Práticas educativas de serviços de saúde como prevenção e controle de infecção hospitalar: importância da educação na assistência materno-infantil de um hospital universitário público – Cuiabá - MT

Por Adriana de Sousa 05/09/2018 - 15:06 hs

Foto: Reprodução

Adriana de Sousa Viana[1]


RESUMO

 

Este artigo tem por objetivo demonstrar a percepções de profissionais de saúde relativas as práticas educativas de serviço de saúde como prevenção e controle de infecção hospitalar: Importância da educação na assistência materno-infantil de um hospital universitário público. O inquérito foi realizado em duas etapas. Na primeira foi aplicado o questionário que se destinou à coleta de dados quali-quatitativos, buscando de forma objetiva e direcionada as percepções sobre a importância da educação em saúde, fatores e práticas que interferem na prevenção e controle de infecção hospitalar, na segunda realizamos entrevista estruturada com questões subjetivas para 10 estudos de caso dentre as 50 pessoas da amostra, que serviu para coleta de dados qualitativos. A equipe de enfermagem do serviço materno-ínfantil do HUJM demonstra conscientização, empenho e preocupação sobre a temática do estudo. De modo geral, a educação é a principal forma de divulgação e disseminação de conhecimento e informações sobre o problema da IH. Os resultados contribuirão para que os trabalhadores de enfermagem reflitam sobre sua práxis considerando a integralidade, as possibilidades e exercer o cuidado sem fragmentá-lo em tarefas e/ou procedimentos e também para definir novas modalidades, mecanismos e instrumentos da capacitação em serviço em articulação com a diretoria e gerência de enfermagem.

 

Palavras-Chave: Educação e Saúde, Infecção Hospitalar, Equipe de Enfermagem

 

[1] Artigo extraído da Tese de Doutorado em Ciências da Educação na Universidad Tecnica de Comercialización y Desarrollo, Paraguay, 2013.

[1] Autor – Doutora em Ciências da Educação pela Universidad Tecnica de Comercialización y Desarrolo.  adrianaufmt@yahoo.com.br


HEALTH SERVICES EDUCATIONAL PRACTICE AS A PREVENTION AND CONTROL OF HOSPITAL INFECTION: THE IMPORTANCE OF EDUCATION IN MATERNAL AND CHILDHOOD ASSISTANCE OF A PUBLIC UNIVERSITY HOSPITAL - CUIABÁ – MT [2]

 

 

Adriana de Sousa Viana [3]

 

 

ABSTRACT

This article aims to demonstrate the perceptions of health professionals regarding educational practices of health service as prevention and control of hospital infection: Importance of education in maternal and child care of a public university hospital. The survey was conducted in two stages. In the first one, the questionnaire was applied to collect qualitative and quantitative data, aiming objectively and directed at the perceptions about the importance of health education, factors and practices that interfere in the prevention and control of hospital infection. in the second, we conducted a structured interview with subjective questions for 10 case studies among the 50 people in the sample, which served to collect qualitative data. The HUJM maternal-infant nursing team demonstrates awareness, commitment and concern about the study's theme. In general, education is the main way of propagation and disseminating knowledge and information about the IH problem. The results will help nursing workers to reflect on their praxis considering the integrality, the possibilities and exercise care without fragmenting it into tasks and / or procedures and also to define new modalities, mechanisms and instruments of in-service training in articulation with the board and nursing management.


Key Words: Education and Health, Hospital Infection, Nursing Team

 [1] Article extracted from the Doctoral Thesis on Education Sciences in Ciências da Educação na Universidad Tecnica de Comercialización y Desarrollo, Paraguay, 2013.

[1] Autor – PhD in Educational Sciences by  Universidad Tecnica de Comercialización y Desarrolo.  adrianaufmt@yahoo.com.br


INTRODUÇÃO


Atualmente, a Infecção Hospitalar (IH) é um dos grandes problemas da saúde pública e para a prática assistencial, é a mais freqüente e grave complicação que acomete pacientes hospitalizado, causam aumento na morbidade, na mortalidade e no tempo de internação dos pacientes; também acarretam mudança nos padrões de resistência microbiana; e conseqüente elevação nos custos assistenciais. A busca da prevenção e da redução das infecções hospitalares (IHs), o conhecimento dos mecanismos de transmissão aliados à ampliação dos recursos diagnósticos laboratoriais tracejou medidas objetivas para o controle, contudo, se faz indispensável à conscientização e adesão dos profissionais a esta prática, uma vez que um dos maiores índices de transmissão ocorre pelas mãos.


A educação em saúde é de essencial importância na qualificação e aprimoramento das ações de saúde de seus praticantes, buscando sempre alternativas e soluções para os problemas de saúde vivenciados pelos trabalhadores em suas realidades. Deste modo, sendo a prevenção e o controle da infecção hospitalar um fator disciplinador da atividade profissional dentro de uma instituição de saúde, a existência de diferentes percepções é que devem nortear a ação educativa.


No ambiente hospitalar alguns microorganismos possuem a capacidade de se aderirem a diversos materiais que são utilizados na assistência ao paciente, contaminando-os podendo assim elevar expressivamente as chances do estabelecimento de infecções. Se determinados cuidados durante a assistência direta e indireta aos pacientes internados, fossem realizados de forma adequada, muitas dessas infecções poderiam ser evitadas. A higienização das mãos é a ação mais importante para a prevenção e o controle da infecção hospitalar (IH), pois é principalmente por meio das mãos que microorganismos são levados de um paciente para outro. Medidas educativas e recursos são necessários para incorporar essa prática em todos os níveis da assistência hospitalar.


Os métodos de controle das infecções hospitalares refletem a formação e o grau de empenho dos profissionais de saúde, de modo que sua efetivação se dá pela adoção das medidas de precauções padrão, já que o emprego destas condiciona a segurança e proteção pessoal do profissional, redução da propagação dos microrganismos e, por consecutivo da infecção. Em hospitais, os serviços prestados pelos profissionais da enfermagem devem ser realizados de forma coletiva, é considerado um instrumento indispensável em suas atuações e a integração entre os membros da equipe pode interferir na qualidade da assistência, favorecendo o aumento dos riscos de infecção, afetando a recuperação do paciente.


O déficit de pessoal também é considerado como possível fator de risco para aquisição de IH, pois, a equipe de enfermagem é o grupo mais numeroso e que fica mais tempo em contato com o doente internado, é fundamental nas ações de prevenção, detecção e controle da infecção hospitalar, por isso é imprescindível que a equipe seja composta por quantidade suficiente de profissionais, de acordo com o número de leitos da instituição.


A incidência dos maiores índices de infecção hospitalar (IH) acontece em hospitais de ensino ou universitários, em comparação a outros hospitais. Por serem núcleos formadores de profissionais de diferentes áreas, contam com grande numero de pessoas, variedade de doenças, realização de procedimentos de alta complexidade, aliado a longos períodos de internação e do contato de pacientes com múltiplos profissionais da saúde, e ainda existe como fator agravante a insuficiente habilidade técnica de estudantes em realizar procedimentos invasivos.


A padronização nos atendimentos à saúde beneficia o controle da qualidade da assistência prestada, sabe-se que, quando há rotinas e procedimentos normatizados, torna-se mais fácil a supervisão do trabalho e controle de infecções, bem como, a interferência quando necessária. A administração do estabelecimento de saúde deve contar com apoio técnico para a obtenção correta de materiais e equipamentos utilizados na unidade assistencial, sendo de fundamental importância, a avaliação em relação à sua especificidade, qualidade e quantidade necessária à prestação de serviços. A adequação do espaço físico hospitalar ocasiona grandes benefícios para a instituição, pois o aproveitamento dos espaços desonera gastos desnecessários, auxilia o processo de cura do paciente e evita dispersão de doenças infecto-contagiosas.


Porém com todo o conhecimento e tecnologia que temos disponível, incluindo várias medidas profiláticas eficazes, ainda nos deparamos com a triste realidade do imenso problema de tornar as ações de prevenção e controle das infecções práticas rotineiras nas instituições de saúde. Então, o que nos serviu de estímulo para realizar este estudo, foi perceber o quanto o assunto é abrangente e está associado à educação e conhecimento direto, por parte da comunidade e equipe de saúde que assiste pacientes hospitalizados.


Considerando a dimensão atual das infecções relacionadas aos serviços de saúde, destaca-se a importância deste artigo, que busca investigar a importância do conhecimento sobre prevenção de infecções hospitalares através da concepção dos profissionais de saúde da equipe da Assistência Materno-infantil do HUJM.  Portanto se justifica pela importância do aprofundamento sobre a questão da prevenção e controle de IH junto à equipe de enfermagem. Como a percepção é pessoal e intransferível, foi importante verificar como este grupo específico vivencia alguns fenômenos Os resultados contribuirão para que os trabalhadores de enfermagem reflitam sobre sua práxis considerando a integralidade, as possibilidades e exercer o cuidado sem fragmentá-lo em tarefas e/ou procedimentos e também para definir novas modalidades, mecanismos e instrumentos da capacitação em serviço em articulação com a diretoria e gerência de enfermagem.

 

INFECÇÃO HOSPITALAR – IH

 

Define-se como Infecção Hospitalar (IH), aquela adquirida pelo paciente após sua admissão hospitalar, mesmo que se manifesta após a alta, desde que relacionada com a hospitalização. Se o período de incubação for desconhecido e não houver evidência clínica ou laboratorial de infecção no momento da admissão, será considerado como infecção hospitalar, a manifestação clínica correspondente que ocorra após 72 horas de internação. No entanto, se o processo infeccioso estiver relacionado com os procedimentos diagnósticos e/ou terapêuticos praticados e se manifestar antes desse período, também, será considerado como hospitalar (OLIVEIRA, 2005).


Segundo Portaria nº 2.616, de 12 de maio de 1998, do Ministério da Saúde (MS), a  Infecção Hospitalar (IH) é aquela adquirida após a admissão do paciente e que se manifeste durante a internação ou após a alta, quando puder ser relacionada com a internação ou procedimentos hospitalares (BRASIL, 1998).


Tal Portaria apresenta, também, os critérios gerais que auxiliam na definição das infecções hospitalares. Os critérios, elencados pelo Ministério da Saúde são:


• Quando, na mesma topografia em que foi diagnosticada infecção comunitária (infecção comunitária é aquela constatada ou em incubação no ato de admissão do paciente, desde que não relacionada com internação anterior no mesmo hospital), foi isolado um germe diferente, seguido do agravamento das condições clínicas do paciente;


• Quando se desconhecer o período de incubação do microrganismo e não houver evidência clínica e/ou dado laboratorial de infecção no momento da internação, convenciona-se infecção hospitalar toda manifestação clínica de infecção que se apresentar a partir de 72 (setenta e duas) horas após a admissão; • são também convencionadas infecções hospitalares aquelas manifestadas antes de 72 (setenta e duas) horas da internação, quando associadas a procedimentos diagnósticos e/ou terapêuticos, realizados durante este período;


• As infecções nos recém-nascido são hospitalares, com exceção das transmitidas de forma transplacentária e aquelas associadas a bolsa rota superior a 24 (vinte e quatro) horas;


• Os pacientes provenientes de outro hospital que internam com infecção, são considerados portadores de infecção hospitalar do hospital de origem. Para o hospital onde interna, é considerada como infecção comunitária.


Caracterizar os casos de infecção hospitalar, a partir destes critérios é de extrema relevância, pois o cálculo das taxas de infecção hospitalar encontra, nesta caracterização, um dos dados que permite sua elaboração.


Apesar de todas as pesquisas e esforços, a infecção hospitalar (IH) firmou-se como um problema de saúde pública de grande impacto para as instituições de saúde, assombrando a grande maioria dos profissionais por sua alta incidência, taxa crescente de mortalidade e aumento dos custos financeiros


As infecções hospitalares advém, em parte, de situações especiais do corpo humano, as quais causam alterações na condição orgânica e imunológica do paciente/cliente, deixando-os mais suscetíveis, na relação com o ambiente hospitalar, à adquirir infecções (extremos de idade, doenças imunossupressoras, entre outros). Por outro lado, advém desta mesma relação, com a organização do trabalho que se mostra diretamente na ação do trabalhador, que justifica, através da necessidade apresentada pelos indivíduos, a utilização de procedimentos invasivos, no processo de cuidados diretos (SANTOS, 1997).


