Avaliação dos níveis de Glicemia, do conhecimento e da prevenção sobre Diabetes dos trabalhadores do Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá, MT

Por Elci Marlene 09/08/2018 - 13:19 hs

Foto: Reprodução


Elci Marlene Winck do Nascimento [1]


Resumo


Este estudo teve como objetivo avaliar a glicemia, conhecimento e prevenção sobre pré-diabetes e diabetes mellitus dos trabalhadores do Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM) na cidade de Cuiabá, Estado do Mato Grosso. Entende-se por glicemia a presença de glicose no sangue. As medições deste parâmetro são importantes na detecção e prevenção da hiperglicemia (níveis excessivos de açúcar no sangue) e da hipoglicemia (níveis de açúcar no sangue abaixo do normal). A glicose é um monossacarídeo, a principal fonte de energia das células. Sua dosagem anormal no sangue pode levar a constatação de variados tipos de patologias cuja principal diagnosticada é o Diabetes Mellitus. Diabetes é um distúrbio metabólico causado pela falta relativa ou absoluta de insulina no organismo, é uma doença crônica afetando atualmente 200 milhões de indivíduos em todo o mundo. Foram avaliados 100 (cem) indivíduos aleatoriamente, voluntários (servidores) do Hospital Universitário Júlio Muller de Cuiabá, MT, sobre glicemia e as consequências, bem como a prevenção da doença, através de pesquisa de investigação qualitativa e quantitativa-descritiva, de investigação participativa, respondendo ao questionário proposto, e também passaram por testes (exames laboratoriais). Como resultado obteve-se que 11,0% dos servidores estudados encontram-se na fase de pré-diabetes, seguidos de 5,0% com o diabetes instalado (em tratamento).

 

Palavras-chave: Glicose, Pré-Diabetes, Diabetes Mellitus, Investigação.

 

[1]Tese apresentada como requisito para obter o título de Mestre em Ciências da Educação na Universidade Técnica de Comercialização e Desenvolvimento.


ABSTRACT

This study it had as objective to evaluate the glycemia, knowledge and prevention on daily pay-diabetes and diabetes mellitus of the servers of the University Hospital Júlio Müller (HUJM) in the city of Cuiabá, State of the Mato Grosso. The glucose presence is understood for glycemia in the blood. The measurements of this parameter are important in the detention and prevention of the hiperglycemia (extreme levels of sugar in the blood) and of the hipoglycemia (levels of sugar in the blood below of the normal one). The glucose is a monosaccharide, the main power plant of the cells. Its abnormal dosage in the blood can take the constitutions of varied types of pathologies whose main diagnosis it is the Diabetes Mellitus. Diabetes is a metabolic riot caused by the relative lack or absolute of insulin in the organism, it is a chronic illness currently affecting 200 million individuals in the whole world. 100 (one hundred) individuals randomly, volunteers (serving) of the University Hospital Júlio Muller de Cuiabá, TM had been evaluated, on glycemia and the consequences, as well as the prevention of the illness, through research of qualitative and quantitative-descriptive inquiry, of participative inquiry, answering to the considered questionnaire, and also they had passed for tests (laboratories examinations), aiming at to know the dosage of the glycemia of the participants. As result was gotten that 11.0% of the studied servers meet in the daily pay-diabetes phase, followed of 5,0% with diabetes installed (in treatment).

 

Keywords: Glucose, Daily pay, Diabetes Mellitus, Inquiry.


1 INTRODUÇÃO

 

O diabetes mellitus é uma doença de múltipla etiologia, que decorre da falta de insulina e/ou falta de capacidade da insulina de atuar adequadamente no metabolismo da glicose. É característica da síndrome de hiperglicemia crônica com distúrbios de metabolismo de carboidratos, lipídios e proteínas.

O diabetes é causado por fatores hereditários ou ambientais. Depois de manifestada a doença, suas consequências incluem danos, disfunções e falência de vários órgãos, especialmente, rins, olhos, nervos, coração e vasos sanguíneos.

O diabetes apresenta diversas formas clínicas, classificado em: pré-diabetes, diabetes tipo 1, diabetes tipo 2 e diabetes gestacional.

O pré-diabetes é quando realizamos a dosagem de glicose no sangue (glicemia) no laboratório e encontram-se valores como glicemia de jejum entre 100 e 125mg/dL, glicemia após sobrecarga com 75 gramas via oral de glicose de 140 a 198 mg/dL. Os indivíduos que estão entre estes valores têm mais risco de desenvolverem o quadro de diabetes e devem tomar uma série de medidas para evitar desenvolver a doença.

O diabetes tipo 1 é aquele que ocorre na faixa etária de 0 a cerca de 35 anos de idade, atingindo, portanto, crianças, adolescentes e adultos jovens. O pâncreas produz pouca ou nenhuma quantidade de insulina, possibilitando a absorção satisfatória da glicose pelo organismo. Existe perda total da capacidade de produção de insulina pelas células beta do pâncreas, devido á fatores auto-imunes e genéticos (hereditários). Manifesta-se de forma rápida, geralmente com perda de peso em uma ou poucas semanas, muita vontade de urinar e muita fome.

O Diabetes tipo 2 ocorre em pessoas acima de 40 anos de idade. São na maioria obesas ou têm excesso de peso. É o tipo mais frequente acometendo 95% as pessoas portadoras de diabetes. Portanto, tem como causa a obesidade e a vida sedentária.

O diabetes gestacional é aquele que ocorre durante a gravidez. A glicemia aumenta somente durante a gravidez e quando a criança nasce, ela volta ao normal. É mais frequente em mulheres que ganham muito peso durante a gravidez.

Alguns dos principais sintomas são perda inexplicável de peso, polidipsia e poliúria. Estes sintomas podem frequentemente estar ausentes, porém poderá existir hiperglicemia de grau suficiente para causar alterações funcionais por um longo período antes que o diagnóstico seja estabelecido, segundo Araújo; Martel. 1

Segundo Champfiel; Smith, o aumento na taxa de sobrepeso e obesidade é relevante para o aumento da prevalência do diabetes tipo 2, resultados de diversas pesquisas populacionais evidenciam que a incidência de diabetes aumenta com a média do peso da população. 2

Já se tem descrito que o diabetes tipo 2 está se manifestando mais precocemente, até mesmo na adolescência. 3

A população total estimada de pessoas com diabetes em todo o mundo é de mais de 251 milhões, sendo que a cada 5 (cinco) segundos, um novo caso de diabetes é diagnosticado. Cerca de 40% a 50% dos portadores de diabetes desconhecem a existência da doença.

No Brasil, as estimativas sugerem uma prevalência de 7,6% na população entre 30 e 69 anos, chegando a valores próximos de 20% acima dos 70 anos, de acordo como Ministério da Saúde. O número estimado de pessoas com diabetes é de mais de 10 (dez) milhões, de acordo com cálculos mais atuais. 4

Quando a hiperglicemia não for suficientemente elevada para ser enquadrada nos critérios diagnósticos de diabetes, ou seja, quando ela se situa na faixa entre 100 mg/dL e 125 mg/dL, fica caracterizado o diagnóstico de pré-diabetes, o qual inclui duas situações clínicas anteriormente designadas de tolerância diminuída à glicose e glicemia de jejum alterada. Vale ressaltar que a condição de pré-diabetes na maioria das vezes é assintomática. Por essa razão, essa condição deve também ser tratada, de acordo com orientação do médico.

