Pivetta vê erro de Bolsonaro e afirma que MT depende da China

Uma guerra comercial entre os dois países poderá atingir Mato Grosso duramente

Por Thaiza Assunção/Mídia News 08/11/2018 - 17:28 hs

Foto: Alair Ribeiro/MidiaNews
Pivetta vê erro de Bolsonaro e afirma que MT depende da China
O vice-governador eleito de Mato Grosso, Otaviano Pivetta

O vice-governador eleito de Mato Grosso Otaviano Pivetta (PDT) afirmou nesta semana que o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) erra ao adotar uma postura de confronto com a China, principal parceiro comercial do Brasil e de Mato Grosso.

 

Uma guerra comercial entre os dois países poderá atingir Mato Grosso duramente. Somente nos primeiros nove meses do ano, Pequim comprou US$ 5 bilhões em produtos do Estado, o que equivale a cerca de 30% de nossas exportações.

 

“Os políticos têm essa habilidade de falar. E muitas vezes perdem a oportunidade de ficar calados. Mas pelo visto, ele [Bolsonaro] está revendo essa posição. É claro que nós não podemos entrar em conflito com a China. É quem leva daqui toda nossa riqueza, toda nossa produção. E paga por ela. Se Mato Grosso tem essa razoável expectativa de crescimento, é por causa da China”, afirmou Pivetta em entrevista ao Jornal do Meio Dia, da TV Record.

 

Durante e até depois da campanha, Bolsonaro disse em diversas ocasiões que a China é como um "predador" que busca dominar importantes setores da economia brasileira, o que acendeu um sinal de alerta no gigante asiático em relação a novos investimentos no País.

Na semana passada, o jornal China Daily, que é porta-voz do governo local, publicou um editorial com ameaças de retaliação ao Brasil. O texto não deixa dúvidas sobre a irritação que Bolsonaro criou em Pequim.

 

Nesta semana, porém, após se encontrar com o embaixador chinês no Brasil, Li Jinzhang, Bolsonaro amenizou o discurso.

 

Pivetta afirmou ser favorável à manutenção e expansão dos negócios com os chineses.

 

“A China é a maior cliente do Brasil. E Mato Grosso é o maior produtor de soja do Brasil. Imagino que se canalizar toda a soja de Mato Grosso para a China, mesmo assim não conseguiremos cumprir os contratos que o Brasil tem com eles. Mas a China tem demonstrado interesse [no Estado]. Eles estão entrando em Mato Grosso e estão comprando empresas, trazendo recursos. Eu sou favorável à manutenção e expansão dos negócios com os chineses, inclusive investir em infraestrutura, que é o caso da Fico (Ferrovia de Integração do Centro Oeste), saindo pelo Oceano Pacífico”, declarou.