Papa responde carta enviada por jovem de Barra do Garças

Na carta de nove páginas, Vitor falou ao Papa sobre a realidade da juventude

Por Kayc Alves/Da Redação 08/02/2019 - 18:29 hs

Foto: Reprodução

O estudante Vitor Farias, 25 anos, ficou surpreso ao receber, na manhã desta sexta-feira (8), uma carta do Papa Francisco. Morador de Barra do Garças, ele havia enviado ao Santo Padre nove páginas, onde discorre sobre a realidade da juventude, a partir de experiências que teve, envolvido em movimentos jovens da Igreja Católica. Na carta, o Papa concede a Benção Apostólica a toda a região.


A resposta é recebida seis meses após Blaynny Vitor Damassena, que prefere ser chamado de Vitor Farias, enviar a carta ao Vaticano. Ao Semana7, ele contou que postou a mensagem em agosto de 2018. O estudante de Jornalismo estava disposto a fazer a carta chegar ao seu remetente e, sem esperanças de que o Papa a lesse entre as milhares de correspondências recebidas, pediu ajuda ao cardeal Dom Orani, do Rio de Janeiro.


Sabendo da relevância da mensagem, o cardeal interferiu no envio para garantir sua chegada. “Eu já tinha postado a carta. Se não chegasse de um jeito, chegaria de outro”, conta Vitor, que acaba de chegar da Jornada Mundial da Juventude, ocorrida no Panamá, entre os dias 22 e 27 de janeiro.


A assinada pelo assessor monsenhor Paolo Borgia, a resposta afirma que o Papa recebeu, leu e agradece a correspondência. Ao desejar votos ao jovem, Francisco concede a ele e “a quantos lhe são queridos”, a Benção Apostólica, uma declaração que apenas o Santo Padre pode invocar. Além da resposta, o Vaticano também enviou a carta oficial do último Sínodo Ordinário dos Bispos, ocorrido no ano passado.


Segundo o estudante, o relato sobre as questões da juventude foi elaborado ao longo de três anos, período em que era coordenador da Juventude Diocesana de Barra do Garças. O setor é responsável pelo movimento de jovens católicos na Igreja e atua nas 13 cidades que compõem a diocese.


“Vi a necessidade de falar ao Papa, enquanto jovem, o que a juventude tem vivido, os vícios, a depressão, a forma como alguns lidam com o próprio ser humano, ao trata-lo como descartável. Vejo jovens muito carentes”, relata. O objetivo era enviar antes do XV Sínodo Ordinário dos Bispos, que teve como tema a juventude.


Ele conta que durante o período como coordenador da Juventude, visitou paróquias em toda a diocese e pode ouvir as dificuldades de cada município. “Fui em lugar que nem padre tinha, mas a vontade dos jovens fazia com que eles se reunissem para celebrar. Não tinham muitos conhecimentos sobre os ritos e as designações católicas, mas quem vai dizer que isso não é fé?”


Vitor também retrata ao Papa as expectativas que percebeu sobre a juventude. Ele alerta que na própria comunidade religiosa via muita gente com dúvidas quanto a importância e o protagonismo dos jovens. “Eu me perguntava: será que nós só servimos para carregar cadeira nos encontros”, revela. “Defendi muito na carta que nós não somos o futuro, nós somos o presente.”


Para o estudante, a resposta é um presente não só para ele, mas para toda a diocese, que, através da sua carta, pode ser observada pelo Papa Francisco. “Meu objetivo era que o Papa nos visse. Notasse que existem pessoas nos vários lugares, que passam por dificuldades parecidas.”


A juventude tem ganhado espaço na Igreja Católica e foi tema do XV Sínodo Ordinário dos Bispos, em outubro, em Roma. O evento é convocado pelo Papa e busca discutir um tema proposto pela autoridade máxima da Igreja. No fim, um documento oficial é emitido.


Veja a carta