Estudos científicos mostram que 50% das pessoas com pré-diabetes, se não tratadas, irão desenvolver diabetes e suas possíveis complicações (alterações na circulação sanguínea, doença coronariana, comprometimento do funcionamento renal, ocular e dos nervos) nos dez anos seguintes de sua vida. 5

Este estudo visa avaliar o conhecimento de 100 (cem) indivíduos, voluntários, funcionários entre 20 e 59 anos do Hospital Universitário Julio Muller de Cuiabá, MT, Brasil, sobre o diabetes e as consequências, bem como a prevenção da doença. Foram avaliados através de pesquisa, respondendo questionário, bem como passaram por testes (exames laboratoriais), visando identificar a dosagem da glicemia dos participantes.

Observar se os participantes da pesquisa têm conhecimento sobre o diabetes. A partir disso, realizaram-se exames de glicemia, assim dando-lhes um diagnóstico.

 

2 HISTÓRIA DO DIABETES MELLITUS

 

O diabetes mellitus (DM) não e uma única doença, mas um grupo heterogêneo de distúrbios metabólicos que apresentam em comum a hiperglicemia. Essa hiperglicemia e o resultado de defeitos na ação da insulina, na secreção de insulina ou em ambos.

A classificação atual do DM é baseada na etiologia e não no tipo de tratamento, portanto os termos diabetes mellitus insulinodependente e diabetes mellitus insulinoindependente devem ser eliminados. A classificação proposta pela Organização Mundial da Saúde e pela Associação Americana de Diabetes recomendada, inclui quatro classes clínicas: DM tipo 1, DM tipo 2, outros tipos específicos de DM e diabetes mellitus gestacional. 6

Ainda existem duas categorias, referidas como pré-diabetes, que são a glicemia de jejum alterada e a tolerância à glicose diminuída. Essas categorias não são entidades clínicas, mas fatores de risco para o desenvolvimento do DM e de doenças cardiovasculares (DCV). 6

Dos cerca de 246 milhões de casos de diabetes no mundo, 5 a 10% são classificados como diabetes Tipo 1, que ocorre quando o pâncreas não produz insulina nenhuma. Aproximadamente 90% são classificados como diabetes Tipo 2, decorrente da produção insuficiente de insulina ou de resistência à sua utilização. Sem a capacidade de regulação natural da glicemia, os portadores de diabetes necessitam de um controle artificial, que é feito através de medicamentos, sejam orais, ou injeções de insulina, que fazem o nível de glicose no sangue baixar. 6

 

2.1 Diagnóstico

 

O diagnóstico de pré-diabetes pode ser feito através da glicemia de jejum (no caso dos pacientes com GJA) ou a partir do teste oral de tolerância à glicose (TOTG). Este teste é um método laboratorial, cujo fundamento se baseia em avaliar à capacidade pancreática de liberação de insulina mediante sobrecarga de glicose. 7

Para realizar o teste o paciente deve estar em jejum no mínimo 8 horas, quando terá sua glicemia de jejum dosada. Após este procedimento, o paciente deverá ingerir uma solução contendo 75g de glicose e a glicemia é medida então 120 minutos após, sendo os resultados avaliados conforme descrição na Tabela 1.

 

 

Tabela 1. Níveis de glicose em jejum e 120 minutos após TOTG.

 

 

Glicemia/tempo


Condição clínica

0(*)

(glicemia jejum)

120 min

Normal

< 100 mg/dl

< 140 mg/dl

TGD

< 100 mg/dl

140-199 mg/dl

GJA

100-125 mg/dl

< 140 mg/dl

TGF + GJA

100-125 mg/dl

< 140-199 mg/dl

DM

≥ 126 mg/dl

≥ 200 mg/dl

(*) Critérios adotados pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

Fonte: Fonseca; Fonseca. 7

 

É importante ressaltar que as características metabólicas de pacientes com TGD e GJA são melhor estudadas com TOTG do que com o TTG EV (teste de tolerância à glicose endovenoso). No TTG EV, as glicemias variam muito rapidamente e não se observa o efeito incretina mediado pelo GLP1 e GIP que ainda necessita de melhor caracterização nos estados de pré-diabetes. 8

 

2.3 Patologia

 

