Três indígenas disputam cargos eletivos em MT

Por G1 MT 14/09/2018 - 08:58 hs

Foto: Reprodução

Mato Grosso possui 10.627 eleitores indígenas aptos para votar, conforme dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Ainda assim, a representação indígena na política pública no estado é extremamente baixa.

 

Nas eleições deste ano, apenas três candidatos vão disputar cargos eletivos em Mato Grosso. Gregório Marinatse (PV) e Milton Jorge Turi Rondon (PSOL) tentam uma vaga na Câmara Federal e Matudjo Metuktire (PSOL) busca uma cadeira na Assembleia Legislativa.

 

Para a cientista política e socióloga Christiany Fonseca, o baixo número de candidatos indígenas nas eleições deste ano se deve ao custo elevado das campanhas eleitorais, além da criminalização da população indígena, de uma forma geral, pela sociedade.

 

“Temos uma variável relacionada às estruturas das eleições brasileiras, demarcadas por um capital financeiro muito grande. Ainda que nós tenhamos tido uma reforma política recentemente no que se remete ao financiamento privado, a eleição ainda tem uma estruturação muito desigual no que diz respeito aos financiamentos de campanha”, ressaltou a cientista política.

 

Para ela, os partidos políticos, em sua grande maioria, não têm interesse em investir em candidatos indígenas.

 

“Dentro dessas chapas, não são privilegiados os indígenas e, por isso, eles vão continuando criminalizados no processo político, que pressupõe investimentos no candidato, tempo de TV, participação e oportunidade estrutural para que esses eles possam efetivamente fazer uma campanha com possibilidade de vitória. Hoje os partidos fazem as divisões e esses valores acabam ficando concentrados nas mãos das grandes elites tradicionais políticas, que vêm tomando conta e pautando a política brasileira, inclusive mato-grossense, há muitos anos”, ressaltou Christiany Fonseca.

 

Perda histórica

 

A cientista política afirma que a situação gera uma perda histórica para o estado, conhecido internacionalmente por abrigar terras indígenas.

 

“As candidaturas indígenas vão ficando sufocadas nesse processo, o que é uma perda histórica para esses que acabaram protagonizando a história do Brasil. Ao longo do tempo, eles vêm perdendo espaço e, quicá o espaço político eles conseguem alcançar para tentar pautar o que são seus interesses, que não se limita à questão da demarcação das Terras Indígenas, mas também em relação à saúde e educação”, afirmou.

 

Conforme a Fundação Nacional do Índio (Funai), Terra Indígena (TI) é uma porção do território nacional, de propriedade da União, habitada por um ou mais povos indígenas, por ele(s) utilizada para suas atividades produtivas, imprescindível à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e necessária à sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições. Trata-se de um tipo específico de posse, de natureza originária e coletiva, que não se confunde com o conceito civilista de propriedade privada.

 

Único deputado da história

 

Mato Grosso teve apenas um deputado federal indígena em toda a história. Trata-se de Mário Juruna, que ocupou uma vaga no Congresso entre os anos de 1983 e 1987.

 

“Ele teve uma participação importante, travando inclusive a questão demarcação da terra indígena, uma grande polêmica que se tem até os dias de hoje, e saiu na disputa justamente para tentar levar para o espaço de discussão política, e que é o espaço onde se definem as políticas públicas, a participação e a voz indígena”, diz a socióloga.

 

Eleição em aldeias

 

Equipes do Tribunal Regional Eleitoral vão levar urnas em aldeias de 24 municípios de Mato Grosso nas eleições deste ano.

 

O transporte, muitas vezes, é feito por meio de aeronaves e barcos, já que há muitas regiões de difícil acesso.

 

São 36 locais de votação instalados nas aldeias.


 Elas estão situadas nos municípios de Nobres, Barão de Melgaço, Barra do Bugres, São Félix do Araguaia, Santa Terezinha, Porto Esperidião, Tangará da Serra, Campinápolis, Juara, Confresa, São José do Xingu, Peixoto de Azevedo, Juína, Feliz Natal, Santo Antônio do Leverger, Poxoréu, Rondonópolis, Barra do Garças, General Carneiro, Brasnorte, Gaúcha do Norte, Paranatinga, Rondolândia e Campo Novo do Parecis.