Aplicação da teoria das inteligências múltiplas em sala de aula na Educação de Jovens e Adultos (ceja) na Escola Estadual Cesário Neto em Cuiabá/MT/Brasil

Por Everaldo Pereira 27/07/2018 - 13:14 hs

Foto: Reprodução

Everaldo Pereira Lacerda[1]

   

RESUMO

Este artigo aborda a investigação da aplicação da teoria das Inteligências Múltiplas em sala de aula na educação de jovens e adultos – CEJA, na Escola Estadual Cesário Neto – Cuiabá-MT-Brasil, buscando entender a prática pedagógica no processo de ensino e aprendizagem de uma instituição pública, fundamentada na Teoria das Inteligências Múltiplas proposta por Gardner (1985), que parte do princípio que o ser humano pode apresentar múltiplas inteligências relacionadas entre si, podendo ser estimuladas nas habilidades, competências e desempenho em diversas áreas de conhecimento. A metodologia utilizada foi de caráter qualitativo e quantitativo, utilizado como instrumento de pesquisa o questionário , buscado analisar, primeiramente, o perfil dos professores e a aplicação das inteligências múltiplas de Gardner nas atividades realizadas em sala de aula. Constatou-se que 42% dos professores conhecem a teoria das inteligências múltiplas, estão qualificados a trabalhar esta teoria e aplicam em sala de aula na sua prática pedagógica, na qual há uma tendência dos professores em priorizar as Inteligências Interpessoal, Linguística e Lógico-matemática e Espacial, quando elaboram ou aplicam atividades em sala de aula. Acreditamos que a teoria das IM pode auxiliar no processo da aprendizagem, uma vez que possibilita ter acesso as competências da individualidade de cada aluno. O processo educativo significativo é aquele que considera o educando em todas as suas particularidades, sendo este capaz de aplicar o conhecimento adquirido em diversas práticas educacionais.

Palavras-Chave: Inteligências Múltiplas; Processo Ensino e Aprendizagem; EJA.


[1] Artigo extraído da Dissertação de Mestrado em Ciências da Educação na Universidad Tecnica de Comercialización y Desarrollo, Paraguay, 2012.

[1] Autor – Mestre em Ciências da Educação pela Universidad Tecnica de Comercialización y Desarrolo.  elp13@hotmail.com 



APPLICATION OF THE THEORY OF MULTIPLE INTELLIGENCES IN THE CLASSROOM IN YOUTH AND ADULT EDUCATION (CEJA) IN STATE SCHOOL CESÁRIO NETO IN CUIABÁ / MT / BRAZIL[2]

Everaldo Pereira Lacerda [3]

  

ABSTRACT


This article discusses the investigation of the application of the theory of multiple intelligences in the classroom in the education of young people and adults - CEJA, in the State School Cesario Neto - Cuiaba-MT, Brazil, seeking to understand the pedagogical practice of teaching and learning of a public institution, based on the Theory of multiple intelligences proposed by Gardner (1985), which assumes that human beings may have multiple intelligences related to each other and can be stimulated in skills, competencies and performances in various areas of knowledge. The methodology used was qualitative and quantitative, a questionnaire was used as a research tool and sought to examine, first, the profile of teachers and the implementation of Gardner’s multiple intelligences in the activities in the classroom. It was found that teachers know the theory of multiple intelligences, are qualified to work with this theory and apply in the classroom in their teaching, in which there is a tendency of teachers to 42% prioritize Interpersonal Intelligence, Linguistics and logical-mathematical, space, when preparing or implementing activities in the classroom. We believe that MI theory can assist in the learning process, as it allows to access the powers of the individuality of each student. The significant educational process is one that considers the student in all its particulars, which is able to apply the knowledge gained in various educational practices.

Keywords: Multiple Intelligences; Teaching and learning process; EJA.


[1] Artigo extraído da Dissertação de Mestrado em Ciências da Educação na Universidad Tecnica de Comercialización y Desarrollo, Paraguay, 2012.

