Habilidades sociais e desempenho de docentes no ensino superior privado do interior baiano

Por Hurleides Cirino e Maiango Dias 05/02/2018 - 14:32 hs

Foto: Reprodução

Hurleides Cirino

Maiango Dias


RESUMO

Este artigo apresenta um estudo sobre as habilidades sociais dos professores universitários das faculdades de ensino privado do interior baiano. O objetivo do estudo foi avaliar o impacto das habilidades sociais de professores do ensino superior privado no seu desempenho de ensino, além de avaliar possíveis relações de seu desempenho com características sócio-demográficas. Inicialmente, quinze professores foram avaliados através do teste psicológico Inventário de Habilidades Sociais - IHS, que avalia o repertório geral das habilidades sociais, além de questões sócio-demográficas. Num segundo momento, foi aplicado um instrumento de avaliação de desempenho validado especificamente para professores do ensino superior privado, junto aos alunos de disciplinas correntes dos professores participantes. Os dados foram analisados de forma descritiva e correlacional. Os resultados obtidos demonstraram que não houve relações significativas entre habilidades sociais gerais e o desempenho dos docentes. Ao final, são apresentadas algumas limitações do estudo e perspectivas para novas pesquisas, especialmente, que possam investigar características mais específicas das habilidades sociais dos docentes.   

 

Palavras-chave: Habilidades Sociais; Avaliação de Desempenho; Docência no Ensino Superior.


 Discente do curso de Psicologia da Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC) Vitória da Conquista – BA. E-mail: hurleidescirino@hotmail.com

 Orientador. Psicólogo, Mestre em Psicologia Aplicada pela Universidade Federal de Uberlândia, docente do curso de Psicologia da Faculdade de Tecnologia e Ciências de Vitória da Conquista. E-mail: maiango@yahoo.com

  


ABSTRACT

This paper presents a study about the social abilities of the private college professors in the interior of Bahia state. The objective is to evaluate the impact of social abilities of the professors in their school discharge, over there to evaluate their behavior socially ability. In the beginning, fifteen professors were evaluated though of the psychological test IHS, abbreviation in Portuguese that means Del- Prette’s Social Abilities Inventory which evaluates a general repertory of the social abilities, which is formed by confront factors and self-affirmation with risk, self- affirmation in the expression of positive felling, conversation and social involvement, self-exhibition to strange people and new situations and self-control of the aggressively. In a second time, an evaluation of discharge legitimated to private college professors specifically, about the students of those professors. The data were analyzed through descriptive and connect methods. The results obtained demonstrated that there were not connections between social abilities and the discharge of the professors.  At the end of this paper, some suggested limitations and contributions are presented.

Key-words: Social Abilities- Evaluation of discharge- Behavior- College Teaching

 

1 INTRODUÇÃO

A origem da pesquisa das Habilidades Sociais (HS) foi atribuída a Salter (1949), considerado o pai da terapia comportamental, promove técnicas para aumento da expressão verbal e facial, descrita em seu livro Conditioned Reflex Therapy. Em 1958, Wolpe utilizou pela primeira vez o termo “comportamento assertivo”, referindo-se à expressão de sentimentos negativos e defesa dos seus próprios direitos (CABALLO, 1996).

O estudo do campo teórico e prático do Treinamento de Habilidades Sociais (THS) é extremamente importante, segundo Caballo (1997), já que os seres humanos passam a maior parte de seu tempo engajados, em alguma forma de comunicação interpessoal, e, ao serem socialmente habilidosos, são capazes de promover interações sociais satisfatórias.

Não existe um consenso para o termo HS; este termo foi usado para mostrar um conjunto de capacidades comportamentais aprendidas que envolvem interação social (Caballo, 1995). Del Prette e Del Prette (1999) dizem que HS abragem as relações interpessoais, incluindo a assertividade (expressão apropriada de sentimento negativo e defesa dos próprios direitos) e as habilidades de comunicação, resolução de problemas interpessoais, cooperação e de desempenho pessoais nas atividades profissionais.

Mac Kay (1988 apud DEL PRETTE; DEL PRETTE, 1999) faz uma crítica à definição de HS feita por Albert e Emmons (1978), na qual da ênfase ao comportamento, pois coloca que a pessoa assertiva age em seu interesse é responsável por si mesma sem sentir ansiedade, expressa seus sentimentos de maneira honesta e procura exercer seus direitos, sem negar os direitos do outro.

