O próximo governador

O próximo governador

Por ONOFRE RIBEIRO 30/07/2018 - 16:01 hs
  • Nesta quinta e sexta-feira estive em Rondonópolis ministrando uma palestra no aniversário de 42 anos da Câmara de Dirigentes Lojistas.
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  • Há dois anos não ia à cidade. Confesso a minha surpresa. Rondonópolis está numa fase de crescimento acelerado. Aquele crescimento sem volta.
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  • O secretário de Planejamento do município, Milton Mutum, me levou pra conhecer o terminal ferroviário da antiga Ferronorte que saiu de São Paulo e está parada em Rondonópolis. Hoje a concessionária da ferrovia chama-se Rumos.

  • Principalmente em Cuiabá, a capital do Estado e a sede dos poderes políticos, quando se fala em terminal ferroviário, a ideia não vai muito além de uma estação onde passa o trem.
     
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  • Por isso mesmo, não tem maior importância nem política, nem econômica e muito menos estratégica. Mas a realidade lá é desafiadora e assustadoramente grande. É o maior terminal ferroviário de movimentação de cargas de fertilizantes e de grãos do país. A quantidade de enormes carretas circulando dentro e no entorno assusta a qualquer um.
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  • De novo penso que em Cuiabá isso não signifique nada, até porque o mundo urbano é preconceituoso contra aquilo que não lhe é familiar. Um sinaleiro defeituoso na avenida causa muito rumor e protestos. Mas uma ferrovia imensa não chega sequer a merecer notícia.
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  • Tudo isso é pra dizer que semelhante a Rondonópolis tem uma revolução acontecendo num monte de cidades do interior. Além desse novo mundo não ser conhecido e nem reconhecido na capital política do Estado, ele também não chega ao conhecimento dos governantes, dos técnicos de governo. Me apavora que os candidatos a governador nas eleições de daqui a dois meses, também desconhecem o que tudo isso significa.
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  • Se o governo e os candidatos não conhecem, ignoram a necessidade de planejar esse mundo novo de transformações que está atropelando Mato Grosso. Ele vem na onda de mudanças mundiais de economia, geopolítica e do desenvolvimento populacional do mundo.
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  •  A tecnoburocracia sediada em Cuiabá não sobrevive um dia fora do ambiente de ar condicionado dos gabinetes. Também não compreenderia uma dinâmica revolucionária de vida fora dos ambientes políticos.
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  •  Encerro este primeiro artigo. Vou escrever sobre o terminal em si mesmo. Uma loucura. Mas desafio os candidatos a governador a enxergarem o mundo que está aí, independente deles. Exceto pelo que eles poderão atrapalhá-lo  se eleitos desconhecendo que ele é o mundo real.
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  • ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso