Ele não!

Por Vanney Neves 06/10/2018 - 10:43 hs

Com as mãos sujas de sangue,

Ele acena com saudações fascistas,

Em continência aos seus generais

Já sepultados no passado

 

É o berro da boca truculenta,

Com hálito de gás lacrimogêneo,

Propagando o ódio e a intolerância

 

Franco-atirador da elite,

Mirando a testa de quem come pão com mortadela,

Em nome da “sagrada propriedade”

 

Capanga no congresso nacional,

A serviço dos que arrotam soja, milho e algodão,

E faz dos galpões de fazendas uma nova senzala,

Casa Grande de um governo a eles gentil

 

O massacre de camponeses,

A chacina da fauna e da flora,

Do índio e do quilombola,

Para a colheita de grandes plantações

E a pastagem de boi gordo

 

O algoz da bancada da bala

Alvoroça feito abutre faminto por execuções sumárias

 

Voraz pelas paragens do país,

Onde ecoa a negação do seu nome,

A tempestade lilás que rugi no ouvido do opressor,

Num sonoro arco-íris de gente a repetir: Ele não!

 

Vanney Neves é poeta e professor.