[1] Autor – Mestre em Ciências da Educação pela Universidad Tecnica de Comercialización y Desarrolo.  elp13@hotmail.com 


INTRODUÇÃO

O ensino médio e tem sido alvo da atenção dos educadores, considerando que este tem a função de garantir ao aluno as condições básicas indispensáveis para enfrentar o mundo altamente competitivo que o rodeia, além de contribuir, de forma incisiva, na sua formação e qualificação para o mercado de trabalho, para que faça uso do exercício pleno de sua cidadania.

Nesse caminho observa-se que as pessoas se destacam em uma área, mas sentem dificuldades em outras, em sala de aula do ensino fundamental, em particular do CEJA acontece algo semelhante, alunos que têm dificuldades na realização de uma redação, por exemplo, mas demonstram facilidade com cálculos e números. Nesse sentido a teoria das inteligências múltiplas proposta por Howard Gardner, em 1983, tem contribuído na área educacional para o aprimoramento de estratégias de ensino facilitando a prática pedagógica em sala de aula.

Esta é uma teoria recente e os professores devem acompanhar cada nova descoberta como uma ferramenta à mais para melhorar seu desempenho em sala de aula. A teoria das inteligências múltiplas ajuda a ampliar os métodos do educador e oferece uma possibilidade para os professores pensem sobre suas aulas, aprimorando a prática pedagógica, e possibilitando a análise porque umas funcionam bem para uns alunos e outras não. (ARMSTRONG, 2001).

Ao analisar os processos educacionais e as inteligências múltiplas, faz-se necessário levar em consideração vários componentes das inteligências múltiplas que possam ser exploradas como meio de transmissão do conhecimento. Os meios de transmissão, meios reais de aprendizagem, são componente importante, onde cada tipo de inteligência requer um meio específico que deve ser usado adequadamente, bem como, os tipos de informação apresentados com maior facilidade.

Neste sentido este artigo aborda a investigação da aplicação da teoria das Inteligências Múltiplas em sala de aula na educação de jovens e adultos – CEJA, tendo como unidade de pesquisa os professores do CEJA da Escola Estadual Cesário Neto – Cuiabá-MT-Brasil, tendo como caminho metodológico o método qualitativo e quantitativo, utilizando o questionário como instrumento de pesquisa,  buscado analisar, primeiramente, o perfil dos professores e a aplicação das inteligências múltiplas de Gardner nas atividades realizadas em sala de aula.

Acreditamos que a teoria das IM pode auxiliar no processo da aprendizagem, uma vez que possibilita ter acesso as competências da individualidade de cada aluno. O processo educativo significativo é aquele que considera o educando em todas as suas particularidades, sendo este capaz de aplicar o conhecimento adquirido em diversas práticas educacionais.

 

TEORIA DA IM DE GARDNER

A Teoria das Inteligências Múltiplas, de Howard Gardner (1985) é uma alternativa para o conceito de inteligência como uma capacidade inata, geral e única, que permite aos indivíduos uma performance, maior ou menor, em qualquer área de atuação. A principal característica dessa teoria é que aprender e ensinar devem estar centrados nas inteligências particulares de cada pessoa, em seus estudos sobre o intelecto humano (Gardner, 1983).

Gardner (1985), identificou sete tipos de inteligências múltiplas, a Lingúística, Lógico-matemática, Espacial, Musical, Cinestésica, Interpessoal e Intrapessoal, cujo os indivíduos as dispõem de graus variados de cada uma das inteligências e maneiras diferentes com que elas se combinam e organizam e se utilizam dessas capacidades intelectuais para resolver problemas.  

A Inteligência Espacial-Visual, refere-se à competência especial para a percepção e administração do mundo viso-espacial, a direção no espaço concreto ou abstrato, a realização de transformações sobre essas percepções e a orientação apropriada em uma matriz espacial.

A Inteligência Corporal - Cinestesico esta relacionada a facilidade em solucionar problemas relacionados ao corpo, ou seja, a perícia em manusear objetos envolvendo que envolvam movimentos motores finos dos dedos das mãos ou outra parte do corpo, expressando idéias e/ou sentimentos, produzindo ou transformando coisas.

A inteligência musical refere-se à facilidade em perceber, discriminar, transformar ou se expressar através dos diferentes tipos de sons, de instrumentos musicais, de sons naturais e musicais.

A inteligência intrapessoal, refere-se a capacidade de autocontrole, de conhecer os próprios limites e potenciais, de estar bem consigo mesmo, de administrar suas próprias sensações, sua auto-estima, autodisciplina e auto-imagem, agindo de forma adaptativa com base nesses conhecimentos.

A inteligência interpessoal: é a capacidade de relacionar-se bem com os outros, de perceber, compreender e fazer distinções das sensações alheias (humor, intenções, motivações), de ter empatia com o próximo

A inteligência lingüística, esta relacionada a capacidade do indivíduo lidar criativamente com palavras e usá-las de forma efetiva com a língua corrente e com o sentido das mensagens. Esse uso pode ser oral ou através da escrita.

A inteligência Lógico-matemática, refere-se a capacidade de desenvolver raciocínios dedutivos e vislumbrar soluções para problemas, bem como a facilidade em lidar com números de forma efetiva ou com outros objetos matemáticos envolvendo cálculos ou transformações. Inclui a sensibilidade a padrões e relacionamentos lógicos, afirmações, proposições, funções e outras abstrações relacionadas.

Ainda Gardner (1985) ressalta que, embora estas inteligências sejam, até certo ponto, independentes uma das outras, elas raramente funcionam isoladamente. Uma implicação adicional da teoria é que as medições de habilidades pessoais deveriam contemplar todas as formas de inteligência, não só Lingüística e Lógico-matemática, e cita também o contexto cultural de inteligências múltiplas, pois cada cultura tende a enfatizar inteligências particulares.

As implicações da teoria de Gardner para a educação são claras quando se analisa a importância dada às diversas formas de pensamento, aos estágios de desenvolvimento das várias inteligências e à relação existente entre estes estágios, a aquisição de conhecimento e a cultura.

Pelas suas implicações práticas, entre outras, a Teoria das Inteligências Múltiplas tem tido grande aceitação na literatura e no mundo educacional e empresarial. Do mesmo passo tem sofrido críticas, pela sua visão, no dizer de alguns, neomecanicista, ao fundar suas idéias em estruturas neurais e condicionamento genético da inteligência.

 

As Inteligências Múltiplas e a Prática Escolar

A prática escolar com base na teoria das inteligências múltiplas representa uma excelente estratégia para propiciar a construção do conhecimento do individuo pois através das vivencias o aluno se depara com as possibilidades de usar todas as inteligências que são mobilizadas à favor do desenvolvimento de uma aprendizagem diversificada. Este proposta implica em romper com paradigmas educacionais que centram o foco na linearidade e na fragmentação de currículos engessados. É um trabalho que necessita espaço e tempo para planejar e executar as atividades, não se trata apenas de renovar as atividades pedagógicas , mas de repensar a prática pedagógica.

O desenvolvimento profissional do professor é fator fundamental no trabalho com as inteligências múltiplas no ambiente escolar, na escolha dos currículos, decidindo como os conteúdos serão ensinados e determinando como o conhecimento do aluno será demonstrado. Não é fácil iniciar um trabalho desse tipo. Freqüentemente, surgem obstáculos, recuos, dúvidas. No entanto, se uma comunidade escolar, ou mesmo um professor, desejar adotar a perspectiva das inteligências múltiplas em sua prática, é indispensável que tenha clareza de seus objetivos e que conheça os interesses e as expectativas dos alunos e de seus pais.

Para assumir a nova postura, o professor precisa também procurar na escola outras pessoas que desejem mudar sua prática à luz dessa teoria, formando uma equipe de trabalho que possa refletir, interagir e se relacionar para, permanentemente, trocar impressões, dúvidas e conquistas, bem como avaliar as dificuldades e o crescimento seus e de seus alunos. A equipe deve trabalhar coletivamente para a própria formação, refletindo sobre sua prática pedagógica, elaborando e divulgando registros do trabalho feito. Sem dúvida, o desenvolvimento deve inicialmente ocorrer nas escolas de formação de professores; mas ele precisa continuar por toda a vida de magistério - é, inclusive, uma responsabilidade do próprio professor.

