Prefeito de Aragarças é acusado de tentar agredir vereadores fisicamente

José Elias teria jogado o carro contra vereadores e servidores após ser intimado à audiência da Comissão Processante

Por Kayc Alves/Da Redação 10/01/2018 - 17:54 hs

Foto: Reprodução
Vereadores de Aragarças denunciaram o prefeito José Elias por depredação de patrimônio particular e tentativa de lesão corporal na tarde desta quarta-feira (10). Segundo os denunciantes, o gestor teria jogado o próprio carro contra parlamentares e servidores na manhã de hoje, após bater contra o veículo do vereador Plinio Leão Resende. O prefeito alega que não houve tentativa de agressão e que teve seu carro bloqueado pelo automóvel do parlamentar.

A hostilidade entre Executivo e Legislativo chegou ao limite na manhã de hoje, quando quatro vereadores foram notificar José Elias a comparecer na sessão de julgamento da Comissão Processante que o investiga. Marcada para o próximo dia 17, a audiência deve julgar o parecer final do processo de cassação do mantado do prefeito. 

Segundo relata o vereador Plinio, na presença de mais dois servidores da Câmara, os parlamentares se dirigiram a sala do prefeito no Palácio do Araguaia, mas foram informados de que ele não estaria presente. Os vereadores alegam terem visto o gestor na sala e decidiram esperar para cumprir o ato de notificação.

A vereadora Regina Célia conta que o grupo estava voltando a Câmara para confeccionar um documento no qual o advogado do prefeito, o João Rodrigues, se responsabilizasse pela presença de José Elias na sessão. Foi quando avistaram o prefeito dando ré no próprio veículo contra o carro de Plinio. 

Em coletiva de imprensa, na tarde de hoje, José Elias alegou que os vereadores tentaram impedir a saída dele do Palácio do Araguaia, no horário de almoço. Quando ele conseguiu sair, se deparou com o veículo do vereador Plinio estacionado de forma a bloquear qualquer manobra do seu carro. O prefeito admitiu ter feito uma saída forçada na presença da polícia militar, que ele mesmo chamou para "testemunhar o fato".

"Tive que dar a ré, forçando a caminhonete do vereador até abrir espaço para que eu saísse. Saí tranquilamente. Disse para a polícia comparecer, porque eles [vereadores] poderiam reagir. E se reagissem eu não queria partir para o esforço pessoal", relata.

A versão dos vereadores, que estiveram no Ministério Público de Goiás, relatando os fatos, na tarde de hoje, inclui uma tentativa de lesão corporal da parte do prefeito. Segundo relato, José Elias teria saído "em disparada" na direção do parlamentar e relator da Comissão Processante, Dulcindo Figueiredo, e do chefe de gabinete da Presidência da Câmara, Marcelo de Oliveira.

"Primeiro ele falou para eu entrar na frente do carro, que ele ia passar por cima", conta Plinio. O vereador já tinha trocado farpas, nessa semana, com o prefeito, quando denunciou nas redes sociais a situação das ruas do município, "coberta por buracos". José Elias criticou Plinio, nessa tarde, a quem ele chamou de "prepotente".

O grupo registrou a ocorrência na delegacia e agora averígua junto a assessoria jurídica quais as providências a serem tomadas na administração municipal. "Isso não só tem consequências no processo já aberto, como abre a chance de nós afastá-lo por esse fato também. Foi uma tentativa de homicídio. Ele tentou nos matar", ressalta o vereador Dulcindo.

No Palácio do Araguaia, José Elias afirmou que os vereadores vem tentando coagi-lo e classificou o fato da manhã como uma tentativa de humilhá-lo. "A quantidade de realizações que nós fizemos aqui e de recursos que a prefeitura já conseguiu, infelizmente não tem nenhuma emenda desses vereadores que fazem essa oposição e que tem uma inveja doentia da nossa administração."

O prefeito negou ter jogado o carro em cima do vereador e do servidor. Ele disse ter chamado a polícia para que ela testemunhasse tudo que ocorresse. "Eu, se tiver que jogar, eu jogo é em cima mesmo, eu vou em cima. Não tenho negócio de esconder, não. Comigo é tudo às claras", brincou.

Para Regina Célia, a atitude "infantil" do prefeito mostra que a "guerra entre Executivo e Legislativo" parte dele. "A gente quer paz, porque é o povo que está perdendo. Já não faz nada e ainda usa a desculpa de que são os vereadores que estão atrapalhando. Muito pelo contrário, todos os projetos que são benéficos a população, os vereadores estão junto com o prefeito", declarou.