Polícia Civil investiga agiotagem contra comunidade indígena em Barra do Garças

Suspeitos faziam empréstimos a indígenas e tomavam cartões com senha e documentos como forma de garantia

Por Kayc Alves com informações da PJC-BG 21/03/2019 - 18:52 hs

Foto: PJC-BG
Polícia Civil investiga agiotagem contra comunidade indígena em Barra do Garças
Mais 100 cartões foram apreendidos pela Polícia Civil de Barra do Garças

A Polícia Civil de Barra do Garças deflagrou, nesta quinta-feira (21), a operação A’Uwe, que investiga prática de agiotagem aplicada contra indígenas Xavante. Foram cumpridos três mandados de busca e apreensão domiciliares, para apurar crime de usura, apropriação indébita, estelionato e associação criminosa. A hipótese é de que os suspeitos emprestavam dinheiro aos indígenas, sob juros exorbitantes, e tomavam cartões e documentos como garantia.

Nas residências dos suspeitos foram encontrados 135 cartões bancários com senhas de indivíduos da etnia Xavante. Alguns cartões eram do programa federal Bolsa Família. Também foram apreendidos outros 242 documentos pessoais, dentre eles, Carteiras de Trabalho, RGs, CPFs e títulos de eleitor. Não houve prisões.

Em uma das residências foram encontradas duas maquinas de passar cartão. Segundo informações da polícia, a possibilidade é de que os aparelhos fossem usados para que o dinheiro caísse diretamente na conta dos suspeitos, sem a necessidade de ir até o banco para sacar o valor.

As investigações mostram que os suspeitos emprestavam dinheiro aos indígenas, a juros de 10% a 40% mensais. Documentos pessoais e cartões com as senhas das respectivas contas eram tomados pelos suspeitos como forma de garantia. Os pertences eram devolvidos somente após a quitação da dívida.

Segundo a polícia, nesse período, os indígenas ficavam sem o controle do recebimento de salários e benefícios. Isso fazia com que eles voltassem a emprestar com a organização criminosa, alimentando um ciclo “interminável de empréstimos”.

De acordo com o delegado Wilyney Santana Borges Leal, esta pode ter sido a maior apreensão de documentos e cartões bancários de indígenas em poder de agiotas, em Mato Grosso. 

A operação chama-se A’ Uwe, que é a palavra para designar a etnia Xavante, na língua indígena. As investigações prosseguem tramitando pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf/BG).