As IHs geralmente são provocadas pela própria microbiota bacteriana humana, que se desequilibra com os mecanismos de defesa antiinfecciosa em decorrência da doença, dos  procedimentos invasivos e do contato com a flora hospitalar (SANTOS, 2004).


Boa parte das infecções são decorrente de tratamentos invasivos modernos que também funcionam como uma porta de entrada para bactérias. Por isso, nem os centros mais desenvolvidos estão livres desse mal. Portanto não existe nenhum hospital com índice zero de infecção hospitalar, o que existe são níveis aceitáveis.


No ambiente hospitalar, existem setores com mais riscos para infecção hospitalar, unidades chamadas de áreas críticas, como, por exemplo, a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), e o Centro Cirúrgico (CC). São setores onde o paciente se encontra em estado clínico comprometido, necessitando de intervenções agressivas, necessárias para sua recuperação. Porém o risco para infecção hospitalar pode estar na mão do profissional, na técnica inadequada, nos equipamentos do ambiente hospitalar. Contrapor-se a essa falha é função da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar.


As áreas de hospitais pediátricos, conhecidos como de maior risco para o desenvolvimento de infecções nosocomiais são as unidades pediátricas de terapia intensiva e neonatal, nos locais onde se atende os pacientes com deficiência imunológicas, as áreas cirúrgicas e onde se realizam métodos diagnósticos e terapêuticos invasivos. As crianças são particurlamente susceptíveis às infecções nosocomiais, o que depende de vários fatores, como: os serviços do hospital, idade, estado nutricional, tratamentos prévios, especialmente quando se tem utilizado, indiscriminadamente, antimicrobianos de amplo espectro. A procedência dos pacientes, dos serviços da Medicina, Cirurgia, e de Terapia Intensiva são relacionadas às enfermidades subjacentes e ao período de permanência prolongado que têm esses pacientes.


O recém-nascido está sujeito a infecções nosocomiais por sua imaturidade fisiológica e imunológica. A pneumonia nosocomial é a segunda mais freqüente infecção nosocomial e representa uma significativa causa de morte por infecção adquirida em hospitais. Tudo isso, resulta consideravelmente em altas taxas de mortalidade e morbidade, especialmente em pacientes pediáticos.

As IHs representam grandes transtornos para a instituição e pacientes nela internados devido a letalidade significativa, sendo, responsável, direta ou indiretamente, por elevação das taxas de morbidade e mortalidade.

 

INFECÇÃO HOSPITALAR EM HOSPITAIS UNIVERSITÁRIOS

 

O hospital é uma unidade de produção de cuidados médicos, congregando profissionais, saberes, tecnologias e infra-estruturas materiais, onde se superpõem três modelos de organização dos cuidados: o modelo de serviço doméstico, relacionado à hotelaria e à produção de serviços; o modelo de intervenção médica; o modelo de interação terapêutica, onde se destaca o trabalho da enfermagem, que desempenha uma função de constante informação sobre o cotidiano do paciente e nas práticas hospitalares, pode até intervir pontualmente no diagnóstico e tratamento médico, pelas informações fornecidas, mas sem efetivamente integrar o processo de enfermagem com os cuidados médicos, existindo predominantemente uma relação de comando e execução entre médicos e enfermeiros (Carapinheiro, 1998).


As taxas de IH variam entre as instituições, mas apresentam-se maiores nos estabelecimentos de ensino e de grande porte, locais onde ocorre circulação de intenso número de pessoas. Contrapondo-se a este aspecto negativo, tais serviços formam recursos humanos, disseminando pesquisas e conhecimentos.


Pesquisas demonstram que os maiores índices de infecções hospitalares ocorrem em hospitais de ensino ou universitários em comparação a outros hospitais, devido à ampla variedade de doenças, à realização de procedimentos de alta complexidade, aos longos períodos de internação e ao intenso contato de pacientes com diversos profissionais da saúde, incluindo-se estudantes. Como fator agravante da situação destaca-se, ainda, a insuficiente destreza técnica de estudantes em realizar procedimentos invasivos e manipulação adequada do paciente.


Algumas variáveis mais específicas podem ser relacionadas ao fato dos hospitais de ensino serem mais vulneráveis às infecções hospitalares. O fato de estas instituições oferecerem assistência gratuita, atrai uma clientela usuária pertencente a uma camada populacional mais carente economicamente, que, além da doença específica, traz consigo carências concernentes ao seu estado nutricional e higiênico, refletindo em debilidades no sistema imunológico.

Outro fator relevante, também é a multiplicidade de doentes com diagnósticos diferenciados, associados aos mais diversos níveis de gravidade e/ou complicações. Os hospitais de ensino, normalmente, albergam os pacientes mais graves, por serem hospitais de referência nas regiões onde se localizam. Somam-se, ainda, equipamentos sofisticados, de alta tecnologia e, teoricamente, maiores recursos terapêuticos.


Em cumprimento a objetivos didáticos, o tempo de permanência dos pacientes em hospitais de ensino, é mais prolongado do que em outras instituições. Vários estudos têm mostrado que quanto maior o tempo de hospitalização, maior é o risco de se adquirir infecções hospitalares. Para os pacientes em tratamento cirúrgico, é recomendada internação pré-operatória mais breve possível, evitando-se a colonização deste paciente com os microrganismos presentes no ambiente hospitalar.


Outro fator a ser considerado, é que nos hospitais universitários, há um elevado número de pessoas, desempenhando diversas atividades, desde funcionários da instituição, até estudantes de diferentes níveis e cursos, gerando crescimento do fluxo de entrada e permanência de pessoal no ambiente hospitalar, todos eles de forma direta ou indireta mantêm contato com os pacientes.


Apesar de todos esses aspectos mencionados e de outros, entendemos que, os hospitais de ensino desempenham um importante papel social, dentro do contexto da educação e da assistência à saúde, de incomparável e estimável relevância. Os pacientes que se encontram internados em instituições de saúde estão expostos a uma multiplicidade de microrganismos patógenos, principalmente em Unidades de Terapia Intensiva, cujo risco de infecções é mais elevado do que em outros setores, de pacientes internados, propiciando o surgimento de infecções hospitalares e contribuindo com o aumento das taxas de mortalidade de acordo com o perfil do paciente internado.


Por causa destes e de outros fatores, a instituição de programas de vigilância e controle de infecções hospitalares, atendendo também ao aspecto legal, é indispensável em todas as instituições hospitalares, principalmente, nas instituições de ensino, que deveriam ser exemplos e funcionar como modelo a ser seguido pelos alunos, futuros profissionais que se formarão nestas instituições.

 

O Hospital Universitário Júlio Müller

 

O Hospital Universitário Júlio Müller foi criado no âmbito da Universidade Federal de Mato Grosso, pelo Conselho Diretor da Fundação, através da Resolução n° 94/CD/83 de 21/11/1983, é o único hospital essencialmente público de Cuiabá-MT que atende, plenamente, somente pacientes referenciados pelo SUS. Serve de campo de estágio de alta qualidade para os estudantes de Medicina, Nutrição, Enfermagem, Fisioterapia e Serviço Social, entre outros. Apóia fundamentalmente os Programas de Residência Médica (PRM) em Clínica Médica, Cirurgia Geral, Obstetrícia e Ginecologia, Anestesiologia e Pediatria, todos credenciados, até hoje, sem restrições.


Em 2001 implantou-se o Programa de Residência Médica em Infectologia. Implantados os Programas de Medicina da Família, de Neonatologia, além do PRM em Urologia. Todos esses PRMs são desenvolvidos sob a responsabilidade da Faculdade de Ciências Médicas.


O HUJM conta com um Serviço Materno Infantil que presta assistência integral, humanizada e de qualidade às gestantes, parturientes e recém-nascidos de todo o estado de mato grosso e também de outros estados. É formado por clínica obstétrica com alojamento conjunto (mãe e filho juntos), UTI Neonatal e Clínica Pediátrica.  Na UTI neonatal ficam de plantão 24 horas, 1 enfermeira, 5 técnicos em enfermagem, 1 fisioterapeuta e 1 médico que tem a responsabilidade de cuidar de qualquer necessidade do bebê, prestando auxílio à sua saúde e desenvolvimento.

 

Programa de Controle de Infecção Hospitalar (PCIH)

 

A prevenção e o controle das infecções hospitalares exigem a aplicação sistemática de medidas técnicas e administrativas, orientadas por informações obtidas por meio de sistemas de vigilância epidemiológica e de monitoramento de indicadores de processos. Enquanto a responsabilidade pela aplicação dessas medidas é, principalmente, das gerências e das equipes locais, o planejamento das mesmas está a cargo do Núcleo de Controle de Infecção Hospitalar (NCIH) e da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), que elaboram anualmente o Programa de Controle de Infecção Hospitalar (PCIH) (BRASIL/ANVISA, 2002).


O NCIH, constituindo uma equipe operativa de gestores (ou equipe de gestão participativa) e desenvolvendo um modelo de controle de infecção hospitalar centrado na gestão participativa, na educação permanente e no planejamento ascendente. O planejamento, a execução, a análise dos dados e a divulgação são basicamente da responsabilidade do NCIH Entre as responsabilidades esta em estabelecer o acordo prévio com os gestores (equipe operativa de gestores), manter visitas médicas e de enfermagem nas UTIs e torná-las mais freqüentes nos setores: Cirurgia, Ortopedia, Ginecologia e Obstetrícia, Clínica Médica, Nefrologia e Emergência, priorizar a identificação e a discussão de casos clínicos ou situações epidemiologicamente importantes junto às equipes, desenvolver a participação das equipes e aproximar as informações da vigilância de infecção do trabalho das equipes, gerando co-responsabilização pelos resultados, priorizar a vigilância transversal e otimizar a coleta de dados e manter a supervisão sistemática de estruturas e processos.


 A CCIH esta ligada diretamente nas prioridades educativas, a partir das ações de vigilância e cooperação com o setor de desenvolvimento e treinamento de recursos humanos dos hospitais, na identificação das necessidades de treinamento. Também auxilia na elaboração e execução de projetos, atendendo às solicitações da educação continuada, da administração e demais departamentos do hospital, fornecendo pareceres, subsídios técnicos, legais e éticos, auxiliando-os na tomada de decisões em assuntos relacionados ao controle das infecções hospitalares. Deve colaborar com a elaboração e revisão de manuais do hospital, no que estiver relacionado às IH, seus fatores de risco e as medidas de controle. Particularmente, CCIH deve difundir e supervisionar entre os profissionais de saúde o hábito da higiene das mãos, medida fundamental para o controle de infecção, mas freqüentemente negligenciada (Hoffmann e Clontz, 2004).  


O PCIH esta ligado as ações permanentes, geralmente definidas em legislação e normas técnicas sobre o controle de IH, e as ações temporárias, frutos do planejamento estratégico, da análise periódica das informações da vigilância epidemiológica ou da necessidade evidente de solucionar certas situações. Dentro as atribuições do PCHI, estão as atividades fundamentais, vigilância de infecção hospitalar, educação permanente em controle de IH e as medidas preventivas de IH.


As atividades fundamentais do PCIH, são divididas em quatro conjuntos principais, que se relacionam entre si e com possibilidade de reforço a partir do envolvimento das equipes e da intensidade da participação, podemos citar: a vigilância (sistema de informação: indicadores de processos e resultados), educação permanente (inclui elaboração de normas / protocolos e discussão de casos clínicos), uso racional de antimicrobiano e supervisão sistemática de estruturas e processos (Hoffmann e Clontz, 2004).


A vigilância de infecção hospitalar esta relacionada a observação sistemática e ativa da ocorrência distribuição da infecção na população de pacientes internados e dos eventos ou condições que aumentam ou diminuem o risco de sua ocorrência. A colheita de dados, a consolidação, a análise e a divulgação dos mesmos devem servir de base para estabelecer níveis endêmicos, identificar surtos, sensibilizar profissionais de saúde e administradores sobre a necessidade do controle e avaliar as medidas implantadas. A vigilância para o controle das IH, deve ser fundamentada em objetivos específicos: longitudinal (dirigida aos setores, aos sítios, aos procedimentos reconhecidamente de maior risco para infecção, e também a agentes específicos) e transversal (aplicada globalmente ou sequencialmente em alguns setores de internação)..


A educação permanente, em controle de IH esta relacionada ao desenvolvimento regular e sistemático de atividades educativas, visando mudanças no processo de trabalho para a qualidade e o aperfeiçoamento contínuo da equipe de saúde, dentro de um Programa de Educação Permanente, é uma atribuição das gerências setoriais. O NCIH, auxilia o desenvolvimento dessas atividades junto às Chefias Médicas, Supervisores de Enfermagem e Chefes de Setores, oferecendo o Treinamento em Controle de Infecção Hospitalar. Este treinamento, voltado para o nível médio ou superior, é aplicado setorialmente, em pequenas equipes e é dividido em dois blocos:


1. Básico: precauções antiinfecciosas universais ou básicas (limpeza das mãos, barreiras técnicas, biossegurança) e precauções adicionais ou isolamento  hospitalar. Este bloco constitui o treinamento mínimo obrigatório que todos os setores envolvidos com a assistência ao paciente devem desenvolver. O programa de educação permanente de cada unidade ou setor deve prevê-lo em seu cronograma e ele é aplicado em parceria envolvendo as equipes locais.


2. Específico: conforme a necessidade de cada equipe (por exemplo: processamento de artigos e superfícies, controle de bactérias multirresistentes, prevenção de infecções relacionadas a cateteres vasculares, de infecção urinária, de pneumonia, infecções cutâneas). Este bloco é desenvolvido conforme o programa de educação permanente de cada unidade ou setor e adquire maior efetividade quando sustentado pela equipe operativa de gestores.


Nesta situação, além do treinamento, são planejados conjuntamente os processos de atualização de normas e rotinas, de avaliação e de supervisão sistemática.  Para os objetivos da educação permanente, é necessária a elaboração ou a atualização das Normas Técnicas conjuntas de setores e serviços estratégicos.


As medidas preventivas de IH, esta relacionada as medidas objetivas para o controle da IH. Existem as infecções não passíveis de prevenção, que dependem basicamente das condições clínicas e da resposta imunológica do paciente porém, existem as infecções passíveis de prevenção, que são aquelas que podem ser controladas e reduzidas a níveis aceitáveis, através de treinamento e avaliação constante da equipe. Isso é conseguido com educação continuada, com o uso de técnicas assépticas, com a higienização constante das mãos.


O conhecimento dos mecanismos de transmissão, aliados a ampliação dos recursos diagnósticos laboratoriais, delinearam medidas objetivas para o controle. Entre os principais meios de prevenção incluem-se a lavagem de mãos, isolamento de doenças transmissíveis e medidas específicas para cada sítio de infecção. A prevenção das infecções hospitalares deve constituir o objetivo de todos os profissionais de saúde. As mãos devem ser lavadas imediatamente antes de cada contato direto com o paciente e após qualquer atividade ou contato que potencialmente resulte em nova contaminação. Devem ser lavadas com técnicas adequadas, que envolve a aplicação água antes do sabão líquido, que deve ser aplicado com as mãos úmidas e ocupar toda a superfície das mãos. Estas devem ser friccionadas vigorosamente, no mínimo por 10 a 15 segundos, com particular atenção para a região entre os dedos e as unhas. A utilização sabão com antimicrobianos (clorexidina, iodo entre outros) para lavagem rotineira das mãos reduz transitoriamente a microbiota da pele e é recomendada em unidades de terapia intensiva, unidades de imunodeprimidos e surtos. O uso do álcool-gel está indicado em locais e procedimentos em que ocorra dificuldade para a lavagem das mãos.


Outras medidas devem ser tomadas como prevenção da IH, como o uso de luvas, máscara, óculos de proteção, avental e cuidados com a utilização de agulhas. As luvas estéreis e não-estéreis (procedimentos) devem ser disponíveis em todas as áreas clínicas. As luvas não-estéreis devem ser utilizadas como proteção do profissional como para coleta de sangue ou para potenciais contatos com sangue e secreções, e quando indicadas para procedimentos não-estéreis em pacientes em isolamento de contato. A máscara, óculos de proteção e avental devem ser usados em procedimentos com risco de contato com sangue ou secreção no rosto e nos olhos (cirurgias, intubação, drenagem, entre outros). As agulhas não devem ser reencapadas. Agulhas e outros materiais perfurocortantes devem ser descartados em recipientes próprios com paredes rígidas e impermeáveis. Nunca descartar material perfurocortante em sacos de lixo.

 

Educação em saúde NO CONTROLE DA IH

 

A educação em saúde é um campo multifacetado, para o qual convergem diversas concepções, das áreas tanto da educação, quanto da saúde, as quais espelham diferentes compreensões do mundo, demarcadas por distintas posições político-filosóficas sobre o homem e a sociedade. Capacitar indivíduos a aprender durante toda a vida e se preparar para todos os estágios requer o desenvolvimento de habilidades que podem incluir a dimensão individual/familiar ou dinâmicas grupais, organizacionais e ações políticas (Pagliuta, Cezario, 2011).


Uma educação em saúde ampliada inclui políticas públicas, ambientes apropriados e reorientação dos serviços de saúde para além dos tratamentos clínicos e curativos, assim como propostas pedagógicas libertadoras, comprometidas com o desenvolvimento da solidariedade e da cidadania, orientando-se para ações cuja essência está na melhoria da qualidade de vida e na ‘promoção do homem’.


