Oposição e situação brigam; Janaina acusa WS de ''malandragem''

Oposição e situação brigam; Janaina acusa WS de ''malandragem''

Embate ocorreu nesta terça-feira (7), após Wilson apresentar requerimento para criação de CPI

Por Mídia News 07/08/2018 - 15:17 hs

Foto: Reprodução

A sessão desta terça-feira (7) da Assembleia Legislativa foi marcada por uma nova polêmica entre a deputada de oposição, Janaina Riva (MDB), e o vice-líder do Governo, Wilson Santos (PSDB). Desta vez, o embate ocorreu por conta da criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o esquema de grampos ilegais operado no Estado.

 

Desde a última semana, Janaina vinha colhendo assinaturas para apresentar um requerimento à presidência da Casa, pedindo a abertura da investigação. Porém, na manhã de hoje, Wilson Santos se antecipou e apresentou um requerimento de sua autoria na tribuna.

 

Ele afirmou ter colhido a assinatura de oito colegas. Janaina, por sua vez, chamou o colega de “mentiroso” e alegou ter visto que não havia nenhuma assinatura no requerimento entregue pelo tucano ao presidente da Casa, Eduardo Botelho (DEM).


“O deputado Wilson é desrespeitoso. Ele apresentou um requerimento dizendo na tribuna que tinha oito assinaturas e, quando fui verificar, não havia nenhuma. Foi, na verdade, uma manobra pra tentar dizer que ele estava apresentando a CPI antecipadamente”, disse Janaina.

 

Segundo ela, a "manobra" do colega teve o intuito de "camuflar" o governador Pedro Taques (PSDB) na CPI. O pedido de Wilson diz que as investigações devem começar em janeiro de 2011, na gestão de Silval Barbosa. Já o requerimento da deputada pede que a apuração inicie em 2014, ano em que os grampos tiveram início, segundo depoimento prestado pelo cabo da PM Gerson Correa à Justiça Militar.

 

“Eu estava convencendo os deputados, um a um, de que essa não é uma investigação eleitoreira, que é um trabalho sério. O Wilson apresentou um requerimento sem assinatura, por isso considerei uma manobra”, disse a deputada.

 

“Além disso, [ele] veio dizer na tribuna, aliás, mentir, que tinha oito assinaturas, mesmo sem ter. Isso é muito ruim para o Legislativo, cria fatos e discussões desnecessárias entre os pares e inimizades também”, afirmou a parlamentar.

 

“Ordem cronológica”

 

Ignorando as críticas da deputada Janaina Riva, o deputado Wilson Santos voltou à tribuna e pediu que – para instalar a CPI – seja respeitada a ordem cronológica de apresentação dos requerimentos, ou seja, o dele primeiro.

 

“Estamos preparados para essa CPI. Quem apresentou primeiro o requerimento em plenário fomos nós, da base governista. Temos 10 assinaturas e, resolvendo o impasse da CPI do Ministério Público [que corre o risco de ser encerrada], exigiremos o cumprimento da ordem cronológica”, afirmou o deputado.


O tucano defendeu que a investigação seja ampliada para todos os possíveis envolvidos no esquema de escutas. Ou seja, além de membros do Poder Executivo, ele também pede para que seja investigado o Judiciário, Ministério Público, Gaeco, delegados, policiais civis e militares e membros do Poder Legislativo.

 

“Malandragem”

 

“Agir democraticamente pelo regimento, eu concordo. Agir com malandragem é outra coisa. Recebemos o requerimento do Wilson sem assinaturas alguma. Isso é agir com malandragem e isso, nesse parlamento, não cabe”, disparou Janaina, na sequência.

 

Segundo ela, os deputados e servidores do Legislativo estão “cansados” das “artimanhas” de Wilson.

 

“Inclusive, o deputado Wilson agiu de má-fé e colheu assinatura do deputado Valdir Barranco [PT] que, posteriormente, retirou a assinatura dele porque viu a movimentação de Vossa Excelência para que não fosse ouvido governador. Vossa Excelência quer proteger seu patrão, mas aqui não terá espaço”, disse a deputada.

 

Nem um, nem outro

 

Até o momento, Wilson disse contabilizar a assinatura de dez colegas em seu requerimento, mesmo número de assinaturas alegado por Janaina.


Ocorre que já existem três CPIs em aberto na Assembleia Legislativa: a que apura empréstimos consignados para servidores públicos, a do Ministério Público – que é relativa às cartas de crédito – e a de supostos desvios nos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).

 

Para uma nova CPI tramitar na Casa, é preciso a assinatura de dois terços dos parlamentares – ou seja 16 deputados – e não somente 9, como o habitual.

 

Durante a sessão, a deputada Janaina Riva pediu o arquivamento da CPI do MPE. Segundo ela, a comissão foi prorrogada mais vezes que o permitido.

 

“Apoiadores”

 

Janaina apresentou um requerimento com as seguintes assinaturas: Romoaldo Júnior (MDB), Wagner Ramos (PSD), Ademir Brunetto (PSB), Zeca Viana (PDT), Zé Domingos Fraga (PSD), Dilmar Dal Bosco (DEM), Valdir Barranco (PT), Alan Kardec (PDT), além da dela.

 

Wilson não apresentou a relação dos nomes que assinaram seu requerimento.