MT deve continuar batendo recordes, mas sem resolver infraestrutura, juros e meio ambiente

Por Agro olhar 13/03/2018 - 08:48 hs

Foto: Assessoria

Os representantes do agronegócio não ouviram aquilo que esperavam, durante o Seminário Gazeta Agro, nesta segunda-feira (12), no Cenárium Rural, em Cuiabá. Ao menos no evento, eles não ouviram que o agronegócio não será taxado pelo governo de Mato Grosso, nem que os problemas de infraestrutura e meio ambiente serão tratados como prioridade, tampouco os juros serão reduzidos.
 
A resposta prática é de que o agronegócio tende a vencer as dificuldades generalizadas, num contexto da economia onde o campo é o único que se salva. Os ministros Henrique Meirelles, da Fazenda; Blairo Maggi (PP), da Agricultura e Pecuária; e Sarney Fillho, do Meio Ambiente, não frustraram nem empolgáramos presentes.
 
O governador José Pedro Taques (PSDB) não confirmou nem negou que haverá taxação do agronegócio, no Fundo de Estabilização Fiscal (FEF). “Temos conversado e avançado. É um momento em que cada um contribui com Mato Grosso de uma forma”, ponderou Taques, ao lado de ministros e produtores rurais.
 
Anfitrião do evento, o presidente do Grupo Gazeta de Comunicação, João Dorileo Leal, observou que o debate é essencial para melhorar projetos, investimentos e até costumes. Ele agradeceu a todos que compareceram e trouxe como trunfo, para mediação dos debates, o jornalista e radialista Heródoto Barbeiro, da Rede Record (SP), que assegurou um ar de evento nacional para o Gazeta Agro 2018.
 
Fizeram discursos ao melhor estilo “cerca Lourenço”, como o esperado. E o agronegócio continuará a ‘se virar’, com injeção pesada de tecnologia em todas as etapas do processo produtivo e câmbio favorável, como há décadas, principalmente em Mato Grosso, vem conseguindo driblar os gargalos de infraestrutura e cravar sua competitividade no cenário internacional.
 
Neste ano, apesar das intempéries do tempo, a produção de soja, carro-chefe do agricultura brasileira, deve ultrapassar a barreira das 113 milhões de toneladas. Novo recorde. “Se o cenário para a economia brasileira como um todo ainda é um tanto nebuloso para o próximo ano, por causa das eleições deste ano, não se pode dizer o mesmo sobre o agronegócio. A perspectiva é de crescimento da safra e consolidação da confiança”, projetou Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).   
 
Muitos produtores imaginavam que Henrique Meirelles, agora pré-candidato à Presidência da República, aproveitaria o evento para anunciar a redução dos juros. Ledo engano. “A taxa de juros vem caindo... a Selic é a mais baixa da história do Brasil, em 6,75%. E existe a possibilidade do Banco Central fazer mais cortes”, projetou Meirelles.
 
O ministro da Fazenda observou que não é hora de arrisca, porque a inflação vem caindo e as vagas em postos emprego formal ressurgindo. “A inflação está caindo; e, sim, juros têm condições de cair, pois o governo vem contendo despesas, para que se produza mais. E estamos criando emprego... neste ano, mais 2,5 milhões de novos empregos; em 2017, foram mais de 1,5 milhão de empregos criados”, citou Meirelles.
 
Henrique Meirelles enalteceu a força do agronegócio, mas alertou que o momento é de tomar medidas com equilíbrio. “Temos mais emprego e renda, com menos inflação. Melhor condição de vida para o trabalhador. Isso que nos interessa e trabalhamos dia e noite. Está começando a acontecer. Aos poucos”, provocou ele.
 
Blairo Maggi argumentou que “o agronegócio é uma ilha de prosperidade” e que trabalha  muito para “matar a forme” do mundo. Maggi enalteceu a contribuição da agropecuária para o saldo positivo na balança comercial brasileira, em 2017.
 
Prolixo, o ministro Sarney Filho abordou a liderança exercida por Mato Grosso para a consolidação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), mas não abordou temas cruciais, como as mudanças no Código Florestal, votadas no Supremo Tribunal Federal (STF). Sarney enfatizou a necessidade de cuidar das nascentes e lembrou que o La Niña neste ano pode passar a falsa impressão de que as chuvas aumentaram, apesar do reconhecido aumento, no processo de aquecimento global.