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Diz a sabedoria popular que a dor ensina a gemer.

Por ONOFRE RIBEIRO 11/10/2016 - 16:33 hs

Cada eleição produz a sua própria história e deixa as lições que o tempo vai se encarregar de explicar. As eleições municipais de 2016 são riquíssimas. Embora passadas na maioria dos municípios, sua complexidade é imensa.

Antes, porém, é preciso resgatar qual o ambiente na cabeça do eleitor brasileiro. Não dá pra generalizar, mas dá pra dizer que a média foi de descontentamento. A crise econômica de 2013 pra cá, soma com as revelações da Operação Lava-Jato e as poderosas denúncias dos esquemas de corrupção na política. Quem tinha algum status social e econômico herdado de anos anteriores, perdeu tudo!

O eleitor percebeu que em vez de uma eleição, estava votando pra armar uma bomba contra a qual não tem defesa. Ainda mais no município, que é onde mora. Faltou às urnas, anulou o voto ou votou em branco em larga proporção. Foi alta a gritaria das urnas de 2016. O leitor deve estar se perguntando: que tipo de eleitor é esse? A resposta é simples. É o cidadão descrente. Ao seu redor o país vira pó.

Diz a sabedoria popular que a dor ensina a gemer. Brasileiros estão aprendendo a gemer. Pior. A compreender que não podem mais passar procuração em branco aos eleitos por ele. Aqui entra o espírito deste artigo.

O eleitor que sai da urna é o cidadão sofrido e descrente. Novas mídias de fácil acesso como as redes sociais através dos smartfones e da internet, dão-lhe anonimato e voz. Sonho coletivo de ter voz na soma de todos e na individualidade de quem se vê sozinho no horizonte.

A conclusão que os sociólogos e os historiadores certamente tirarão de 2016 é que os eleitores estão com forte desejo de fiscalizar. Contribuíram muito todos os candidatos que não foram capazes de formular projetos de gestão. Entrarão nos mandados a partir de 1º. de janeiro de 2017, no escuro. Mas terão à sua frente populações descrentes e com forte desejo de fiscalizar. Os melhores canais para isso serão as mídias sociais. Sem dono, sem pré-requisitos, democráticas, serão armas contras gestões mal estruturadas.

É o preço que os políticos pagarão à sociedade da nova era tecnológica. Revolução!

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso