Devolução de hospital de Barra do Garças ao Estado pode gerar caos na saúde do Araguaia

Há 10 meses sem receber repasses do governo do Estado, prefeitura afirma ser impossível administrar unidade de saúde

Por Da Redação/Ronan de Sá 13/03/2019 - 08:56 hs

Foto: Edevilson Arneiro/Secom-BG
Devolução de hospital de Barra do Garças ao Estado pode gerar caos na saúde do Araguaia
Prefeito Roberto Farias: Barra do Garças não consegue manter hospital sem receber

A prefeitura municipal de Barra do Garças enviou ofício a Câmara Municipal de Vereadores para comunicar que vai entregar o hospital Milton Pessoa Morbeck para que o governo do Estado administre. O município alega não receber uma dívida no valor de 14 milhões reais.

O documento lido na sessão da última segunda-feira (12), relata que existe débitos desde a gestão do ex-governador Pedro Taques, e agora também da gestão de Mauro Mendes. [Em decorrência da ausência de 8 (oito) repasses ao longo do ano 2018, acrescido de outros (02) dois neste ano a dívida do Estado para com Barra do Garças apenas ao MAC (Média e Alta Complexidade), está em R$ 8.000.000,00].

O prefeito Roberto Farias (MDB), afirma no documento que sua gestão fica inviabilizada sendo que desde 2013 o Estado patina para fazer os repasse ao município que acaba por arcar com esse déficit que já está na casa de 14 milhões de reais. 


O ofício que foi protocolizado ontem em Cuiabá pelo prefeito Beto Farias, ao secretário de Estado de Saúde, Gilberto Gomes de Figueiredo, cobra o pagamento da dívida no prazo de (05) cinco dias, sob pena de devolver o Hospital para o Estado de Mato Grosso.

Na visão de Roberto Farias, a devolução do Hospital e Pronto Socorro Milton Morbeck ao Estado é a única saída para que Barra do Garças não vá a falência total, com a paralisação total de outros setores. A Prefeitura vem aplicando cerca de 52% de sua receita na estrutura sem, contudo, receber a contrapartida do governo estadual.

 

Além de custear todas as despesas, a Prefeitura mantém também pacientes de 30 municípios de Mato Grosso e cerca de 10 de Goiás, que são internados diariamente sem nenhuma despesa da origem. A situação está afetando também o funcionamento da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), outra grande estrutura custeada pelo município.

 

No calhamaço entregue junto com ofício de cobrança, consta ainda, planilhas de débitos, decreto de desapropriação, escritura do imóvel, contrato de compra e venda, termo de cessão de uso e leis.

 

A medida de Beto Farias, pode impactar mais de 40 municípios de Mato Grosso e de Goiás que usam essa unidade de saúde. Pois os atrasos nos repasses podem ocasionar graves danos, inclusive greve de servidores e falta de insumos básicos e de limpeza, situação que pode até mesmo ser alvo de pedido interdição pela Justiça.


O comunicado de possível entrega do Hospital Municipal foi aprovado por unanimidade na Câmara de Vereadores, da qual 10 dos 15 vereadores ajudaram a eleger o atual governador Mauro Mendes.