Ibama flagra envolvimento de aldeia indígena e pousada em Crime ambiental no Xingu

Órgão ambiental diz que turistas pescavam ilegalmente, acompanhado por indígenas e através de agenciamento de pousada

Por Da Redação 11/06/2018 - 14:38 hs

Foto: Reprodução

Um barco com quatro pessoas e carregado de apetrechos de pesca foi apreendido, no domingo (10), em área do Parque Nacional do Xingu, em Canarana. A equipe do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) realizava fiscalização, quando se deparou com a embarcação saindo da aldeia da Pedra. Segundo o órgão, indígenas e uma pousada da região estariam envolvidos na prática criminosa.

Na embarcação estavam dois turistas, o piloto e o cacique Guga Kalapalo, da etnia Kalapalo. A equipe do Ibama conduziu o barco até terra firme e colheu o depoimento dos envolvidos. Um segundo indígena, que atende por Aru Kalapalo, atravessou o rio e disse aos funcionários do órgão que a atividade era autorizada pela Fundação Nacional do Índio (Funai), mas nenhum documento foi apresentado.

Segundo o chefe do Ibama em Barra do Garças, Leandro Nogueira da Silva, “mesmo os indígenas autorizando, a prática é ilegal. Tudo tem que ter anuência da Funai e constar em um plano de trabalho.” Cada pescador irregular foi autuado em R$ 10 mil. Já a pousada, responsável pelo agenciamento dos turistas e dos veículos utilizados, deve pagar multa de R$ 100 mil.

A operação começou no sábado (9) e terminou no fim da manhã de hoje com outras autuações, dentro e fora do parque. Uma família foi flagrada pescando na Fazenda Pontal, dentro da Terra Indígena Pequizal do Naruvôtu. Já em área não protegida, turistas do estado de São Paulo e funcionários da empresa Vale Verde, de Canarana, foram autuados por uso de rede e por pescar peixes fora de medida.

A última atualização do Ibama sobre a operação é de que, no fim de semana , foram apreendidos três barcos, três motores de popa, um gerador de energia, oito redes e diversas varas. Os fiscais também apreenderam 110 kg de peixe e um freezer.

A reportagem não conseguiu falar com a Coordenação Regional do Xingu, da Funai, para saber sobre o envolvimento dos dois indígenas.