Por exemplo, Alberti e Emmons (1978 apud DEL PRETTE; DEL PRETTE, 1999) fazem a diferenciação entre comportamento assertivo, não assertivo e agressivo, sendo que o assertivo é um processo, pelo qual o sujeito (emissor) expressa seus sentimentos e pensamentos ao receptor de forma adequada, utilizando entonação, latência e fluência de fala apropriada; ouve o receptor, para então responder, de forma a atingir seus objetivos sem prejudicar as relações futuras com o mesmo. O não assertivo ocorre quando a pessoa não expressa seus sentimentos e pensamentos ao interlocutor emitindo, muitas vezes comportamentos inadequados, ou seja, contra sua própria vontade ou por medo de prejudicar sua relação no futuro com o interlocutor, por isso muitas vezes o emissor é explorado e prejudicado, sem atingir seus objetivos. A agressividade muitas vezes permite atingir os objetivos desejados, mas no processo ocorre a mágoa nos demais fazendo escolhas por eles além de se desvalorizarem como pessoa, possibilitando represálias futuras o comportamento assertivo pode favorecer aos valores do emissor a expressão honesta de seus sentimentos, atingidos os objetivos desejados, não prejudicando a si mesma e nem ao receptor (ALBERTI; EMMONS, 1978 apud CABALLO, 1987).

Alberti e Emmons (1978 apud BOLSONI-SILVA, 2002) definem que os comportamentos não-assertivos e agressivos podem ser situacionais. Por exemplo, o não-assertivo pode ser dividido em situacional e geral. A não-asserção situacional é quando as pessoas de forma não-assertiva em algumas situações agem em uma situação que lhes traz ansiedade, já a não-asserção geral inclui aquelas pessoas em que os comportamentos são tipicamente de maneira não-assertiva, sentindo-se incapaz de reconhecer seus direitos ou agir de acordo com seus sentimentos na maioria das situações do seu cotidiano, por conseqüência adquiram baixa auto-estima e muita ansiedade frente as situações. A pessoa não-assertiva situacional ela tem a possibilidade de reconhecer seus problemas e de imediato iniciar com sucesso e asserção, percebendo em sua vida diária maneiras de ser assertivo consigo e com os outros, sem que haja a necessidade de ser instruído. Em caso de pessoas não-assertivas geral ela necessita de um tratamento terapêutico par que possa conseguir desenvolver a assertividade necessária.

Caballo (1991 apud BOLSONI-SILVA, 2002) define que o comportamento socialmente habilidoso, justificaria pelos seguintes fatores: iniciação e manutenção de conversações; falar em publico e ou em grupo; demonstrar amor, afeto, carinho e agrado; defender seus próprios direitos; solicitar favores; recusar pedidos; fazer e aceitar cumprimentos; expressar as próprias opiniões mesmo em situações de desacordos; expressar justificadamente quando se senti molestado; saber desculpar-se ou admitir falta de conhecimento; pedir mudança no comportamento do outro e saber enfrentar as criticas recebidas. As situações onde estas respostas podem ocorrer são muitas e variadas, como exemplo um ambiente familiar, de trabalho, de consumo, de lazer, de transporte publico, de formalidade

Caballo (1991 apud BOLSONI-SILVA, 2002) apresenta uma definição que vem explicitar um maior numero de habilidades, quando comparado as teorias, pois afirma que o comportamento socialmente habilidoso ou mais adequado se refere à expressão, pelo indivíduo de atitudes, sentimentos, opiniões, desejos, respeitando a si próprio e aos outros, existindo em geral resoluções de problemas imediatos da situação e diminuição da probabilidade de problemas futuros.

O campo das HS vem se estruturando conceitualmente ao longo dos últimos 30 anos. Sua matriz conceitual é permeada por diferentes modelos que contribuíram para formação, tanto como abordagem teórica, como campo de aplicação.

Del Prette e Del Prette (1999) enumeram o conceito de Caballo (1987), segundo o qual o comportamento socialmente habilidoso é

“esse conjunto de comportamentos emitidos por um individuo no contexto interpessoal, que expressa sentimentos, atitudes, desejos, opiniões ou direitos desse individuo de um modo adequado à situação, respeitando esses comportamentos nos demais e que geralmente resolvem uma situação ao mesmo tempo em que minimiza a probabilidade de problemas futuros” (p.14).