O diabetes foi descrito pela primeira vez há mais de dois mil anos. Sendo que nos últimos 200 anos tem feito parte da história da medicina moderna. A palavra diabetes, em grego, quer dizer sifão (um tubo para aspirar água). Esse nome foi dado por Areteus, aproximadamente 150 a.C., descrevendo o diabetes como uma doença em que os enfermos urinavam muito. O diabetes mellitus é uma doença sistêmica, crônica, caracterizada por desordens no metabolismo da insulina, carboidratos, gorduras e proteínas, bem como na estrutura e função dos vasos sanguíneos. A principal patologia do diabetes mellitus é a intolerância a glicose. 9


2.4 Diagnóstico

 

Diabetes é uma doença caracterizada pelo excesso de glicose no sangue, podendo evoluir com complicações oculares, renais, vasculares, neurológicas, entre outras. Com o aumento na incidência de obesidade, diabetes mellitus, principalmente o tipo 2, tem se tornado uma epidemia, com prevalência crescente em todo o mundo. 10

As classificações e os critérios diagnósticos sofreram modificações desde a década de 1980, objetivando a classificação etiológica adequada, para o estabelecimento da melhor terapia, e o diagnóstico precoce, para se prevenir o aparecimento de complicações crônicas. 11

 

2.6 Prevalência

 

O diabetes mellitus configura-se atualmente como epidemia segundo a Organização Mundial de Saúde e já atinge cerca de 5,1% da população mundial entre 20 e 79 anos. E faz previsões nada otimistas: o número atual de 200 milhões de casos duplicará até 2025. 7

No Brasil, de acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes e o Ministério da Saúde, mostra uma prevalência de 7,6% do diabetes na população entre 30 e 69 anos. 6

Em Mato Grosso, a Secretaria Estadual de Saúde, tem dificuldade em padronizar a estimativa ideal de prevalência do DM no Estado, que reflita a realidade, visto que diversas variáveis, tais como preenchimento inadequado da ficha de cadastro; erros de digitação; falhas existentes no sistema que dificultam a exportação de dados, identificação de duplicidade de dados e localização do cadastro do paciente quando ele muda de endereço e passa a utilizar outra unidade de saúde; número reduzido de treinamento para os técnicos que preenchem a ficha de cadastro e para os digitadores responsáveis pela entrada de dados no programa; e baixa cobertura do sistema, entre outras. Porém no período de 2003 a 2006, foi adotada a estimativa do número de diabéticos no Estado, sendo 8% na população a partir de 40 anos e usuária do SUS (estimada em 75%). 12

Em nosso estudo junto aos 100 (cem) funcionários do HUJM, a glicose encontrada através do exame laboratorial, nos participantes pesquisados foi assim distribuída: 84,0% se encontram normal, seguidos de 11,0% pré-diabéticos e 5,0% estão com diabetes (em tratamento).


2.7 Medidas de prevenção


Medidas de prevenção reduzem significativamente a morbimortalidade por DM, por isso constituem prioridades para a saúde pública no mundo. Segundo o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Diabetes, a prevenção pode ser realizada mediante a identificação de indivíduos em risco (prevenção primária), identificação de casos não-diagnosticados (prevenção secundária) e pelo tratamento dos indivíduos já afetados pela doença, visando prevenir complicações agudas e crônicas (prevenção terciária). 6

A prevenção primária protege indivíduos suscetíveis de desenvolver o DM e tem impacto por reduzir ou retardar tanto a necessidade de atenção à saúde quanto a de tratar as complicações da doença.

Na rede pública de saúde, cerca de 80% dos casos de DM2 podem ser atendidos predominantemente nos serviços de atenção básica, enquanto os casos de diabetes tipo 1 (DM1) requerem maior participação de especialistas (atenção secundária ou terciária), em virtude da complexidade de seu acompanhamento.