Gardner (2000, p.46) reconhece que o processo de mudança da prática escolar é demorado e que, mais do que investimento financeiro, exige crença na real possibilidade de desenvolvê-la, bem como vontade de implementá-la, por parte de todos os envolvidos. Para ele, a forma mais adequada de falar em mudança escolar seria a metáfora de construir uma nova comunidade, que não envolve apenas os pais, alunos e professores, mas também o espaço social no qual a escola está inserida. O ensino que estiver aberto a novas práticas certamente encontrará um terreno fértil nas metodologias com base na teoria das inteligências múltiplas, pois estas mobilizam os alunos a mostrarem seu potencial relacionando a aprendizagem acadêmica com a vida, onde os alunos podem ter acesso a práticas educacionais que potencializem todo seu sistema mental favorecendo a expressão de uma ou mais áreas deste sistema.

Organizar práticas pedagógicas que proporcione o estimulo das inteligências propostas por Gardner, com seleção de atividades é o primeiro passo. Não estamos falando em padronizar práticas pedagógicas, pois a atuação de cada professor se revela e faz sentido no contexto de sua sala de aula e para o conjunto de necessidades suas e de seus alunos. Por isso, os procedimentos adotados para desenvolver as ações em sala de aula costumam ser compatíveis com a concepção de educação de cada profissional, de cada projeto escolar.

Adotar um projeto que leve em conta a teoria das inteligências múltiplas, é importante analisar a forma de organizar os trabalhos, avaliando que tipo de atividade se julga adequado para cada fim. Em primeiro lugar, é preciso refletir a respeito da atividade que pode se relacionar com cada uma das inteligências. A escola deve ensinar os conteúdos curriculares aos alunos; assim, as atividades precisam estar voltadas fundamentalmente para essa direção (GARDNER, 2000).
Os educadores não encontrarão em sua teoria uma definição para o planejamento curricular, o trabalho interdisciplinar, a organização do dia na escola, a duração do ano escolar e outros assuntos relacionados com o desenvolvimento do trabalho docente, mas a sua teoria serve como um caminho para a aprendizagem significativa, levando em consideração a individualidade de cada aluno (GARDNER, 2000).

 

As Inteligências Múltiplas na Sala de Aula

Não existe uma única abordagem pedagógica para o trabalho com as inteligências múltiplas em sala de aula e, portanto, não existem "receitas" definitivas sobre como estimulá-las. Concluindo algumas das evidências destacadas por Gardner, seria lícito reafirmar que trabalhar com inteligências múltiplas não se afigura como um método de ensino cujo emprego supõe uma mudança radical na forma como antes se trabalhava. Ao contrário, estimular com atividades, jogos e estratégias as diferentes inteligências de nossos alunos é possível, não é complicado, não envolve custos ou despesas materiais significativas e pode ser desenvolvido para qualquer faixa etária e nível de escolaridade e em qualquer disciplina do currículo escolar (SMOLE, 1996).

Porém A partir da teoria das inteligências múltiplas podemos refletir sobre maneiras de utilizar esse referencial na sala de aula, pois o ser humano necessita desde cedo um convívio variado com diversas situações que possa proporcionar aprendizagens significativas.

A aprendizagem é a assimilação ativa do conhecimento e de operações mentais é uma forma do conhecimento entre o aluno e o conteúdo estudado, no qual o professor em sala de aula deve motivar os alunos a usarem seus conhecimentos, buscar incessantemente o desenvolvimento, englobando todas as inteligências, proporcionar a interação dos discentes em atividades grupais e individuais, incentivar os alunos a incentivarem seus trabalhos, bem como o desenvolvimento de suas competências (SMOLE, 1996).

Baseado na teoria das inteligências múltiplas o professor tem a oportunidade de utilizar na prática tudo que ao longo dos anos foi discutido na área da educação, a reformulação do ensino está no professor que tem autonomia em sala de aula para aprimorar sua prática fazendo a diferença para o seu grupo de alunos, se o professor tem compromisso com o que faz e com a educação ele tenta aprimorar sua aula usa novas estratégias e faz com que o aluno aprenda por que gosta e não porque são conteúdos que a escola determina.

Os conteúdos são importantes, porém os alunos devem aprender na escola a utilizá-los na prática e o professor precisa estabelecer essa ponte entre a informação e a vivência na sociedade, muitos problemas na sociedade começam na escola, pois o aluno não compreende o mundo e não tem estímulos para prosseguir na vida acadêmica e profissional, os mesmos não são estimulados na escola.