As pessoas buscam sempre o seu próprio equilíbrio diante dos seus comportamentos desejados e indesejados, nesta busca o sentido seria o estado de plenitude, realização e felicidade. O processo que conduz a esse crescimento envolve, de um lado a interação com o outro e de outro o encontro do indivíduo consigo mesmo. Isso significa contar com a impressão, o julgamento e o feedback das outras pessoas e do próprio individuo sobre si mesmo (DEL PRETTE; DEL PRETTE, 2001).

As habilidades sociais são aquelas classes de comportamentos existentes no repertório do individuo que compõem um desempenho socialmente competente. Muitas vezes uma pessoa possui habilidades em seu repertório, mas não as utilizam nas situações necessárias por razões de ansiedade, crenças e dificuldade de leitura dos sinais do ambiente (DEL PRETTE; DEL PRETTE, 2001).

Conforme a própria definição, o surgimento de um repertório de HS é uma causa necessária e não suficiente, para o desempenho socialmente competente do ser humano, existem alem das experiências de aprendizagem um conjunto de fatores pessoais como pensamento, sentimentos, valores pessoais, atribuições, crenças, planos e metas que poderam facilitar ou dificultar o exercício desse repertório em qualquer situação social. Tanto os fatores pessoais, quanto as falhas de aprendizagem poderam requerer um atendimento especializado para a reconstituição da competência social (DEL PRETTE; DEL PRETTE, 2001).

O desempenho social pode ser analisado também como seqüência de comportamentos de um individuo, ou poderam ser analisados decompostos em unidades de comportamentos. Como por exemplo, cada unidade poderá ser chamada de componente molecular e a seqüência molar, a habilidades de lidar com criticas pode ser  compreendida como desempenho molar, que se decompõe de unidades moleculares, tais como: prestar atenção, concordar ou discordar, esclarecer, pedir ou dar feedback (DEL PRETTE; DEL PRETTE, 2001)

Segundo Del Prette e Del Prette (1997), os componentes molares são as classes funcionais mais amplas de ações e reações dos indivíduos e os componentes moleculares são definidos como forma do comportamento. Os moleculares são definidos como verbais, não verbais, paralinguisticos e os mistos devem ser coerentes e fortalecedores da mensagem verbal para que estas mensagens alcancem os efeitos pretendidos sobre o interlocutor, um adequado desempenho molecular contribui para uma percepção de maior competência social.

 

2 AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO E ATUAÇÃO DO PROFESSOR

Avaliação do desempenho nos fala de algo que está presente no nosso cotidiano como as causas de nossas alegrias e também tristezas, coloca os indivíduos em situação embaraçosa, mas que também abre amplas perspectivas. Significa falar de como cada um se percebe a si mesma e ao outro, isso requer um exame das possibilidades mais ricas e precisa de como se pode chegar a conhecer o próprio mundo e principalmente o outro (BERGAMINI, 1988).

Desempenho significa ação, atuação e comportamento. Quando se avalia o desempenho no trabalho conclui-se sua adequação ou não, está atribuindo uma qualificação que pode ser assumida, enquanto desempenho eficiente e eficaz, sendo avaliada a adequação e qualidade com que uma pessoa realiza determinada atividade ou tarefa. O desempenho eficiente é aquele que atende em alto grau as manifestações dos traços de personalidade, utilizados adequadamente na realização das atividades. E a eficácia está relacionada ao fato de as pessoas exercerem o que tem há ser feito, apresentando conseqüentemente o resultado esperado (BERGAMINI, 1988).

Considerando a importância das interações educativas em sala de aula, teríamos uma efetiva construção do conhecimento e ressaltando o papel do professor, que seria um participante, condutor e mediador dessas interações, defende-se que competência profissional do professor requer também um repertorio altamente diferenciado de habilidades interpessoais que inclui, entre outros aspectos, a percepção da demandas imediatas do contexto escolar, da flexibilidade para mudanças na atuação e também na cultura, de acordo com essas demandas, bem como habilidades de produzir conflitos sócios cognitivos entre alunos e reagir positivamente às tentativas de solução destes conflitos por parte dos mesmos (DEL PRETTE; DEL PRETTE, 1998).

Lucena (1992), partindo da premissa de que toda avaliação gera conseqüências positivas e negativas e que avaliar é uma prerrogativa humana que orienta os seus atos, afirma que a grande questão será indagada sobre as bases dos julgamentos: Qual a capacidade para julgar? Quais os critérios a adotar? Como definir os objetivos de uma avaliação? Como analisar as variáveis envolvidas? Tais indagações, por sua vez, conduzem à utilização de um processo avaliativo, para encontrar respostas. E como escapar do subjetivismo? Mesmo que busque parâmetros objetivos, observáveis e de possível experimentação, haverá sempre um momento decisivo de formação de juízo.

A interioridade do indivíduo, com seus idealismos ou seus egoísmos, com sua audácia ou os seus medos, com sua consciência ou a sua alienação, com seus valores e crenças ou seus preconceitos e mitos, compõem um conjunto de forças que clarificam ou deturpam a percepção real dos fatos ou situações. Essa superficial especulação sobre o processo avaliativo ilustra a sua complexidade e a dificuldade para se equacionar com coerência e efetividade sua utilização pratica. Uma solução simplória seria abandonar o uso do processo avaliativo, mas seria o mesmo que imobilizar o ser humano. Avaliar e tomar decisões são processos da vida humana (LUCENA, 1992).

Partindo da teoria da avaliação de desempenho, buscamos nos itens selecionados uma definição dos seus objetivos (Quadro 1) que venha nos mostrar uma maior objetividade e direcionamento do que seja uma avaliação.

Os principais conceitos sobre avaliação de desempenho são relatados por Lucena (1992), sendo como forma de ampliação dos conhecimentos e a maneira de justiçar o porquê de cada um dos itens (Quadro 2). 

A atuação do professor em sala de aula tem sido alvo de investigação permanente por parte dos pesquisadores da área educacional. As tendências construtivistas e sócio interacionista têm enfatizado o papel do professor como mediador da relação dos alunos com o objeto de conhecimento. Segundo Coll e Colomina (1996 apud DEL PRETTE; DEL PRETTE, 1998), tradicionalmente deu-se mais importância as relações professor aluno que às relações que se estabelecem entre alunos no decorrer das atividades escolares e as suas repercussões na consecução dos objetivos educacionais. O professor assume o papel de mediador educacional, colocando também os alunos como co-educadores.

A boa interação entre aluno e professor irá proporcionar um maior rendimento escolar, alem da aprendizagem de HS e de comportamentos necessários à vida adulta, como controle de impulsos agressivos, adaptação às normas estabelecidas e a tomada de perspectiva. Davis, Silva e Esposito (1989 apud DEL PRETTE; DEL PRETTE, 1998), afirmam que interações educativas são aquelas que exigem coordenação de conhecimento e ações em torno de objetivos comuns e que sejam pautados pela simetria, ou seja, pela distribuição relativamente equivalente, entre os alunos de oportunidades de participação, no tempo e espaço interativo, para superação de contradições, para a expressão individual e para a troca de experiência. A implementação de interações educativas entre os alunos em sala de aula requer, portanto, além de um razoável controle de classes, um conjunto de habilidades interpessoais do professor para conceber, planejar, participar e coordenar as interações educativas com e entre os alunos.

A construção do conteúdo situa o professor como transmissor e o aluno como receptor, no qual, se exige atenção, silencio e o cumprimento das tarefas, esse tipo de prática é vista na pedagogia, o aluno sendo o participante passivo, deixa uma margem muito limitada na atividade auto-estruturante de elaboração pessoal dos conteúdos.                                                                                                                           

3 OBJETIVOS E JUSTIFICATIVA

Este estudo teve como objetivo geral avaliar o impacto das HS no desempenho do professor universitário de uma faculdade particular do interior  baiano.

O presente estudo tem, como objetivos específicos, o exame das possíveis relações entre o desempenho do docente e suas características sócio-demográficas, tais como Idade, Sexo, Titulação, Tempo na Instituição e Tempo de Docência.

Considerando o exposto, este artigo apresenta uma proposta que se justifica na busca de encontrar as características que venham a representar um melhor desempenho do professor universitário, considerando a possibilidade de treinar tais características, com ganhos para os docentes, os acadêmicos e as instituições, em um primeiro momento.