 

2.8 Tratamento

 

Pacientes com a pressão sanguínea sistólica de 130–139 mmHg ou pressão sanguínea diastólica de 80–89 mmHg podem tentar apenas a terapia de mudança de estilo de vida, por aproximadamente 3 meses e, então, se as metas não forem atingidas, ser tratado com a adição de agentes farmacológicos. Os pacientes com hipertensão mais severa (pressão sanguínea sistólica ≥140 ou diastólica ≥90 mmHg), no diagnóstico ou acompanhamento deverão receber terapia farmacológica além da terapia de mudança de estilo de vida. 3

A terapia de mudança de estilo de vida para tratar a hipertensão consiste em: perda de peso, se existir sobrepeso; padrões de dieta do tipo DASH (Abordagens Nutricionais para Eliminar a Hipertensão), incluindo a redução da ingestão de sódio e o aumento da ingestão de potássio; moderação no consumo de álcool; e aumento da atividade física. A terapia farmacológica para pacientes com diabetes e hipertensão deve ser feita dentro de um regime que inclua um inibidor da ECA ou um BRA. Se uma classe não for tolerada, deverá ser substituída pela outra. Se necessário, para atingir as metas de pressão sanguínea, deve-se adicionar um diurético tiazídico com taxa ao com taxa de filtragem glomerular estimada em (GFR) ≥30 ml/ min/1.73 m2 e um diurético de alça (loop) para os com GFR estimado de <30 ml/min/1.73 m2. 6

Geralmente é necessária uma terapia com múltiplos medicamentos (dois ou mais agentes, em doses máximas) para atingir as metas de pressão sanguínea. Se inibidores da ECA, BRAs ou diuréticos forem usados, a função renal e os níveis de potássio no soro devem ser monitorados. Em grávidas com diabetes e hipertensão crônica, a meta de pressão sanguínea de 110–129/65–79 mmHg é sugerida no interesse da saúde materna, no longo prazo e para minimizar qualquer crescimento fetal prejudicado. Os inibidores da ECA e os BRAs são contra-indicados durante a gravidez. 6

 

3 METODOLOGIA

Trata-se de um estudo quali-quantitativo, descritivo, participativo, transversal, onde através de um questionário buscou-se avaliar o conhecimento dos servidores voluntários do Hospital Universitário Julio Muller, em Cuiabá-MT, Brasil, sobre o diabetes, que foram convidados a realizar exame de glicemia.

A área de estudo é o Hospital Universitário Julio Muller que está localizado na Rua Luis Philipe Pereira Leite, s/nº, no bairro Alvorada em Cuiabá-MT, Brasil. É um hospital público federal, vinculado à Universidade Federal de Mato Grosso, onde oferece estágio aos estudantes de graduação das áreas de Medicina, Enfermagem, Nutrição, Biomedicina, entre outras.

Os funcionários são, na grande maioria, concursados efetivos, alguns são contratados por tempo determinado ou cedidos de outras instituições municipais ou estaduais e terceirizados.  Os funcionários exercem funções diversas.

O questionário foi aplicado aleatoriamente, assim como os exames dos mesmos.

Na investigação quantitativa descritiva, busca-se determinar como são e como se manifestam as variáveis em uma determinada situação, procurando descrever os fenômenos em estudo. A descrição pode ser mais ou menos profunda, se baseando na medição das variáveis, podendo-se formular hipóteses explícitas ou não.

O universo foram os profissionais que trabalham no Hospital Universitário Julio Muller, que voluntariamente se propuseram a participar da pesquisa, com exceção de menores.

A amostra do estudo é composta por trabalhadores voluntários do Hospital Universitário Julio Muller. São parte da amostra os funcionários que trabalham no Hospital Universitário Julio Muller, entre eles e na grande maioria concursados efetivos, alguns contratados por tempo determinado através de firma terceirizada, num total de 100 pessoas.

O questionário foi aplicado a 100 indivíduos, entre funcionários do Hospital Universitário Julio Muller, que corresponde a 10% do total de servidores da instituição.