A Teoria das Inteligências Múltiplas sugere que simples modificações no contexto de sala de aula ou na realização de atividades rotineiramente realizadas podem atingir níveis mais satisfatórios de aprendizagem, por envolverem um maior número de alunos ou por se mostrarem mais adequadas aos perfis cognitivos dos aprendizes.

A teoria das inteligências múltiplas ajuda a ampliar os métodos do educador e oferecem uma possibilidade para os professores pensem sobre suas aulas, aprimorando a prática pedagógica, e possibilitando a análise porque umas funcionam bem para uns alunos e outras não. (ARMSTRONG, 2001).

Para Perrenoud (2002, p.18), as atividades em sala de aula baseadas na teoria das inteligência múltiplas, devem sempre estar presentes reflexões sobre o ambiente escolar, as metodologias de ensino, as ferramentas tecnológicas e os conteúdos.

Gardner (1987, p.75), considera que no âmbito escolar se as práticas forem reformuladas, através da teoria das inteligências múltiplas facilita a compreensão e ajuda os alunos atingirem objetivos de ocupação e diversão adequados ao seu espectro particular de inteligências, e diz

Em minha opinião o propósito da escola deveria ser o de desenvolver as inteligências e ajudar as pessoas a atingirem objetivos de ocupação e diversão adequados ao seu espectro particular de inteligências. As pessoas que são ajudadas a fazer isso, acredito se sentem mais engajados e competentes, e portanto mais inclinados a servirem a sociedade de uma maneira construtiva.

Para os alunos do SEJA, a possibilidade de aliar a teoria das Múltiplas Inteligências no processo de aprendizagem em sala de aula e fora dela, pode contribuir não só para o desenvolvimento de sua inteligência lingüística, mas também para o desenvolvimento de outras inteligências que lhes serão úteis para toda a vida, tanto social como profissional, uma vez que valoriza um ensino particular e diferenciado.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

No primeiro momento da investigação obtemos resultados da caracterização do perfil dos 45 (quarenta e cinco) professores do CEJA, da Escola Estadual Cesário Neto em Cuiabá-MT,objeto desta investigação, dos quais (47%) pertence ao gênero do sexo masculino, e (53%) pertencem ao gênero do sexo feminino. Em relação a faixa etária, (47%) esta centrada entre 30 a 40 anos de idade, (22%) entre 50 e 55 anos, (20%). entre 50 e 55 anos e (11%) entre 20 e 30 anos de idade.

Quanto a formação profissional, foi constatado professores com formação em diversas áreas do conhecimento, com maior índice de formação em Letras (27%), sendo (11%) em Geografia, (11%) em Pedagogia, (9%) em Física, (9%) em Matemática, (7%) em Química, (7%) em Educação Física, (7%) em Educação Artística, (4%) em Historia, (4%) em Biologia, (2%) em Filosofia, e (2%) em Sociologia. Observa-se que o grupo docente de professores do CEJA é bem diversificado em relação a formação, podendo influenciar no uso de diferentes tipos de inteligências múltiplas de Gardner (1985).

Na investigação do tempo de serviço no magistério, (40%) dos professores, estão na faixa de 2 a 10 anos de serviço, (16%) na faixa de 10 a 15 anos, (20%) na faixa de 15 a 20 anos, (13%) na faixa de 20 a 25 anos, e (11%) na faixa de 25 a 32 anos de serviço. Observa-se que a concentração do tempo de formação esta na faixa de 2 a 10 anos (40%), considerando professores com pouco tempo de formação, ainda no inicio de carreira.

Questionados sobre a sobre a Teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner, 42% dos professores disseram que “sim”, conhecem a teoria, e 58% disseram que “não” conhecem. Notamos que a Teoria das Inteligências Múltiplas é um assunto pouco conhecido e discutido entre os professores. Durante a pesquisa, foi observado o despertar do interesse sobre a Teoria das Inteligências Múltiplas e sua importância no processo educacional. Essa questão motivou os professores a pesquisarem sobre o assunto, na busca de melhorar a prática pedagógica em sala de aula perante seus alunos.

