Contador, advogado e empresário estão entre investigados de agiotagem contra indígenas

Ainda não ocorreram prisões, mas, segundo delegado, os fatos denunciados já estão materializados

Por Da Redação/Kayc Alves 22/03/2019 - 11:19 hs

Foto: Semana7
Contador, advogado e empresário estão entre investigados de agiotagem contra indígenas
Delegado da Polícia Civil, Wilyney Santana Borges

Entre os investigados pela operação A’Uwe, deflagrada na quinta-feira (21), pela Polícia Civil, estão profissional da Contabilidade, advogado e empresário. A informação foi confirmada, na manhã desta sexta (22), em entrevista coletiva concedida pelo delegado Wilyney Santana Borges Leal. Ainda está no início a apuração sobre possível esquema de agiotagem contra indígenas e, até o momento, nenhum suspeito foi preso.


A polícia cumpriu mandado de busca e apreensão em quatro residências. Três delas localizam-se em Barra do Garças e uma, no município de Pontal do Araguaia. Nesses alvos, foram encontrados 140 cartões bancários, com senhas, e mais de 250 documentos pessoais de indígenas. Boa parte dos cartões eram de benefícios que os indígenas recebem de programas federais como o Bolsa Família.


Para a polícia, a hipótese de esquema de agiotagem contra indígenas da etnia Xavante está materializada. Segundo o delegado Wilyney, com o material apreendido, pode-se afirmar que as denúncias recebidas na delegacia eram verdadeiras. “Essa farta documentação será analisada pelos investigadores e, possivelmente, nós tomaremos outras medidas dentro das necessidades.”


As apurações mostram que os suspeitos emprestavam dinheiro aos indígenas, a juros de 10% a 40% mensais. Documentos pessoais e cartões com as senhas das respectivas contas eram tomados dos Xavante como forma de garantia. Os pertences eram devolvidos somente após a quitação da dívida.


“O indígena, sem dinheiro para sobreviver, acaba dependendo e recorrendo novamente a essas pessoas, pegando mais empréstimos, o que vira uma situação interminável de dependência financeira”, destaca Wilyney.


Duas máquinas de passar cartão, também apreendidas, eram usadas para que o dinheiro caísse diretamente na conta dos envolvidos, sem que precisassem ir mensalmente a agências bancárias. “Monta-se uma empresa, solicita-se, junto a essas operadoras, autorização para compensação. E aí simula-se que o índio está comprando alguma coisa ali”, esclarece o delegado.


Há seis meses que a polícia apura os fatos e vem monitorando os possíveis suspeitos. De acordo com Wilyney, com o prazo de cadastramento biométrico em Barra do Garças, a movimentação de indígenas procurando por seus documentos chamou ainda mais atenção. “Havia um fluxo muito grande, nesse período, nessas residências”, destaca.


Sob o comando da Delegacia de Polícia de Roubos e Furtos (Derf) de Barra do Garças, a operação A’Uwe apura crime de usura, apropriação indébita, estelionato e associação criminosa. A designação na língua indígena significa etnia Xavante.