Atualmente persistem diversos modelos ou diferentes paradigmas de educação em saúde, os quais condicionam diferentes práticas, muitas das quais reducionistas, o que requer questionamentos e o alcance de perspectivas mais integradas e participativas. Verifica-se que, dentre esses modelos, duas dimensões se destacam e persistem atualmente. Uma primeira envolve a aprendizagem sobre as doenças, como evitá-las, seus efeitos sobre a saúde e como restabelecê-la. A outra tendência, caracterizada como promoção da saúde pela Organização Mundial da Saúde (OMS), inclui os fatores sociais que afetam a saúde, abordando os caminhos pelos quais diferentes estados de saúde e bem-estar são construídos socialmente.

 

METODOLOGIA

 

Este estudo se constituiu em uma pesquisa quali-quantitativa, baseada nos pressupostos da revisão de literatura e na aplicação de questionário aos 50 (cinqüenta) servidores de saúde da equipe de enfermagem do Serviço Materno Infantil do HUJM, sujeitos desta pesquisa, sendo 10 enfermeiros, 30 técnicos de enfermagem e 10 auxiliares de enfermagem. Posteriormente optou-se por ampliar a abrangência do instrumento para a coleta de dados qualitativos, incluindo a aplicação de entrevista em 10 (dez) estudos de caso. O Serviço Materno-Infantil do HUJM, tem como componente de sua estrutura, os setores de Terapia Intensiva Neonatal, Clínica Pediátrica e Clínica de Ginecologia e Obstetrícia, em sua estrutura física conta com 53 leitos e 75 servidores de saúde. Este estudo está de acordo com os preceitos éticos da pesquisa científica.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

 

No primeiro momento da investigação obtemos resultados da caracterização do perfil dos 50 (cinqüenta) sujeitos desta investigação. Observa-se a predominância dos profissionais de enfermagem do serviço materno-infantil 49 (98%) do sexo feminino e 1 (2%) do sexo masculino, situação bastante comum no serviço de enfermagem. Em relação ao nível de escolaridade os sujeitos envolvidos na pesquisa são instruídos, sendo que 9 (18%) tem o Ensino Médio, 10 (20%) com Ensino Superior e a predominância do grau de instrução em pós-graduação é claramente perceptível, 31 (62%) sujeitos, não poderia ser diferente visto que a instituição conta com um plano de cargos e carreiras que incentiva os servidores a se qualificarem para obtenção de melhorias salariais. O grau de escolaridade dos profissionais demonstra a percepção da equipe de que a educação é o melhor caminho para fazer frente à crescente incorporação de novas tecnologias e mudanças na divisão técnica do trabalho. Quanto a ocupação profissional, 10 (20%) são Auxiliares de Enfermagem, 30 (60%) Técnicos de Enfermagem e 10 (20%) são Enfermeiros.


A equipe de enfermagem demonstra conscientização, empenho e preocupação sobre a temática do estudo. No que tange as práticas educativas de serviço de saúde do controle de Infecção Hospitalas (IH), 48 (96%) dos servidores participam ou freqüentam as ações educativas permanentes adotadas pela instituição, tais como cursos, palestras e reuniões, de atualização de conhecimentos na área da saúde, e 2 (4%) não participam de nenhuma medida educativa. Cabe observar que nas instituições de saúde as atividades educativas devem ser voltadas para a realidade da instituição e da necessidade do servidor, proporcionando o desenvolvimento profissional e influenciando na qualidade da assistência de enfermagem.


A participação nas medidas de educação em saúde é importante e necessária porque capacita os profissionais a agirem conscientemente diante da realidade cotidiana, com aproveitamento de experiências anteriores, tendo sempre em vista a integração, continuidade, democratização do conhecimento e o progresso na melhoria assistencial. A maioria dos membros da equipe de enfermagem 41 (82%), consideram que a participação nas medidas educativas é importante para prevenção e controle da infecção hospitalar e 9 (18%) não.


Em relação a IH, sabemos que os microorganismos podem produzir toxinas, que são nocivas para as células humanas, se estiverem presentes em grande quantidade e a pessoa afetada não estiver imunizada contra elas, o resultado é a doença, e a assistência de enfermagem deve ter conhecimento sobre o mecanismo de ação dos microorganismos infectantes no corpo humano. Neste sentido, constatamos que 50 (100%) dos entrevistados possuem este conhecimento tão importante na arte do cuidar.

Os microrganismos são transmitidos no hospital por vários meios: por contato, gotículas, via aérea, por meio de um veículo comum ou vetores. O contato é o mais freqüente meio de transmissão de infecções hospitalares, pode ocorrer através das mãos dos profissionais; através das luvas quando não trocadas entre um paciente e outro; pelo contato entre pacientes sem a devida lavagem das mãos e também através de instrumentos contaminados. Dos 50 (100%) dos entrevistados responderam saber como evitar o processo de transmissão de infecção hospitalar profissional-paciente.


A IH está associada à contaminação, em especial de materiais e equipamentos hospitalares, e nas ações comportamentais básicas e fundamentais da equipe de enfermagem na prevenção e controle das infecções hospitalares. Estes meios devem ser valorizados como determinantes das infecções hospitalares. Assim a adoção das precauções padrão, no processo de assistência direta ou indireta ao paciente, devem ser seguidas no manuseio de todos os pacientes, independente da suspeita ou não de infecções.


Neste sentido 43 (86%) dos membros da equipe de enfermagem responderam que adotam precauções padrão de lavar e friccionar as mãos com álcool 70% antes e após o contato com qualquer paciente, usam luvas quando há risco de contato com sangue, secreções ou membranas mucosas, usam luvas antes do contato com o paciente e retiram logo após o uso e higienizam as mãos em seguida, usam óculos, máscara e/ou avental quando há risco de contato de sangue ou secreções, para proteção da mucosa de olhos, boca, nariz, roupa e superfícies corporais, fazem o descarte em recipientes apropriados de seringas e agulhas, sem desconectá-las ou reencapá-las, e 7 (14%) responderam não fazem essas medidas de proteção-padrão.


