Descartada infecção de jovem de MT por bomba do tereré; Médicos confirmam herpes

Adolescente de 14 anos ficou internada por 16 dias no Pronto-Socorro de Cuiabá após contrair grave infecção supostamente por compartilhar tereré

Por Marcio Camilo/Repórter MT 11/02/2019 - 10:23 hs

Foto: Reprodução
Descartada infecção de jovem de MT por bomba do tereré; Médicos confirmam herpes
Maria Eduarda foi transferida do interior do Estado de UTI aérea para o Pronto-Socorro de Cuiabá

A adolescente Maria Eduarda, de 14 anos, moradora de Pontal do Araguaia (512 km de Capital), recebeu alta médica depois de ficar internada durante 16 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Pronto-Socorro de Cuiabá.

A princípio, ela foi internada sob a suspeita de ter contraído uma grave bactéria na boca por meio da bomba de tereré. Mas a mãe da menina, Maria Auxiliadora, disse que os exames conclusivos apontaram para uma infeção do Vírus Epstein-Barr, que pertence à família da herpes.

Segundo Maria, a doença começou a se manifestar há quatro meses, quando adolescente teve febres e ferimentos na boca. No hospital, o médico de plantão disse que se tratava apenas de uma virose.

A doença se manifestou de vez em dezembro passado, quando a boca da menina ficou inchada e cheia de feridas parecidas com aftas. “Mas era muita ferida. Uma coisa assustadora. Não dá nem pra descrever”, contou a mãe.

Inicialmente ela foi internada em um hospital de Barra do Garças, mas a infecção se agravou e Maria Eduarda teve que ser encaminhada de UTI aérea para o Pronto-Socorro de Cuiabá, no dia 16 de janeiro.

No hospital, a adolescente ainda sofreu com a paralisação dos rins e o fígado inchado, mas aos poucos os médicos conseguiram controlar a infecção.

Apesar da alta médica, Maria Auxiliadora destaca que a filha passará por uma dieta rigorosa nos próximos seis meses. Ela está proibida de beber principalmente refrigerantes e alimentos gordurosos.

Adolescente também continua tomando remédios para eliminar de vez a infecção, melhorar da anemia e diminuir a inflamação que, apesar de controlada, ainda persiste no fígado.

Auxiliadora ressaltou também que os médicos disseram que Maria Eduarda “nasceu de novo”, pois o Vírus Epstein-Barr é extremamente perigoso, atacando a pessoa de dentro para fora e provocando a paralisia de órgãos. No caso da adolescente, ela teve os rins e o fígados afetados.

“O vírus já estava atacando a vesícula dela, que estava secando e ficando murcha. Mas os médicos conseguiram reverter o quadro de infecção a tempo”, ressaltou a mãe.

Quando a filha ficou doente a cidade inteira se mobilizou e foi feito até um leilão na Feira Coberta de Pontal do Araguaia, evento tradicional na região. O dinheiro arrecado na festa ajudou para custear parte do tratamento da menina.

"Eu agradeço muitos aos médicos que trataram da minha filha. Mas para mim também foi um milagre. Foi Nossa Senhora que curou ela”, disse Auxiliadora que é devota da santa. 

Entenda

Eduarda começou a se queixar de feridas na boca, dificuldades para comer e ingerir líquidos no dia 2 de dezembro passado.

Depois disso, as feridas só foram aumentando e a boca ficou muito inchada, a adolescente mal conseguia tomar água.

Em 4 de janeiro, quase um mês depois dos primeiros sintomas, Eduarda foi internada no Hospital de Barra do Garças, depois de 12 dias precisou ser transferida para Cuiabá por ter melhores condições de tratamento.

A tia da adolescente, Glaubia Silvia, revelou que a menina passou por sete médicos que não souberam diagnosticar de que forma a bactéria foi contraída. Foi apenas no oitavo profissional que surgiu a suspeita de que Eduarda tinha sido infectada por meio da bomba que é usada para tomar tereré.

Cultura do tereré 

Comum em Mato Grosso, o tereré é preparado a partir da infusão da erva-mate com água gelada. A bebida também pode ser preparada com outros ingredientes como chás e suco de limão. Parecido com o chimarrão, do Rio Grande do Sul, é compartilhado em cuias com bomba ou canudo. 

Perigo 

Apesar de ser pouco divulgado, os médicos alertam sobre a possibilidade de contágios de doenças como herpes e mononucleose infecciosa que podem ser transmitidas pela bomba compartilhada, por isso, a orientação é que cada um tenha a sua. 

Mononucleose também é conhecida como a doença do beijo, uma infecção causada pelo vírus Epstein-Barr transmitido através da saliva, que provoca sintomas como febre alta, dor e inflamação da garganta, placas esbranquiçadas na garganta e ínguas no pescoço.