Foi um estudo misto, ou seja, quali-quantitativo, onde foi entregue a cada participante um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (modelo anexo) e um questionário impresso com 13 (treze) perguntas relacionadas ao diabetes (modelo anexo), previamente elaboradas, que visam responder 3 (três) perguntas, e para cada pergunta analisou-se uma variável dependente e outra independente. Entre as 3 (três) perguntas principais, para cada pergunta há quatro (4) perguntas relativas a esse assunto, sendo elas 8 (oito) fechadas discursivas. Essas perguntas abertas permitem ao informante expressar-se livremente.

Em seguida, os participantes foram convidados a realizar exames para diagnóstico de glicemia.

O instrumento é o mecanismo que o investigador utiliza para coletar e registrar a informação. Em nosso estudo foi aplicado um questionário impresso, entregue em mãos pela pesquisadora ao participante, que respondeu individualmente, expondo seu conhecimento sem a ajuda de terceiros, podendo dispor de material de pesquisa, como literatura ou internet.

Esta Tese foi submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa. A pesquisa foi realizada no período de dezembro de 2011 a 30/abril/2012. Foram avaliados o grau de conhecimento sobre a doença, bem como realizados testes laboratoriais no referido período, buscando o conhecimento sobre o diabetes.

Os participantes foram convidados a participar da pesquisa, de forma voluntária, onde responderam ao questionário e assinaram o Termo de Consentimento.

A coleta da amostra foi realizada das dependências do Hospital Universitário Julio Muller (HUJM) de Cuiabá, MT.

Os participantes estavam em jejum entre 8-12 horas. As amostras biológicas foram coletadas pela pesquisadora utilizando a seguinte técnica: usa-se algodão com álcool 70% para assepsia. Agulha e seringa (descartáveis), perfurando-se a pele até alcançar a veia do braço, a fim de colher 5ml de sangue. Este procedimento pode causar leve desconforto, com um pouco de dor no local da punção, dependendo da sensibilidade de cada indivíduo, e raramente pode levar ao aparecimento de uma mancha escura ao redor da picada, causada pelo extravasamento de pequena quantidade de sangue (hematoma).

Foram preservadas as identidades dos participantes envolvidos nesta pesquisa, pois a identificação foi utilizada apenas para controle da coleta de dados.

Este estudo tem como objetivo avaliar o grau de conhecimento dos trabalhadores do Hospital Universitário Julio Muller de Cuiabá, MT, sobre o diabetes mellitus e suas consequências, bem como sobre a prevenção da doença, e se realizou com a autorização do diretor(a) Superintendente do Hospital estudado, e somente após passar pela aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital (CEP/HUJM), pois temos a preocupação de preservar e não comprometer as atividades rotineiras do hospital. 

4 RESULTADOS

Gráfico 1. Faixa etária.



A idade dos entrevistados ficou distribuída entre 22 e acima de 59 anos, sendo que 20,4% estão na faixa etária entre 22 e 30 anos, 50,5% encontram entre 31 e 50 anos e 29,0% entre 51 e 59 anos.


            Fonte: Resultado da Pesquisa.

 

Quanto ao turno de trabalho, 26,9% referem trabalhar no período matutino, sendo que 12,9% trabalham no período vespertino, 12,9% trabalham no período noturno, 26,9% trabalham nos dois turno (matutino e vespertino) e 20,4% não responderam em qual turno trabalham.

 

Gráfico 3. Peso dos participantes.


O fator peso foi relatado pelos participantes, sendo que 59,1% relatam estar com até 70 kg, seguidos de 34,4% entre 71 e 100 kg e 6,55 se encontram com peso acima de 100 kg.

 

Gráfico 4.  Altura dos participantes.


Fonte: Resultado da Pesquisa

 

A altura dos participantes ficou assim distribuída: 43,0% referem altura até 1,60m, seguidos de 37,6% entre 1,61m e 1,70m, 14,0% estão entre 1,71m e 1,80m e 5,4% referem altura acima de 1,81m.

