José Elias derruba padrão de energia para impedir Feira da Lua

Segundo associação de feirantes, Feira da Lua vai funcionar neste sábado (12), com ajuda dos moradores locais

Por Kayc Alves/Da Redação 11/01/2019 - 18:32 hs

Foto: Reprodução

A guerra entre a prefeitura de Aragarças e feirantes que defendem a permanência da Feira da Lua teve um novo episódio, na manhã desta sexta-feira (11). O padrão de energia, que alimenta todos os sábados o comércio na antiga rua 3 foi derrubado, a mando do prefeito José Elias (Pros). O motivo seria fazer pressão para que os vendedores se mudem para a Feira Pedro Elias, recém inaugurada na avenida Getulio Vargas, no setor Administrativo. 


A ação desobedece uma ordem da Justiça de Aragarças, que proíbe atos de impedimento às atividades dos feirantes da Feira da Lua. Para gestor, o local não oferece estruturas mínimas para funcionamento e ainda atrapalha duas igrejas.


Essa é a terceira tentativa de impedir o funcionamento da Feira da Lua, que há 18 anos funciona na antiga rua 3, hoje rua Luiz Rodrigues Magalhães. Nas duas primeiras, ocorridas nos dias 21 e 28 de dezembro de 2018, houve, respectivamente, a retirada de um dos relógios medidores de energia e o desligamento do fornecimento. Feirantes e vereadores registraram a ocorrência junto a Polícia Militar.


A retirado do padrão de energia, nesta sexta-feira, impediria o funcionamento da feira, não fosse a comoção dos moradores locais, que farão o fornecimento aos feirantes. Segundo o presidente da Associação dos Feirantes da Feira da Lua de Aragarças, João Marques dos Passos, o prefeito José Elias vem pressionando os vendedores para que eles se instalem na avenida Getulio Vargas.


“Acho que ele se sentiu ainda mais ofendido depois que limpamos a feira, podamos a grama do canteiro central e repintamos os pontos, que estavam apagando. Fizemos o trabalho que a prefeitura não faz”, conta. A manutenção foi feita na quinta.


João Marques conta que a prefeitura não ouviu os feirantes para propor um novo local e, com a resistência da maioria em fazer a mudança, uma guerra se iniciou. Além dos cortes no fornecimento de energia, o município deixou de recolher o lixo da feira, assim como parou de carregar os resíduos dos moradores da rua Luiz Rodrigues. O contêiner alugado pelos próprios vendedores tem servido para armazenar o lixo produzido tanto pela feira quanto pela vizinhança.


Para o presidente da associação, a mudança fere a legislação municipal e prejudica o comércio e a vida das 160 famílias de feirantes, tradicionalmente instalados naquele local. “Nós temos muita clientela que vem a pé de Barra do Garças e do Pontal do Araguaia. A feira ficou no centro da região mais populosa de Aragarças e isso também favorece as vendas”, explica.


A Temporada de Praia, segundo ele, causa um pico nas vendas, em julho, devido ao movimento de turistas e à localização privilegiada da feira, próxima à praia Quarto Crescente. “Se trocarem o local, perdemos os clientes que vêm a pé, de Barra e do Pontal, perdemos os turistas e ainda os viajantes, que passam pela BR-070.”


Para o prefeito José Elias, o local da Feira da Lua não tem estrutura mínima para o conforto dos feirantes e dos clientes. “Atrapalha duas igrejas da região (a Católica e a Batista) e o salão paroquial, não tem espaço para crescer, não tem instalações sanitárias e nem instalações hidráulicas”, afirma.


Ele defende que a feira deve ser na avenida Getulio Vargas e contesta o poder de decisão da associação. “O prefeito é quem determina o local da feira”, afirma. “Nós pegamos o espaço em frente à prefeitura que é um espaço grande, tem palco, tem sanitários, tem toda a estrutura.” 


José Elias ainda questionou a decisão da Justiça, a qual acredita que não tem fundamento. Ele tentou recorrer no Tribunal de Justiça de Goiás, mas teve o recurso indeferido.


Para a vereadora Regina Célia, o que houve foi uma imposição, sem diálogo, por parte do prefeito. “Sem conversar direito, sem dar prazo para eles avisar a clientela. Os moradores não querem que a feira saia, os feirantes não querem sair.” Segundo a parlamentar, um grupo de vereadores foi de casa em casa, na rua Luiz Rodrigues, para ouvir os moradores, que, a exceção de poucos, não desejam que a feira saia do local.