4 MÉTODO


4.1 Participantes

Participaram deste estudo 15 docentes de educação de nível superior da cidade de Vitória da Conquista - BA, com idade entre 29 e 48 anos, sendo 33% do sexo masculino e 66% do sexo feminino; a coleta de dados foi realizada em uma faculdade privada, nos diversos cursos oferecidos pela instituição. A seleção dos docentes foi feita por oportunidade, tendo sido inclusos todos os que se disponibilizaram após o contato da pesquisadora. Participaram, também, deste estudo, os alunos dos diversos cursos em que os profissionais lecionam, cuja escolha foi aleatória e voluntária, dentro de suas salas de aula.


4.2 Instrumentos

Este estudo utilizou como instrumentos: Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, uma escala de medida de avaliação de desempenho, o Inventário de Habilidades Sociais - IHS, de Del Prette e Del Prette (2001) e também um questionário sócio-ecocnômico.

O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido foi desenvolvido especificamente para este estudo, com ênfase no sigilo dos dados, considerando que os professores seriam avaliados por seus alunos, dentro de sua instituição. Além disso, foi garantido aos professores que os mesmos teriam direito a um feedback de seus resultados individuais. O questionário sócio-econômico incluiu itens como formação, tempo de formação, tempo na instituição, tempo de docência, titulação, idade e outros.

O inventario de habilidades sociais (IHS-DEL PRETTE, DEL PRETTE, 2001), que avalia o repertório de habilidades sociais gerais é composto por fatores: enfrentamento e auto-afirmação com risco, auto-afirmação na expressão de sentimento positivo, conversação e desenvoltura social, auto-exposição ao desconhecido e situações novas e autocontrole da agressividade (BOLSONI-SILVA, 2008)

Os fatores no IHS foram definidos situacionalmente como subgrupos de habilidades sociais. Portanto, um escore de HS não pode ser tomado como medida de personalidade, ou seja, como traço de personalidade, mas pode ser indicado como indicativo do repertório do individuo em uma determinada situação.

O IHS que foi disponibilizado para aplicação, foi elaborado, testado e validado por Del Prette e Del Prette (2001), além de vários outros estudos. Este inventário foi idealizado com base no interesse pelo desempenho social na educação, no trabalho e na clinica. O IHS é um instrumento de auto-relato para conferir o repertório de habilidades sociais, requerido em uma amostra de situações do cotidiano. É de fácil aplicação, permite uma identificação das classes e subclasses de HS que se caracteriza como recurso disponível no repertório do respondente.

Os resultados do IHS permitiram identificar os déficits e os recursos em HS, bem como o planejamento e acompanhamento de estudos e programas de intervenção como remediativos ou educativos e preventivos que requer uma maior avaliação nestas áreas.

A escala de avaliação de desempenho dos docentes foi elaborada por Dias (2007), como instrumento de auto-avaliação institucional, e não uma construção de um instrumento específico para a avaliação de desempenho; seus itens foram construídos a partir de comportamentos positivos e negativos (incidentes críticos) dos professores de faculdades particulares, apontados por alunos. Posteriormente, os comportamentos foram transformados em itens e validados por docentes em três etapas, chegando a um instrumento final com 16 itens, em uma escala de cinco pontos. Como exemplo, os itens avaliam se “O professor cumpre os compromissos firmados no Plano de Ensino”, se “O professor procura atender às dúvidas dos alunos”, se “O professor demonstra sólida base teórica” e se “O professor estabelece avaliações coerentes com o ensino realizado”. As respostas dos dados da avaliação de desempenho dadas em escala de 5 pontos (1 = nunca; 2 = quase nunca; 3 = às vezes; 4 = quase sempre; 5 = sempre).


4.3 Procedimentos de Coleta de Dados

Durante a coleta de dados os participantes foram informados do objetivo da pesquisa, onde cada participante assinou um termo de consentimento livre e esclarecido, que explicitou os compromissos por parte da pesquisadora a respeito do sigilo dos dados e assegurou o direito de desistir de participar da pesquisa em qualquer momento da coleta, sem quaisquer prejuízos.

A coleta de dados foi realizada com os docentes de uma faculdade particular do interior da Bahia, sendo aplicados questionários de entrevista, usando como instrumento de coleta de dados o teste de habilidades sociais o (IHS).

