Autor – Mestre em Ciências da Educação pela Universidad Tecnica de Comercialización y Desarrolo. epaminondascarvalho@hotmail.com

Article extracted from the Master's Dissertation in Educational Sciences at the Technical University of Marketing and Development, Paraguay, 2014.

Author - Master in Educational Sciences by the Technical University of Marketing and Development epaminondascarvalho@hotmail.com

 

Analyze educational practices in school meals in public schools in the state of Mato Grosso, Brazil.


 

ABSTRACT

The present research aims to analyze educational practices in school meals in public schools in the state of Mato Grosso, Brazil, which implies considering school as a fundamental and privileged space in which students have a food education, as part of their process of human formation. This includes deciphering the educational practices of schools meals in public schools, encouraging the exploration of all the spaces it offers for learning health and other skills that challenge them. Among the schools in the state of Mato Grosso we took as reference for the case study the public schools Gonçalo Botelho de Campos and EMEB Maria Ambrósio Pommont, belonging to the municipalities of Cuiabá and Várzea Grande, respectively, municipalities that excel by the educational practices in food education and stand out in the pedagogical actions of school meals at national level. The methodological approach is supported on the quantitative method with the data collection technique through literature review and a structured questionnaire application on 20 subjects to this investigation.  As a contribution of this study, it has been demonstrated that in order to achieve positive results in the area of ​​food education, it requires school planning, supervision and guidance and indications from PNAE and EAN, where all should be engaged in a single objective in promoting the quality of life .

Keywords:


INTRODUÇÃO

Alimentar de forma saudável é fundamental para o desenvolvimento integral de todos indivíduos, e constitui uma relação direta com a saúde e qualidade de vida, sendo reconhecida como direito humano desde 1966, conforme estabelece o Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (BRASIL, 2009).

Uma alimentação saudável é uma das condições básicas para o crescimento, desenvolvimento e saúde, sobretudo de crianças, considerando ainda que, uma alimentação adequada influencia determinantemente no rendimento escolar, uma vez que favorece a capacidade de concentração do aluno. Nesse caminho a escola tem o papel de fornecer orientações e práticas educacionais de recomendações nutricionais a todos os envolvidos no processo educacional, considerando o tempo em que estes estão no espaço escolar.

Educadores defendem que as escolas lidem com o momento da alimentação como uma extensão da proposta pedagógica, e supõe um trabalho coletivo e integrado, com a participação de diretores, professores, coordenadores pedagógicos, manipuladores de alimentos, pais, alunos, membros do Conselho de Alimentação Escolar, e nutricionistas, para que, encorajados na busca pelo conhecimento, tornem-se indivíduos críticos, conscientes, capazes de problematizar situações e tomar decisões (BOOG, 2008; SANTOS, 2012).

Para tanto, além de orientação, é necessário a formação dos hábitos alimentares saudáveis, onde as escolas através de práticas educacionais devem buscar o diálogo baseados nos valores culturais, sociais e afetivos, além dos emocionais e comportamentais a cada proposta de mudança, somando ao desenvolvimento integral dos estudantes.

Assim a merenda escolar, por sua vez, além dos valores nutricionais que conduz a melhoria das condições nutricionais dos alunos, deve considerar a cultura e os hábitos alimentares locais, além da vocação agrícola da região. Sendo fundamental que o nutricionista considere fatores como faixa etária e os horários das refeições para melhor adequar os tipos de alimentos, além de realizar testes de aceitabilidade com os estudantes.

Nesse caminho está o Programa Nacional de Alimentação Escolar- PNAE, que corresponde ao mais antigo programa social do Governo Federal, na área de educação, além de ser um dos mais antigos programas de nutrição do país, sendo, atualmente, gerenciado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação -FNDE, tendo como objetivos: a melhoria das condições nutricionais, a contribuição para a aprendizagem e o rendimento escolar dos estudantes, bem como a formação de hábitos alimentares saudáveis (BRASIL, 2004).