A adoção de medidas de proteção-padrão é importante para prevenir a aquisição das doenças como: hepatite B, hepatite C, citomegalovírus, vírus da imunodeficiência humana adquirida (HIV), sífilis, doença de chagas, influenza, herpes, além de doenças menos freqüentes, principalmente na presença de fluídos corpóreos ou sangue. Dos profissionais da enfermagem do Serviço de Materno-Infantil, 44 (88%) responderam que ao utilizarem as medidas de precauções padrão se sentem mais seguros para realizarem os procedimentos com os pacientes e 6 (12%) responderam que não. Nesta mesma linha de proteção-padrão, 50 (100%) dos entrevistados responderam que realizam a higienização das mãos antes e depois de qualquer contato com o paciente ou objeto.


As mãos constituem a principal via de transmissão de microrganismos durante a assistência prestada aos pacientes, pois a pele é um possível reservatório de diversos microrganismos, que podem se transferir de uma superfície para outra, por meio de contato direto ou indireto, através do contato com objetos e superfícies contaminados (BRASIL, 1989).


Quanto a técnica de higienização das mãos ser a precaução mais importante para evitar a disseminação dos microorganismos infectantes, apenas 2 (4%) dos entrevistados disesseram que não e 48 (96%) consideraram ser a medida mais importante para evitar a transmissão de microrganismos de um paciente para outro. As mãos devem ser higienizadas antes e após contato com pacientes e após contato com sangue, secreções, excreções e equipamentos ou artigos contaminados; também antes e imediatamente após a retirada das luvas. Uma forma eficaz e prática de higienizar as mãos é através do uso de solução alcoólica 70%, desde que não evidenciada a presença de sujidade nas mãos.


O trabalho da enfermagem, nos diversos níveis de complexidade da atenção à saúde, sempre foi concebido e desenvolvido como um trabalho de equipe, realizado por um grupo de profissionais de formações diferenciadas, que exerce atividades de cuidado direto aos pacientes e atividades gerenciais em organizações de saúde. A equipe é compreendida como um grupo de pessoas que desenvolve suas tarefas para atingir um objetivo compartilhado por todos os integrantes. Aqui 26 (52%) dos profissionais da equipe de enfermagem investigada, percebem que há interação e cooperação para, o desenvolvimento em conjunto das atividades assistenciais aos pacientes, enquanto que outros 24 (48%) dizem que não há interação e nem cooperação em seu setor especifico


As diferentes habilidades de cada membro são utilizadas de forma complementar para alcançar o resultado almejado e, no ambiente de trabalho, são destacados o respeito e o estimulo à criatividade, 30 (60%) dos servidores acreditam que o desenvolvimento das atividades assistenciais aos pacientes com trabalho em equipe, favorece melhor qualidade no serviço, e 20 (40%) pessoas responderam que não, diante disso é importante ressaltar que, para se trabalhar em equipe, as relações afetivas devem ser aprimoradas, para que os laços de afeto entre os integrantes do grupo se estreitem e passem a ser uma constante, isto permitirá o aproveitamento do potencial de criatividade de todos os membros da equipe.

Não é raro ouvir reclamações dos profissionais da área da saúde relacionadas à sobrecarga de trabalho e à quantidade insuficiente de enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem para atender pacientes. Também é comum ouvir os pacientes se lamentando por não terem recebido a atenção esperada. A unidade de Serviço de Materno-Infantil do HUJM, em 2013, conta com um total de 75 (setenta e cinco) profissionais de serviços de saúde da área de enfermagem (auxiliar de enfermagem, técnico de enfermagem e enfermeiro).


O problema existe em todas as regiões do Brasil e a solução está no dimensionamento do quadro de profissionais. Buscando esta realidade na instituição estudada tivemos como resposta ao questionamento se na unidade de trabalho de cada um dos entrevistados é proporcional o número de profissionais da enfermagem e o número de leitos ocupados, 40 (80%) pessoas responderam sim e 10 (20%) responderam que não é proporcional.


Os aspectos quantitativos dos profissionais de enfermagem nas instituições de saúde são enfatizados para que haja a garantia da segurança e da qualidade de assistência ao cliente e a continuidade da vigília perante a diversidade de atuação nos cuidados e na atenção da equipe de enfermagem. Sobre esta questão 38 (76%) dos entrevistados acham que a proporção no número de profissionais e o número de leitos ocupados geram otimização da qualidade da assistência prestada aos pacientes, enquanto 12 (24%) entendem que não, que este não é um dos fatores para proporcionar assistência de qualidade. Sabemos que segurança do paciente é um ponto crucial. É necessário que a segurança seja garantida, não só pelo conhecimento técnico e científico, mas também através da qualidade da assistência, que está muito ligada ao dimensionamento.


É notória a preocupação da equipe de enfermagem em relação ao excesso de pessoas em contato os pacientes do HUJM, que é um hospital escola, 48 (96%) dos profissionais entrevistados responderam que acham excessivo, e somente 2 (4%) acham que não. Ressaltamos que as infecções decorrentes do contato excessivo com os pacientes também podem disseminar-se entre os profissionais de enfermagem e alunos.


No que tange a IH, o ambiente hospitalar possui naturalmente agentes infecciosos resistentes, em decorrência do uso indiscriminado de antimicrobianos e por reunir pessoas com diferentes vulnerabilidades à infecção, apresenta intensa realização de procedimentos invasivos, em hospitais de grande porte, hospitais universitários e hospitais gerais, as taxas de IH são mais elevadas. Neste sentido 48 (96%) dos investigados entendem que, o fato do HUJM, ser um hospital universitário, havendo uma grande quantidade de pessoas circulando, e alta rotatividade de alunos promovendo manipulação excessiva nos pacientes, pode gerar grande interferência no aumento do índice de IH, e apenas 2 (4%) acham não ser relevantes estes fatores.


O manual de normas, rotinas e procedimentos de enfermagem, é de suma importância nas atividades da profissão, e cujo objetivo é padronizar as técnicas e os procedimentos realizados pela equipe multiprofissional hospitalar em cada unidade assistencial. É importantíssimo que todos envolvidos no processo assistencial tenham conhecimento deste elemento crucial, na equipe do Serviço Materno-Infantil, 35 (70%) sabem do estabelecimento do manual de normas e rotinas para prevenção e controle de infecções em sua unidade de trabalho, e 15 (30%) pessoas não sabem que existe no setor. O manual visa ser um instrumento que permitirá, ao profissional, organizar suas ações com mais competência, segurança e de forma sistematizada, e também respalda as ações e serviços da equipe de enfermagem.