Referente ao conhecimento sobre as complicações que a pessoa portadora de diabetes mellitus pode ter se ela não seguir orientações corretas do médico, 87,1% afirma conhecer, 11,8% não desconhecem as possíveis complicações, 1,1% não respondeu, sendo que 16,0% dos servidores não soube explicar quais seriam estas complicações.

Interessante observar que a grande maioria dos servidores descreve as principais complicações do diabetes como a cegueira, complicações renais e cardíacas, bem como a doença pode levar à morte do portador.

A abordagem que se refere ao stress, sedentarismo e vida agitada da rotina atual do indivíduo, onde muitas pessoas estão com predisposição a se tornarem pré-diabéticos, a maioria dos servidores participantes da pesquisa entende que cuidar da qualidade de vida (incluindo atividades físicas e boa alimentação), bem como seguir as orientações médicas são fatores importantes para a prevenção do pré-diabetes.

 

 

4.1 Análise dos resultados

 

Participaram da pesquisa 100 voluntários com idade adulta entre 20 e 59 anos, servidores do Hospital Universitário Julio Muller de Cuiabá-MT, homens e mulheres, visando avaliar o grau de conhecimento sobre o pré-diabetes e o diabetes.

Através do questionário, as variáveis analisadas foram o conhecimento do participante sobre a palavra diabete e pré-diabetes, a prática de atividade física, as refeições realizadas pelo indivíduo no decorrer do seu dia, a qualidade de sua alimentação, a freqüência de exames realizados, a família com diabetes, o conhecimento das complicações e prevenção do diabetes mellitus.

E através de testes laboratoriais, buscou-se identificar possíveis portadores da doença, sendo que os indivíduos identificados foram encaminhados ao programa de atenção à saúde da própria instituição para início do tratamento.

O conhecimento das possíveis causas é fundamental para que o indivíduo cuide da sua saúde. Além de fatores hereditários, outros fatores contribuem para a expansão do pré-diabetes, tais como o crescente número de obesos, níveis de estresse aumentados, alimentação irregular e inatividade física (sedentarismo). Atualmente o exercício físico, bem como a qualidade da alimentação, têm sido indicados como ferramentas na prevenção de doenças crônicas degenerativas, entre elas o pré-diabetes. 13

Pacientes diagnosticados com pré-diabetes ou diabetes mellitus devem seguir dieta rigorosa, com a modificação do estilo de vida, suspensão do fumo, se for o caso de fumante, aumento da atividade física, reorganizar os hábitos alimentares, baixo consumo de bebidas alcoólicas, tratar fatores de risco cardiovascular, tratar dislipidemia, medicamentos orais, insulina, entre outras providências, como busca do controle metabólico ideal no sentido de prevenir as complicações agudas e crônicas da doença. 14

Após análise do resultado do exame laboratorial, todos os participantes em que foram identificados uma glicemia de jejum entre ≥69 mg e ≤99 mg, resultados normais. Os que tiveram resultados entre 100 e 125 mg/dL foram reavaliados e submetidos a TOTG com 75g e foram coletadas 2 (duas) amostras de sangue, uma em jejum e outra 2 horas após sobrecarga com 75g e encaminhado à saúde ocupacional, conforme normatização para coleta, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes. 6

 

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

O diabetes mellitus é uma condição clínica que requer atenção especial dos profissionais de saúde. A identificação de indivíduos no estado de tolerância anormal à glicose requer intervenção terapêutica precoce, visando a prevenção do diabetes e de doença cardiovascular.

Modificações de estilo de vida, com adoção de hábitos alimentares saudáveis e prática de exercícios físicos rotineiros, deve ser sempre recomendado prioritariamente. A redução de 5% a 7% do peso deve ser estimulada.

Existem evidências científicas para apoiar o uso de drogas anti-hiperglicemiantes nos pacientes com pré-diabetes, que não conseguem atingir ou manter mudanças nos hábitos de vida. Contudo, o uso rotineiro de drogas deve ser ponderado e restrito aos pacientes que não obtêm êxito com as medidas não famacológicas instituídas.