Do ano de criação até recentemente, várias formulações foram sendo implementadas, incluindo-se a descriminação, a abrangência do programa, a descentralização dos recursos, entre outros (BRASIL, 2004).

Atualmente, pautado no Direito Humano a Alimentação, o PNAE abrange os alunos matriculados em creches, pré-escolas e escolas do ensino fundamental das redes federal, estadual, do Distrito Federal e municipal, inclusive as indígenas, as localizadas em áreas remanescentes de quilombos, de assentamentos e as filantrópicas, que da o direito a essa população o direito a merenda escolar. Além disso, entre as diretrizes do PNAE ganharam destaque a necessidade da aplicação da educação alimentar e nutricional como parte no processo ensino aprendizagem da escola e o imperativo de que estas ações educativas perpassem transversalmente pelo currículo escolar (BRASIL, 1997).

Visando conhecer as práticas educacionais da merenda no âmbito educacional, este estudo tem como foco principal, analisar as praticas educacionais na merenda nas escolas publicas da baixada cuiabana no estado de Mato Grosso, Brasil, buscando entender essa atividade no espaço escolar, norteando-se pelas seguintes questões: como é a inserção das práticas educacionais da alimentação saudável na merenda das escolas enquanto espaço de formação humana? As escolas recebem orientação do EAN para realização das praticas educacionais na merenda escolar? As práticas educacionais na merenda escolar está inserida no Projeto Político Pedagógico - PPP no contexto da escola pública? Para responder estes questionamentos, o método utilizado foi o Estudo de Caso com abordagem quantitativa usando diversos instrumentos em situações diversificadas, sendo o ponto principal a observação, das atividades desenvolvidas na escola, aplicação do questionário e a revisão bibliográfica que deu suporte a todo o processo investigativo

 

Programa Nacional de Alimentação Escolar- PNAE

O PNAE, conhecido como “Merenda Escolar”, criado em 1955, visava à redução da desnutrição no país e alcançou, em 2004, a visão do direito humano à alimentação. Seu principal objetivo é contribuir para o crescimento, desenvolvimento, aprendizagem, e conseqüentemente o rendimento escolar e a formação de hábitos alimentares saudáveis dos estudantes, por meio de ações de educação alimentar e nutricional e da oferta de refeições que cubram as suas necessidades nutricionais durante o período letivo.

O Programa Nacional de Alimentação Escolar - PNAE, regido pela Lei nº 11.947/2009/FNDE e Resolução nº 26/2013/FNDE, considera importantes ações educativas que perpassem pelo currículo escolar e que abordem o tema alimentação e nutrição. Incentiva, ainda, a inclusão da educação alimentar e nutricional no processo de ensino e aprendizagem, por meio de práticas saudáveis de vida e da segurança alimentar e nutricional (BRARIL, 2004).

A Resolução nº 26/2013/FNDE, determina como diretrizes da alimentação escolar, entre outros:

I – o emprego da alimentação saudável e adequada, compreendendo o uso de alimentos variados, seguros, que respeitem a cultura, as tradições e os hábitos alimentares saudáveis, contribuindo para o crescimento e o desenvolvimento dos alunos e para a melhoria do rendimento escolar, em conformidade com a sua faixa etária e seu estado de saúde, inclusive dos que necessitam de atenção específica;

II – a inclusão da educação alimentar e nutricional no processo de ensino e aprendizagem, que perpassa pelo currículo escolar, abordando o tema alimentação e nutrição e o desenvolvimento de práticas saudáveis de vida na perspectiva da segurança alimentar e nutricional.

O ponto chave do PNAE é contribuir para o crescimento e o desenvolvimento biopsicossocial, a aprendizagem, o rendimento escolar e a formação de práticas alimentares saudáveis dos alunos, por meio de ações de educação alimentar e nutricional e da oferta de refeições que cubram as suas necessidades nutricionais durante o período letivo.

O Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE, caracteriza-se como a política pública de maior longevidade do país na área de segurança alimentar e nutricional, sendo considerado um dos maiores, mais abrangentes e duradouros programas na área de alimentação escolar do mundo.

