OPINIÃO Sexta-feira, 31 de Maio de 2024, 10:36 - A | A

31 de Maio de 2024, 10h:36 - A | A

OPINIÃO / SONIA MAZETTO

Você sabia que a voz também é uma identidade?



É isso mesmo! A voz é verdadeiramente uma das identidades de uma pessoa. A voz transmite sensações e percepções. Temos ditos populares que descrevem a “voz de fumante”, “voz infantilizada”, ou “voz como se estivesse com um ovo na boca”. Essas expressões refletem as sensações que diferentes timbres vocais provocam nos ouvintes e isso não se trata apenas de ter uma voz agradável à audição. Inclusive, para a conquista profissional, cargos de liderança, conquistar atenção em uma reunião e até mesmo para fazer com que a informação seja de fato bem compreendida, é importante perceber sua voz. 

Em debates, por exemplo, não apenas o conteúdo importa, mas também o timbre de quem está falando. Esse timbre pode transmitir tranquilidade, segurança ou, em alguns casos, causar incômodo ou irritação.

Pessoas com vozes estridentes, infantilizadas, com cacofonia ou pigarros podem, sem perceber, gerar uma falta de confiança nos ouvintes. Isso acontece porque, inconscientemente, associamos certas características vocais a determinadas qualidades ou falta delas. Por exemplo, vozes graves tendem a ser associadas à autoridade e ao poder, enquanto vozes agudas podem ser vistas como menos confiáveis. Esse é um processo inconsciente e histórico, presente no inconsciente coletivo.

As mulheres, por natureza, têm vozes que vibram em frequências mais altas do que as dos homens. Isso pode dificultar a liderança, especialmente em contextos em que se espera uma voz mais grave e autoritária. Em minhas análises, percebo que essa questão pode influenciar a atuação política e profissional das mulheres.

A habilidade de usar a voz adequadamente é crucial e por isso é importante se ouvir e se autoavaliar. Você já se ouviu? O que você sente ao se ouvir? Essa autoavaliação permite ajustar o timbre e até mesmo o conteúdo conforme necessário para melhor comunicação. 

A voz possui nuances e pode ser utilizada de diferentes maneiras dependendo do contexto, por exemplo: ao falar com crianças, uma voz mais aguda pode ser eficaz, enquanto em contextos mais formais ou jurídicos, uma voz mais grave pode transmitir mais autoridade e segurança. 

Existem treinamentos para aprimorar a performance profissional da voz e utilizar todas as nuances vocais, permitindo uma comunicação mais eficaz e adequada ao contexto. São exercícios diários para que você possa conhecer sua identidade timbrística. O microfone, nesse processo, pode ser tanto um aliado quanto um inimigo, pois amplifica todas as características da voz. 

Evitar hábitos prejudiciais, como o consumo de bebidas alcoólicas e cigarro, que podem comprometer a voz ao longo do tempo, é de extrema importância para que a qualidade da voz seja preservada, já que se trata de uma estrutura sensível. Além disso, a qualidade do sono, a prática de exercícios físicos e uma alimentação equilibrada são fundamentais para manter a saúde vocal. 

A voz vai muito além da fala, ela transmite conhecimento, reflete a expressão da nossa autoridade e até a presença energética. Ao entender como nossa voz influencia a percepção que os outros têm de nós, nos ajuda a aprimorar a relação voz/comunicação, podendo assim potencializar nossa autoridade e gerar resultados de alto e auto impacto. 

Como dizia José de Alencar, todo aquele que utiliza a palavra não apenas como meio de comunicação, mas para cumprir uma alta missão social, precisa conhecer a força e os recursos do elemento de sua atividade. Portanto, saber se nossa voz está adequada e se está trazendo o resultado desejado é essencial para uma comunicação eficaz. 

Sonia Mazetto é gestora de Potencial Humano, terapeuta integrativa, fonoaudióloga e palestrante



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