Monitoramento para detectar precocemente a evolução para diabetes mellitus deve ser feito a cada um ou dois anos, e atenção deve ser dada à presença de outros fatores de risco cardiovascular que deverão motivar uma intervenção terapêutica mais contundente.

Infelizmente, a intervenção farmacológica ainda não tem se mostrado sustentável após a suspensão das drogas.

Maiores estudos se tornam necessários para constatar se o tratamento precoce do diabetes poderá adiar ou minimizar as complicações micro e macrovasculares relacionadas a esta patologia.

Em nosso estudo foi possível concluir que o conhecimento dos sujeitos entrevistados a respeito das complicações do DM é considerado satisfatório, pois a maioria dos entrevistados, independente da idade e do grau de escolaridade, responderam aos questionamentos a respeito do seu conhecimento de forma coerente da patologia.

Finalizando, enfatizamos que, embora não exista consenso, ao tratarmos o pré-diabetes estaremos prevenindo ou retardando o diagnóstico de Diabetes mellitus, a importância de intervir precocemente neste estado metabólico poderá evitar que “o doce açúcar possa amargar o coração”.

 


REFERÊNCIAS

 

1. Araújo, João R.; Martel, Fátima. Regulação da Absorção Intestinal de Glicose. Rev. ArquiMed, v. 23, n. 2, 2009.

 

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4. Brasil, República Federativa do. Organização Pan-Americana de Saúde. Painel dos Indicadores do SUS. Brasília: MS, 2006.

 

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6. Sbd. Sociedade Brasileira de Diabetes. Pré-diabetes. O que é isso? Disponível em: http://www.diabetes.org.br/tipos-de-diabetes/128. Acesso: 12 mai. 2011.

 

7. Fonseca; R.M.C.; Fonseca, L.C. Como diagnosticar e tratar o pré-diabetes. Publicado em: 29 ago. 2011. Disponível em: http://www.moreirajr.com.br/ revistas.asp.diabetes &gl=br. Acesso: 22 jul. 2011.

 

8. Weyer, C.; Bogardus, C.; Pratley, R. Metabolic characteristics of individuals with impaired fasting glucose and/or impaired glucose tolerance. Diabetes. 2004, Nov 48(11):2197-203.

 

9. Pitanga, F.J.G. Epidemologia da Atividade Física, Exercício Físico e Saúde. 2ed. São Paulo: Phorte, 2004.

 

10. Darnton-Hill, I.; Nishida, C.; James, W.P. A life course approach to diet, nutrition and the prevention of chronic diseases. Public Health Nutr 2004;7:101-21.

 

11. Brasil, República Federativa do. Ministério da Saúde. Coordenação da Investigação. Departamento de Atenção Básica da Secretaria de Políticas de Saúde. Diabetes e a reorganização da atenção. Informe da Atenção Básica. 2001. Publicado em: 2006 Jun. 2010. Disponível em: http://dtr2004.saude.gov.br/dab/docs/publicacoes/informes/psfinfo6.pdf. Acesso: 22 mai. 2011.

 

12. Mato Grosso. Secretaria Estadual de Saúde de Mato Grosso (SES). Coordenadoria de Ações Programáticas e Estratégicas. SES-MT, 2006. Relatório sobre Ações de Prevenção e Controle da Hipertensão Arterial e Diabetes em Mato Grosso. Cuiabá: UFMT, 2007.  

 

13. Silva, F.C. da. O exercício aeróbio como intervenção terapêutica no controle do diabetes mellitus tipo 2. Tubarão: UNISUL, 2008.

 

14. Pitta GBB, Castro AA, Burihan E. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado. Maceió: UNCISAL/ECMAL/LAVA. Disponível em: http://www.lava.med.br/livro. Acesso: 12 fev. 2012.