 

Educação Alimentar e Nutricional- EAN

A EAN é reconhecida como estratégia que visa à promoção e a proteção da saúde por meio da criação de hábitos e estilo de vida mais saudáveis. Por ser considerada uma forma estratégica de ação dentro das políticas públicas, ela irá contribuir de maneira significativa no controle do avanço das prevalências das doenças crônico-degenerativas (MONTEIRO, 1995).

Educação Alimentar e Nutricional – EAN é uma das principais estratégias para a promoção da alimentação adequada e saudável, envolvendo um conjunto de ações fundamentais para se alcançar a Segurança Alimentar e Nutricional - SAN e para garantir o Direito Humano à Alimentação Adequada -DHAA.

A Educação Alimentar e Nutricional - EAN deve estar no currículo escolar e seguir os princípios do Programa Nacional de Alimentação Escolar - PNAE, considerando a legitimidade dos saberes vindos da cultura, religião e ciência. A EAN é um campo de conhecimento e de prática contínua e permanente, transdisciplinar, intersetorial e multiprofissional que visa promover a prática autônoma e voluntária de hábitos alimentares saudáveis.

A prática da EAN deve fazer uso de abordagens e recursos educacionais problematizadores e ativos que favoreçam o diálogo, considerando todas as fases da vida, etapas de sistema alimentar e as interações e significados que compõem o comportamento alimentar.

Existem diversas políticas públicas que incentivam e fortificam a necessidade da implementação e execução dessas ações nas escolas, pois se sabe que as mesmas beneficiam as crianças por meio de orientação adequada sobre ingestão energética e de micronutrientes, além de promoverem modificações comportamentais precocemente. Fornecer essas habilidades a crianças nas escolas estimula e aumenta o conhecimento sobre a alimentação saudável. E, portanto, as práticas educacionais voltadas para a alimentação saudável, conduz a informações, promove o conhecimento sobre alimentos e nutrição, deixando clara a importância da educação alimentar e nutricional no currículo escolar.

Ressalta-se a importância de dois marcos que norteiam as práticas da EAN sendo eles, o I Encontro Nacional de Educação Alimentar e Nutricional, que articulam um debate sobre o tema e suas diretrizes para as Politicas Públicas objetivando uma prática intersetorial, e a IV Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, que juntamente com a Oficina de Educação Alimentar e Nutricional realizada em 2012 pelo Word Nutrition Rio 2012, tiveram como meta compartilhar e abranger conceitos acerca de EAN no qual resultou no Marco de Referência de Educação Alimentar e Nutricional que contribuiu para um conjunto de ações públicas vinculadas a prática alimentar .

Embora ainda haja pouca referência sobre sua estrutura teórico-metodológica, a EAN é apontada como uma ferramenta principal de estratégia no âmbito das políticas públicas. A partir desse contexto, a relevância da EAN está contida dentro dos programas oficiais brasileiros bem como, a Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN) instituída no final do ano de 1990, que através de suas diretrizes deixam o Governo Federal ciente de sua coexistência e a população do direito à qualidade e a segurança dos alimentos, promovendo a promoção, prevenção e controle dos distúrbios nutricionais.

 

PRÁTICAS EDUCACIONAIS DE SAUDE E A ALIMENTAÇÃO ESCOLAR

As práticas educacionais da educação alimentar, pode ser entendida como processo, procura capacitar os indivíduos a agir conscientemente diante da realidade cotidiana, com aproveitamento de experiências anteriores formais e informais, tendo sempre em vista a integração, continuidade, democratização do conhecimento e o progresso no plano social. Visa também à autocapacidade dos vários grupos sociais para lidar com problemas fundamentais da vida (Lima, et al, 2000).

As práticas educacionais em saúde deve constituir-se num processo ativo que tem por finalidade levar às pessoas a ciência da Nutrição e, por meio dela, promover mudanças para práticas alimentares saudáveis, garantindo a saúde dos indivíduos mediante conhecimentos nutricionais. Por isso, a Educação Alimentar e Nutricional é de fundamental importância, devendo consistir numa prática ativa, lúdica e interativa, por meio da qual os sujeitos terão instrumentos para mudanças de atitudes e de práticas alimentares, sendo estes instrumentos norteados pela ciência da nutrição (JORGE; PERES, 2004).

