Mendes: ''Se tiver greve, piora ainda mais as finanças do Estado''

Governador eleito pede que atual Executivo avalie se tem condições de pagar RGA sem prejudicar caixa

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Mendes: ''Se tiver greve, piora ainda mais as finanças do Estado''
O governador eleito Mauro Mendes: greve de servidores

O governador eleito Mauro Mendes (DEM) disse que a possibilidade de os servidores públicos entrarem em greve, por conta de um eventual não-pagamento da Revisão Geral Anual (RGA) de 2018, poderá agravar ainda mais a situação do Estado.


A declaração foi feita durante encontro das equipes de transição de Mendes e do governador Pedro Taques (PSDB), no Palácio Paiaguás, na tarde desta terça-feira (06).


“Se tiver greve, piora ainda mais a situação do Estado. Pode comprometer mais ainda as finanças de Mato Grosso, agravando aquilo que já é crítico. A situação do Estado é absolutamente crítica. O que arrecada no mês não paga as contas do mês. O Estado deve para Deus e o mundo e não pode aumentar mais ainda neste momento”, disse.


Para o democrata, o Executivo deve repassar os valores somente se tiver dinheiro em caixa. Ele disse que, hoje, o Estado não consegue arrecadar aquilo que gasta no mês.


Os servidores pedem o pagamento de 4,19% da RGA deste ano, inicialmente pactuado em duas parcelas: 2% em outubro e 2,19% em dezembro.


“A RGA deve ser paga desde que o Estado tenha condições para isso. E os próprios servidores têm que saber se tem ou não condição. Se não está conseguindo arrecadar no mês aquilo que paga no mês, como vai aumentar mais a despesa no mês?”, questionou.


“Eu não tive ainda todas as informações necessárias, mas, preliminarmente, o que temos mostra claramente que o Estado hoje tem enormes dificuldades financeiras. Que não tem condição de fazer nenhum tipo de aumento de despesa, porque não vai honrar com esses compromissos”, afirmou.

 

Divergências

 

Oficialmente, o secretário de Fazenda Rogério Gallo disse ver dificuldades no pagamento da reposição. Entretanto, a Casa Civil chegou a ventilar que faria o pagamento - e que estaria esperando um posicionamento do Tribunal de Contas do Estado, já que o Executivo já teria ultrapassado o limite de gastos com folha estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

 

Mendes pediu que às Pastas mostrem os números para saber o que será possível pagar.


“Se tem um secretário de Fazenda que fala que não tem dinheiro para pagar... É ele que lida no dia a dia com a arrecadação e com as despesas do Estado. Portanto, coloque números na mesa. Se o secretário-chefe da Casa Civil conseguir colocar números comprovando que Estado está bem e tem condição de pagar, tem que prevalecer a posição dele”, disse.

 

“O que vale é a verdade, não pode ter 'mentiraiada', enrolação e enganação. Ninguém mais aceita isso. Espero que Governo não faça isso, senão vai piorar a situação deles e de Mato Grosso”, afirmou.

 

Ele disse, por fim, estar preparado para receber, eventualmente, o Estado com a paralisação dos servidores.

 

“Tenho certeza que não é isso que é bom para Mato Grosso. Tenho certeza que não é isso que a população entende, mas eu não sou um homem que tenho dificuldade em lidar com pressão. Eu gosto do diálogo, da boa conversa, do bom argumento. E não é bom para ninguém um ambiente hostil, como se tentou estabelecer em alguns momentos. Vamos dialogar sempre”, completou.