Ao questionarmos sobre o interesse do professor em participar de cursos de capacitação sobre Inteligências Múltiplas, 89% demonstrou “interesse em participar”, e 11 % responderam “não ter interesse” na participação de cursos de formação continuada desta temática. Cabe observar que para este grupo de professores a grande maioria está interessada em aprimorar a sua prática pedagógica baseada na Teoria das Inteligências Múltiplas, pois reconhecem que cada aluno é um ser individual com suas habilidades, competências, interesses e potencialidades, cujas características individuais devem ser levadas em conta no processo de ensino- aprendizagem.

Para melhor discussão dos resultados da ocorrência da aplicabilidade da Teoria das Inteligências Múltiplas em sala de aula pelos professores do CEJA, foi elaborado uma síntese com o ranking do percentual de respostas positivas (sim) para cada um dos 3 (três) questionamentos referentes a cada tipo de Inteligências Múltiplas propostas por Gardner, obtido mediante a aplicabilidade e releitura do questionário. Os dados do ranking demonstram as inteligências que compõem os pilares do CEJA, destacam-se, em 1º lugar a IM-Interpessoal, e 2º lugar, a IM -Linguística, em 3º lugar a IM-Lógico-Matemática e em 4ª lugar a IM-Espacial.

Foi constatada também a presença das outras Múltiplas Inteligências propostas por Gardner (1983), em ordem do ranking, a IM-Interpessoal em 5º lugar e a IM-Corporal em 6º lugar, em ocorrências menos expressivas. A IM-Musical aparece na última colocação, no 7º lugar do ranking, talvez devido às peculiaridades que as habilidades desta inteligência apresentam, dos talentos com que os indivíduos podem sem dotados, nenhum surge mais cedo do que o talento musical.

Levando em consideração a existência de tipos diferentes de habilidades e de inteligências de professores e alunos, cada qual com suas afinidades, dificuldades e um perfil específico, alguns alunos parecem aprender mais com um professor do que com outro, e alguns professores preferem utilizar uma prática em detrimento da outra. Podemos assim dizer, aquela que mais se compatibiliza com a inteligência que mais sobressai na sua personalidade.

No caso do CEJA, acreditamos que a teoria das Inteligências Múltiplas (Gardner, 1983) seja uma opção, visto que, os professores de maneira em geral demonstraram estar abertos à mudança de suas práticas pedagógicas em sala de aula, e consequentemente a metodologia utilizada.

Acreditamos que a teoria das IM pode auxiliar no processo da aprendizagem, uma vez que possibilita ter acesso as competências de cada aluno. Gardner (1983) afirma que, uma vez que se comece a considerar combinações de inteligências, poderemos encontrar um conjunto ainda maior de maneiras em que um indivíduo pode ser competente. Embora existam dificuldades sobre determinados assuntos, o professor terá ferramentas para aplicar atividades e metodologias diferenciadas que estimulem as IM, favorecendo desta maneira aqueles alunos que muitas vezes se sentem deslocados. em sala de aula.

Neste sentido Perrenoud (2002, p.18), considera que as atividades em sala de aula baseadas na teoria das inteligência múltiplas, devem sempre estar presentes reflexões sobre o ambiente escolar, as metodologias de ensino, as ferramentas tecnológicas e os conteúdos. Podendo assim, alcançar a aprendizagem significativa levando em consideração as particularidades intelectuais de cada aluno.

A aprendizagem é a assimilação ativa do conhecimento e de operações mentais é uma forma do conhecimento entre o aluno e o conteúdo estudado, no qual o professor em sala de aula deve motivar os alunos a usarem seus conhecimentos, buscar incessantemente(SMOLE, 1996).

Assim a escola e o professor devem tentar ao máximo valorizar e respeitar as individualidades de seus alunos. Cabe ao professor, tomar consciência de que o processo de ensino-aprendizagem vai muito além do currículo de uma escola. Observamos que os profissionais desta escola que trata da modalidade de ensino de jovens e adultos têm consciência da importância da individualidade de cada aluno, consideram suas habilidades e, intrinsecamente, reportam-se aos conceitos da teoria das inteligências múltiplas, mesmo que a maioria dos entrevistados alegam não conhecerem esta teoria, ou ainda a conhecerem superficialmente.