A finalidade da educação em saúde pode ser a mesma que a de todo bom ensino, isto é, ajudar as pessoas a descobrir os princípios, padrões e valores que melhor se adaptem às suas próprias necessidades, visando à qualidade de vida individual e coletiva (LINDEN, 2005).

A escola é um espaço social onde muitas pessoas passam grande parte do seu tempo, convivem, aprendem e trabalham, portanto torna-se um ambiente favorável para o desenvolvimento de ações e práticas educativas de promoção da saúde, bem como formação de hábitos alimentares saudáveis, atingindo os estudantes nas etapas mais influenciáveis da sua vida, seja na infância ou na adolescência (FERNANDES, 2006).

É importante que educadores e a escola ajudem o aluno a reconhecer suas necessidades e identificar suas preferências alimentares, conduzindo-as de forma prazerosa para a conquista da autonomia, estimulando-as em suas iniciativas, para desde cedo promover a conscientização da prática de uma boa alimentação.

 

A Alimentação Escolar na escola pública: MERENDA

O termo “merenda escolar” é muito utilizado no ambiente escolar tanto por estudantes quanto por funcionários para nomear a alimentação escolar. Essa denominação originou-se pelo fato das preparações servidas inicialmente nas escolas serem tipos de lanches no meio da manhã ou da tarde, momento em que se merenda, na cultura brasileira (TEO et al., 2010).

Alimentação escolar é o termo oficial definido pela instituição PNAE como todo alimento oferecido no ambiente escolar, independentemente de sua origem, durante o período letivo (BRASIL, 2009).

A Alimentação Escolar na escola pública ocupa um espaço significativo na rotina dessa escola. Esta rotina e prática da Alimentação Escolar nesta realidade é uma das marcas diferenciadas da escola brasileira em benefício das classes populares. Em contraponto, as escolas particulares do Brasil não oferecem merenda de forma gratuita (AMARO, 2002).

A alimentação escolar deve ser oferecida ao aluno bem balanceada, pois, deve ser considerada como uma refeição oferecida pela escola para manter a criança alimentada durante a jornada escolar diária, independente de suas condições socioeconômicas, e não como instrumento para erradicar a desnutrição, a fome e o fracasso escolar.

Para muitos estudantes, a merenda que recebem na escola é a única refeição completa e balanceada do dia, pois oferece frutas e verduras, segundo a recomendação nutricional. Esse programa de política pública engloba práticas e projetos, visando à saúde dos escolares e incentiva a realização de projetos nesta área.

A alimentação escolar deve ser entendida como um programa voltado à atenção dos direitos da criança e do adolescente, que proporciona bem-estar físico durante o seu período diário de freqüência à escola, sem apelos assistencialistas que não cabem numa visão moderna de educação escolar. É importante trabalhar a Educação Alimentar ultrapassando os limites da escola, estabelecendo relações com as instituições exteriores e com a comunidade. Também, observar de que forma é possível trabalhar o assunto e utilizar aquilo que é enriquecedor para abordar a alimentação saudável.

No desenrolar do trabalho da merenda escolar saudável é necessário sempre realizar a reflexão sistemática e periódica sobre o seu desenvolvimento, no qual os registros do que foi trabalhado e conquistado devem ser feitos pelas próprias escolas, partilhados e refletidos por toda comunidade escolar. Refletindo que alimentar é educar, entende-se que a melhor oportunidade de ensino e aprendizagem é o momento em que os alunos vêm ao local onde consomem a alimentação escolar, é a ocasião de interação de saberes e indivíduos.


Resultados E DISCUSSÃO

A unidade de análise desta investigação refere-se duas escolas públicas da baixada cuiabana, mantidas pela Rede de Ensino do Estado, através da Secretaria de Estado de Educação do Estado de Mato Grosso –SEDUC, cujos sujeitos foram 2 (dois) Nutricionistas, 2 (dois) Diretores de escolas, 2 (dois) Coordenadores Pedagógicos, 2 (duas) merendeiras e 12 professores selecionados igualitariamente entre as duas escolas.

Os resultados indicam que as duas escolas recebem orientação do EAN para realização das praticas educacionais na merenda escolar, no qual as respostas foram de 100% para a afirmativa “sim”, e mostrou que a educação alimentar tem sido discutida entre professores, coordenadores pedagógicos alunos, gestores, merendeiras e nutricionistas sobre a merenda escolar e seu valor nutricional para a qualidade de vida. Porém observa-se que a inserção de programas de educação alimentar e nutricional nas escolas é recente e que professores e pesquisadores estão buscando um modo efetivo de realizar educação alimentar e nutricional dentro do espaço escolar e de avaliar seus resultados. Porém o as ações muitas vezes tem apenas o caráter exclusivamente informativo das intervenções, que se mostra ineficiente quando os objetivos são mudanças de comportamento.

Ao serem questionados sobre a periodicidade das práticas educacionais, todos os sujeitos da pesquisa (10 sujeitos) da escola Estadual Gonçalo Botelho de Campos responderam semestral e os sujeitos (10 sujeitos) do EMBE Maria Ambrósio Pommont responderam mensal. As atividades educativas promotoras de saúde na escola são muito importantes se considerarmos que pessoas bem informadas têm mais possibilidades de participar ativamente na promoção do seu bem-estar

Quanto a orientação da na realização de práticas educacionais na merenda escolar, 60 % dos entrevistados responderam através de atividades específicas sobre alimentação, 28 % por meio de reuniões pedagógicas e 12% através do coordenador pedagógico. Para essa conscientização sobre alimentação saudável como fator de grande contribuição para melhor qualidade de vida, se faz necessário um incentivo a promoção da saúde por meio de práticas educacionais de saúde (AMARAL, 2008).

Porém, a práticas educacionais em saúde, somente serão concretizadas a partir do momento em que o diálogo, a troca de experiências e a socialização das diversas áreas e disciplinas dentro e fora das escolas se tornarem presentes nas instituições de ensino e nos indivíduos

Os dados apontaram que 56 % das ações é realizada por Nutricionista, 28 % pelo Coordenador Pedagógico, 11 % por Professores e 5 % por outros, no caso citado o Técnico responsável pela alimentação. O ambiente escolar é um local importante para o desenvolvimento de estratégias de intervenção para a formação de hábitos de vida saudáveis, podendo propiciar aos escolares opções de lanches nutricionalmente equilibrados, exercícios físicos regulares e programas de educação nutricional, que por muitas vezes são coordenadas por Nutricionistas.

Quanto as atividades práticas educacionais da merenda escolar 30 % são realizadas através de eventos (feiras, semana da alimentação, etc), 35 % através da realização de Palestras voltadas para a área de alimentação e saúde, 15 % com atividades lúdicas em sala de aula, através de jogos e brincadeiras, 10 % com a elaboração de murais educativos espalhados pela escola, e 10 % através da realização de cursos orientados por professores e Nutricionistas. A Educação Alimentar e Nutricional é de fundamental importância, devendo consistir numa prática ativa, lúdica e interativa, por meio da qual os sujeitos terão instrumentos para mudanças de atitudes e de práticas alimentares, sendo estes instrumentos norteados pela ciência da nutrição (JORGE; PERES, 2004).

Os dados apontaram que as práticas educacionais na merenda está inserida no Projeto Político Pedagógico - PPP das escolas públicas estaduais, Gonçalo Botelho de Campos e na EMEB Maria Ambrósio Pommont, no qual o total de respostas foi de 100% para a afirmativa “sim”. Cabe observar que as práticas educacionais da merenda escolar, em direção a educação alimentar e nutricional do aluno, deve ser um trabalho contínuo como parte do projeto pedagógico da escola, sendo necessários maiores investimento nesta área.

O Projeto Político Pedagógico – PPP da escola deve concretizar-se a partir da transversalidade e transdisciplinaridade. Contudo, as estratégias tradicionalmente utilizadas, são desenvolvidas na maior parte das vezes, de forma fragmentada, em disciplinas isoladas, como nas aulas de Ciências, por meio de textos nos livros didáticos, utilizando palestras e distribuição de folhetos. Tais ações ocorrem de modo desarticulado da realidade local, não resultando em ações transformadoras e efetivas (BOOG, 1997, CASTRO et al., 2007; JUZWIAK, 2013).

Nas escolas Gonçalo Botelho de Campos e na EMEB Maria Ambrósio Pommont, 75% as práticas educacionais esta relacionada com a disciplina de Ciências/Biologia. Os professores que lecionam Ciências e Biologia são, em geral, os que trabalham o tema Alimentação e Nutrição na escola e este assunto é abordado, quase sempre, cujo o livro didático possui uma divisão desse conteúdos por série.

Os dados apontaram que a realização das as práticas educacionais na merenda na escolar em 50 % é de responsabilidade da Nutricionista, 30 % dos Professores, 20 % das Merendeiras. Embora as merendeiras não sejam responsáveis pelas práticas educacionais da merenda escolar, foi observado que estas participam com a responsabilidade na questão da aceitabilidade e inclusão de novos alimentos na preparação da merenda escolar. Neste mesmo caminho também existe a possibilidade de retirada de qualquer preparação incluída no cardápio que não tenha boa aceitação pelos alunos. As merendeiras são capacitadas para a preparação dos cardápios, as funcionárias já tiveram várias capacitações teóricas e práticas no que diz respeito ao descongelamento de carnes bovinas e aves, pré- preparo dos alimentos e armazenamento.

Aos professores cabe mostrar aos alunos a importância da merenda servida na escola, incentivando assim os estudantes à uma alimentação saudável, pois bem alimentado, pode ter um melhor rendimento escolar

A Nutricionista além de participar ativamente nas práticas educacionais das escolas Gonçalo Botelho de Campos e na EMEB Maria Ambrósio Pommont,, do qual os dados  apontaram 50% de afirmativas, estes realizam atividades com a montagem do cardápio da merenda escolar, procurando uma alimentação equilibrada de valor nutricional em promoção a saúde.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

A política de merenda escolar teve muitos avanços que se constituiu como um direito, do cidadão, mas isso não levou a sociedade a entendê-la como tal e vem ainda caindo na questão do assistencialismo, o que nos leva a crer numa possível aproximação dos Conselhos de Alimentação com a comunidade afim de uma articulação entre as partes, sobre os direitos e deveres talvez tirasse dessa forma as características de assistência social.

É preciso compreender que a alimentação é parte integrante e fundamental no processo de educação. A verdadeira escola, a que trabalha a realidade do seu aluno, prepara as pessoas para a vida. E, nesse sentido, é necessária a consciência de que o ser humano não vem pronto, mas que ele precisa aprender. Por isso, compete aos professores, à família e à sociedade ensinar, falar e dar o exemplo em relação aos diversos saberes vinculados à vida, dentre os quais o saber de uma boa alimentação.

É importante ressaltar que ainda são inúmeros os caminhos que devem ser trilhados em direção a consolidar na prática de gestores, educadores e de nutricionistas o entendimento do papel do alimento e da educação alimentar e nutricional no contexto escolar.

O acesso às informações corretas sobre alimentação na infância é fundamental para a formação de hábitos alimentares saudáveis, onde a escola representa um espaço propício, sendo importante conhecer a qualidade da alimentação das crianças e mostrar novas formas de como se alimentar, para além de saudável, mas também prazerosa. Sendo assim, acredita-se que criança bem alimentada se faz essencial para seu desenvolvimento cognitivo e intelectual, mostrando maior rendimento na escola e melhor concentração, melhorando assim a sua construção do conhecimento perante as propostas a ela apresentada.

 

REFERÊNCIAS

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