Fecham igrejas e cadeias

Fecham igrejas e cadeias

Há um afastamento, sem radicalismos, do povo holandês das religiões e dos templos religiosos

Por ALFREDO MENEZES 15/03/2018 - 14:19 hs

Tem coisas acontecendo em lugares diferentes do mundo que deixam a gente encabulado. Tomemos o caso da Holanda.

Estão sendo fechadas quantidades enormes de Igrejas Católicas e Evangélicas naquele país. Entre 2015 e 2025 devem fechar mais de 65% dessas igrejas. Serão de 600 a 700 igrejas de cada religião fechadas. Muitas outras já foram fechadas antes de 2015.

Há um afastamento, sem radicalismos, do povo do país das religiões e dos templos religiosos. Igrejas estão sendo transformadas em bibliotecas, lojas de departamentos, cinemas ou simplesmente abandonadas.

Ao mesmo tempo, a Holanda fecha cada dia mais prisões e penitenciárias. De 2013 a 2016 fecharam 24 delas. Muitas foram fechadas antes disso. Os lugares viram pousadas, hotéis ou restaurantes.

A quantidade de preso caiu para algo como dez mil. Lá se tem um preso para cada 100 mil habitantes, no Brasil, como paralelo, seriam 300 por cada 100 mil. O Brasil tem mais de 600 mil presos, quarta população carcerária do mundo.

Sempre se ouve falar, aqui e no exterior, que as Igrejas ajudam a combater os crimes. Mas, interessantemente, tem um país que se afasta de religiões e diminui de forma acentuada a criminalidade e a violência. Fecham, ao mesmo tempo, igrejas e cadeias.

O mais comum é ler, como explicação sobre esse fenômeno, que seria o grau educacional e das conquistas materiais de um povo. Sei não. Nos EUA, que também tem boa educação e renda, estão construindo mais cadeias. Nos EUA tem mais de 2.3 milhões de prisioneiros. E não fecham templos como na Holanda (Suécia e Inglaterra também fecham). Se não for educação, ganhos materiais, IDH, onde estariam os reais motivos para o caso holandês?

Quer mais coisas da Holanda? O indivíduo alcoólatra, aquele que não tem mais jeito de recuperação, está sendo contratado como lixeiro para trabalhar entre 9 da manhã e três da tarde, com almoço pelo meio.

Pagam um salário e sua dose diária de bebida. É isso mesmo, o cara recebe ao chegar para trabalhar uma cerveja de graça. E durante seu serviço vai recebendo outras, pagas pelo próprio governo ou entidades assistenciais.

O viciado em heroína, aquele que, como no caso anterior, não tem mais volta, também começa ali a ter um tratamento diferenciado. Tem entidades que lhes dão assistência e até mesmo pequenas doses diárias.

Mostram que medidas como essas acabam diminuindo problemas de violências. Ninguém vai sair roubando ou matando para ter sua bebida ou droga. Não sei se medidas como essas poderiam ser aplicadas no Brasil. Tem um povo em outro lugar que assim age.

Os holandeses dominaram um pedaço do Nordeste do Brasil, ali por Pernambuco. Nativos e portugueses se juntam e eles são expulsos. Motivo de saudações na história. Talvez fosse interessante que eles ficassem. Se ficassem quem sabe teriam influenciado de forma diferente toda uma região mais do que fizeram os portugueses. Calma, é pilheria com um fato histórico.

ALFREDO DA MOTA MENEZES é analista político