Em seguida, foi aplicada a escala que avalia o desempenho de docentes. Este instrumento foi aplicado nos discentes da faculdade, nas turmas onde os profissionais lecionam e a participação do corpo discente também foi voluntária, o que implicou em muita variância de respondentes em cada turma, conforme a aula, o professor em sala, o curso e a quantidade de alunos por turma.


4.4 Procedimentos de Análise de Dados

Inicialmente, foram analisados manualmente os itens do inventario de habilidades sociais (IHS), onde foram atribuídos escores individuais e para obter dados globais, os dados foram lançados nas planilhas do Excel. Em seguida, esses dados foram transportados para o software SPSS, onde tivemos dados gerais das avaliações, os escores e medias foram calculados e alguns dados foram submetidos ao teste de correlação de Pearson.

O primeiro dado obtido foi a correlação entre os dados da avaliação de desempenho dos docentes, que foram feitas pelos alunos e os escores do IHS. Os dados secundários foram as correlações entre a habilidade social e os dados sócios econômico, como o sexo, a religião o praticante e o não praticante, o tempo de formação, tempo de decência e tempo de trabalho na instituição e titulação. Os dados dessa amostra correspondem com a participação de 15 docentes, o que pode ser um número muito baixo de participantes.

Para o IHS os resultados brutos foram convertidos em escores através da própria regra de correção do teste, que estão descritas no manual de correção. Os escores podem ser classificados em percentis na amostra masculina de indivíduos que responderam o IHS - Del-Prette, sendo um repertorio bastante elaborado de HS aqueles que estão acima de 105 do escore total, os da linha do bom repertorio de HS estão acima da mediana que seria 96 do escore total, e os que estão abaixo da linha da mediana também estão na escala de bom repertorio porem abaixo da mediana que seria entre 93 à 90 o escore total, os que estão abaixo de 88 à 56 de escore total são os indivíduos que estão na linha de indicação para treinamento da HS quando o déficits se tornarem fontes de problemas.

Nos dados normativos para os escores total na amostra feminina os indivíduos que estão acima de 103 do escore total esta na classificação do repertorio bastante elaborado de HS, os que estiverem entre 101 e 93 do escore total  são classificados como bom repertorio de HS, pois estão acima da mediana a mediana seria 92 de escore total os que se encontram abaixo da linha da mediana, ou seja entre 89 à 81 do escore total também são enumerados como indivíduos que estão com um bom repertorio de HS, porem abaixo da linha mediana, os que obteve o escore total entre 80 à 54 estão classificados na margem de indicação para treinamento em HS quando o déficits se tornam fonte de problemas; os resultados foram tratados estatisticamente através do SPSS quanto aos escores total do IHS e as respostas do questionário sócio econômico e a avaliação de desempenho.


5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

A pesquisa é do tipo quantitativa, teremos aqui alguns dados sintetizados do inventário sócio econômico. Tabelas ilustrando alguns dos resultados, que buscamos avaliar para que pudéssemos obter resultados precisos e exatos da nossa amostra.

Na tabela 1 há um percentil de 33% do sexo masculino havendo uma prevalência maior do sexo feminino, com 66% da amostra.  

Na tabela 2, revela-se que há uma predominância do catolicismo, sendo seu percentil de 40%, os espíritas 13%, cristão e outras religiões 20%, enquanto 26% não responderam. Com a amostra reduzida de professores, esta diluição dos dados dificultou o uso desta característica para a análise comparativa. Na tabela 3, quanto à prática da religião, percebe-se que 33% são praticantes, enquanto 66% não praticam sua religião.          

Na tabela 4, quanto à titulação, o maior percentual ficou entre os especialistas com 60%, os mestres com 33% e apenas 7% com doutorado, um desequilíbrio que afeta negativamente a variância da amostra.

A tabela 5 apresenta as estatísticas descritivas dos dados gerais dos professores, apresentando a média de 4,6 (DP= 0,17) para avaliação de desempenho, revelando que os alunos estão bastante satisfeitos com o desempenho deste grupo de docentes, como indica o pequeno desvio-padrão; por outro lado, como os professores estão em diferentes cursos, com diferentes habilidades sociais, diferentes níveis de formação e outras características, o elevado nível de desempenho pode revelar um erro do instrumento ou dos avaliadores.

As habilidades sociais tiveram uma média de 79,3 (DP= 21,0), o que indica que o grupo difere em suas habilidades e que, de forma geral, as habilidades sociais estão elevadas.

A idade 35,4 anos (DP= 7,1) indica um grupo de professores jovens, como demonstram, também, o tempo médio de docência, com 5,9 anos (DP= 5,0) e o pequeno tempo na instituição de ensino, com 3,2 anos em média (DP= 1,7). Por outro lado, o tempo de formação (média de 10,5 anos; DP= 6,3) indica alguma experiência no grupo, com relação a prática profissional.

Apesar do reduzido número de participantes, buscou-se dividir a amostra por grupos em busca de indícios de diferenças de resultados. As médias do desempenho do sexo masculino em relação ao feminino são praticamente idênticas, o que não indica diferenças significativas; por outro lado, parece haver uma diferença nas habilidades sociais de professores e professoras nesta amostra, com vantagem para o sexo feminino.

Analisar os dados de prática religiosa não significa dizer que a prática da religião ira influenciar diretamente nas habilidades sociais dos docentes, analise feita a partir dos resultados da amostra, quando nos diz na tabela 7 que os praticantes na avaliação de desempenho tem uma media de 4,7 (DP= 0,23), nas habilidades sociais gerais uma média de 84,9 ( DP= 13,4), por outro lado os não praticantes nas habilidades sociais tem uma média de 76,7 ( DP= 24,1) indica um índice alto em relação aos praticantes, o que suponhamos dizer que parece ter diferença nas HS.

Analisar os dados por titulação a amostra vem nos dizer que na categoria dos mestres tivemos a média 71,4 (DP= 28,4) considerado um desvio padrão alto  em relação aos especialistas que são maioria dos participantes categorizados, porem tiveram, um desvio padrão menor, sendo (DP= 16,6) o que ocorre na amostra é lógico, pois quanto maior a titulação dos profissionais maior seria sua habilidade, mas não quer dizer que não existe um domínio sobre as habilidades, mas podemos dizer que parece ter diferença nas HS.

Na tabela 9 estão as correlações entre as diferentes variáveis em análise; de um modo geral, as correlações não foram significativas para as HS e para o desempenho, pois para se obter significância seria necessário p< 0,05. As correlações onde houve significância foram a idade X o tempo de formado; a idade X tempo de docência; e a idade X o tempo na IES, o que era esperado, quanto mais tempo de formado o profissional tiver mais experiência ele vai ter e respectivamente o tempo de docência e o tempo de trabalho na instituição. Houve significância entre o tempo de formado X o tempo de docência; o tempo de formado X tempo na IES; o tempo de docência X o tempo na IES. Todos os itens que estiverem com assinalados com (**) são os itens que obteve relevância, que foram significativos.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O foco nas habilidades sociais dos professores requer um estudo aprofundado, com maior controle de variáveis. Diante dos dados relatados, parece que os comportamentos socialmente habilidosos não significam, necessariamente, um peso no desempenho profissional dos professores universitários.

O estudo teve algumas limitações valeu-se apenas como relato nas medidas de comparação entre o desempenho e as habilidades sociais. Provavelmente, número de participantes da pesquisa foi insuficiente para se ter um resultado mais consistente, principalmente em função das dificuldades de tempo para se coletar os dados com os professores, que também se mostraram resistentes à participação. Varias análises estatísticas não tiveram significância no Teste de Correlações de Pearson, o que pode ser explicado devido ao pequeno número de participantes; este número também não permitiu que os dados fossem tratados através de outros testes estatísticos.

O que se sugere é que futuros estudos tenham mais participantes, a fim de que a analise estatística mais avançada possa se realizar, para alcançarmos o objetivo de avaliar o impacto das habilidades sociais gerais, ou seja, o comportamento caracterizado como assertivo, não assertivo e ou agressivo no desempenho profissional do professor universitário. Além disso, pode-se investigar as habilidades sociais específicas ou repertório geral das habilidades sociais, que é composto por fatores de enfrentamento e auto-afirmação com risco, auto-afirmação na expressão de sentimento positivo, conversação e desenvoltura social, auto-exposição a desconhecidos e situações novas e autocontrole da agressividade.


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