A teoria de Gardner (1983) pode ser um dos nossos aliados para melhorar a qualidade do ensino, uma vez que conhecendo o aluno e a teoria, poderemos aplicá-la em sala de aula, através de técnicas metodológicas tanto na abordagem temática em sala de aula como na composição curricular e nos critérios de avaliação, garantindo aulas mais dinâmicas, atrativas e avaliações justas, trazendo o sucesso para a sala de aula e contribuindo para a melhoria do processo ensino aprendizagem.

É preciso que o professor não apenas reconheça a necessidade do processo educacional, mas também sua responsabilidade como profissional afetivo e mediador da aprendizagem, favorecendo, o desenvolvimento do aluno. O educador só poderá contribuir para que o aluno aprenda, se ele também se dispuser a estar continuamente aprendendo no convívio em sala de aula com esses aprendizes (CORTELLA, 2013).

O processo educativo significativo é aquele que considera o educando em todas as suas particularidades, sendo este capaz de aplicar o conhecimento adquirido em diversas práticas educacionais.


CONCLUSÃO

Na área da educação, a aplicação da teoria das Inteligências Múltiplas está sendo examinada em muitos projetos, são inúmeras as possíveis aplicabilidade na prática educativa. Da organização do trabalho do professor à reflexão acerca da educação integral do aluno, o trabalho com projetos, o currículo interdisciplinar. ou ao papel da comunidade na escola, muitas coisas podem ser revistas, confirmadas ou modificadas.

Porém, é importante perceber que adotar a IM como um dos fundamentos do trabalho na escola não significa escolher um rótulo novo para descrever práticas e crenças já existentes. Ainda que essa teoria possa servir para fundamentar e validar as práticas pedagógicas dos professores de modo que sejam aprimoradas, aprofundadas e estendidas a um novo campo, o mais importante em seu uso na escola é que ela pode se converter em um marco para pensarmos a respeito do aluno, e como ensinamos, possibilitando a reflexão das razões e ações pedagógicas que realizamos.

Ao trabalharmos na perspectiva da teoria das inteligências múltiplas, a avaliação funciona com um outro tipo de lente: ela permite focalizar as competências que o aluno tem mais desenvolvidas e refletir a respeito, procurando melhorar aquelas em que ele tem menos desenvolvimento. Isso significa construir um sistema de trabalho com base em um conhecimento mais amplo e profundo do perfil de inteligências do aluno.

 

RECOMENDAÇÕES

Recomenda-se que através da aplicação da Teoria das Inteligências Múltiplas o professor desenvolva seu trabalho buscando atingir objetivos com múltiplas oportunidades de aprendizagem como meio de formar cidadãos que tomem diante de situações, atitudes, e que pensem e contribuam para a transformação da sociedade.

As atividades didáticas pedagógicas no ambiente educacional, recomenda-se que sejam apoiadas conforme os apontamentos de Campbell et all (2000), que endossa a teoria proposta por Gardner (1985), realizando uma apresentação e discussão dessa teoria, propondo processos para que o professor trabalhe com as 7 (sete) Inteligências Múltiplas-MI (Lingüística, Musical, Interpessoal. Intrapessoal. Cinestésica, Visual, Lógico-Matemática) na sala de aula, abarcando as habilidades de leitura, escrita, audição e fala, indispensáveis no processo de ensino e aprendizagem.

 

REFERÊNCIAS

ARMSTRONG, T. Inteligências Múltiplas na sala de aula. 2ª ed., Trad. Maria Adriana Veríssimo Veronese. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.

Gardner, H.Frames of mind. New York, Basic Books Inc., 1985.

GARDNER, H. Estruturas da Mente: A teoria das Inteligências Múltiplas. 2a reimpressão. Trad. Sandra Costa – Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1983.

GARDNER, H.  Inteligência: um conceito reformulado. Rio de Janeiro, Objetiva, 2000.

_________The mind's new science. New York, Basic Books Inc., 1987.

PERRENOUD, Philippe. Práticas pedagógicas, profissão docente e formação: perspectivas sociológicas. 2. ed. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2002.

SMOLE, Kátia Cristina Stocco. A matemática na educação infantil: a Teoria das Inteligências Múltiplas na prática escolar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.