Sabemos que a equipe de enfermagem é um dos pilares para a diferenciação do atendimento prestado aos usuários dos serviços de saúde, e para tanto se faz necessário a busca contínua pela excelência técnica que permita uma prática consistente e segura para o profissional e cliente/usuário. Neste sentido, 47 (94%) consideram importante o estabelecimento do manual de normas e rotinas para prevenção e controle de infecções, na unidade ou clínica assistencial em que estão lotados, somente 3 (6%) não consideram importante.


Nas instituições hospitalares, é importante que os gestores da instituição, proporcionem materiais e equipamentos de qualidade e quantidade necessários aos pacientes e ao corpo de servidores da área da saúde para a realização dos procedimentos junto aos pacientes, sabe-se que assim reduz gastos, não equaciona os custos e não compromete a qualidade dos produtos e do atendimento. Em nossa pesquisa 45 (90%) dos profissionais responderam que os materiais e equipamentos disponibilizados em seu setor, para as realizações dos procedimentos com os pacientes, deixam a desejar nos quesitos qualidade e quantidades satisfatórias, outras 5 (10%) responderam que são satisfatórias e suficientes


No que implica o bom funcionamento de um estabelecimento de saúde está implícito sua capacidade quanto à organização e o controle rigoroso dos recursos materiais essenciais para os procedimentos a serem realizados com seus pacientes. No HUJM, 46 (92%) dos membros da equipe de enfermagem do serviço materno-infantil, sujeitos desta investigação, entendem que para realização segura dos procedimentos hospitalares, a fim de evitar as contaminações é preciso que se tenham materiais e equipamentos de boa qualidade e quantidade suficiente, e 4 (8%) acham que não. Contudo, enfatizamos que com a aquisição de materiais de boa qualidade, controle dos mesmos e eficiência profissional promovem-se a diminuição de riscos e implicações tanto ao cliente como ao profissional, tendo assim a garantia de um ótimo atendimento da instituição.


Cabe observar que o planejamento de adequações e melhorias do espaço físico hospitalar também traz grandes benefícios para a instituição: um melhor aproveitamento dos espaços desonera gastos desnecessários, auxilia o processo de cura do paciente e evita disseminação de doenças infecto-contagiosa. Podemos perceber a insatisfação da equipe estudada com a estrutura física e instalações da sua unidade de trabalho, 39 (78%) responderam que precisam de melhorias e adequações, e 11 (22%) entendem que não precisam de melhorias.


Adequar a estrutura física e as instalações é uma forma de humanizar a assistência. A arquitetura do hospital que é a arte de adaptar sua construção ao atendimento das necessidades práticas e expressivas dos pacientes, acompanhantes, visitantes e funcionários, possui importância relevante. Dos profissionais em estudo 47 (94%) consideram que uma estrutura física, instalações planejadas e adequadas, contribui para um atendimento de qualidade aos pacientes, apenas 3 (6%) discordam. O objetivo da criação de um adequado ambiente físico é para favorecer o desenvolvimento do trabalho e contribuir na recuperação do paciente, aliviando o seu desconforto físico, por meio de expedientes arquitetônicos.

 

CONCLUSÃO

 

Os estudos revelam que a equipe de enfermagem é apontada como a principal responsável pela prevenção e CIH. Percebe-se que para um controle adequado da IH é fundamental a paramentação correta e a realização de técnicas assépticas. De modo geral, a educação é a principal forma de divulgação e disseminação de conhecimento e informações sobre o problema e que ocorra em caráter de urgência um planejamento de adequações e melhorias da estrutura física hospitalar e que a instituição efetivamente promova mais ações educativas que possibilitem e estimulem um pouco mais a reflexão da atuação de cada um dos profissionais de enfermagem, propicie melhorias, aprendizagem, conscientização e modifique as práticas instituídas, para melhorar ainda mais este atendimento tão importante para a população mato-grossense.

 

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº. 2.616, de 12 de maio de 1998. Estabelece diretrizes e normas para a prevenção e o controle das infecções hospitalares. Diário Oficial da União da República Federativa do Brasil], Brasília, DF, 13 maio. 1998.

 

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 2.616, de 12 de maio de 1998. Diário Oficial da Republica Federativa do Brasil, Brasília, 13 de maio de 1998. Seção I, p.133-35.

 

BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº. 50, de 21 de fevereiro de 2002. Dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. Diário Oficial da União [da União da República Federativa do Brasil], Brasília, 20 mar. 2002.

 

BRASIL, Ministério da Saúde. Boletim Informativo do Ministério da Saúde. Programa de Controle de Infecção Hospitalar. Lavar as mãos: Informações para profissionais de saúde. Brasília, 1989.

 

Carapinheiro G. Saberes e poderes no hospital: uma sociologia dos serviços hospitalares. Porto, PT: Edições Afrontamento, Porto Alegre, RS, 1998.

 

Hoffmann K.K, Clontz E.P. Education of health care workers in the prevention of nosocomial infections. In: Mayhall CG, editor. Hospital epidemiology and infection control. Philadelphia: Lippincott, Williams & Wilkins; USA, 2004.

 

OLIVEIRA, A..C.Infecção hospitalar, epidemiologia, prevenção e controle. 1. Ed. Rio Janeiro: Guanabara Koogan, RJ, 2005.

 

Pagliuta L.M.F, Cezario K.G. Desenvolvimento de Habilidades pessoais para Promoção da Saúde na pessoa deficiente: Análise de conceito. Ciências da enfermagem em tempos de interdisciplinariedade. São Paulo, 16ª ed., SP. 2011


Santos N.Q. Infecção hospitalar: uma reflexão histórico - crítica. Florianópolis: Editora da UFSC; SC,1997.

 

SANTOS, N. Q. A resistência bacteriana no contexto da infecção hospitalar. Texto contexto – Enfermagem.São Paulo, SP, 2004.