VARIEDADE Sexta-feira, 19 de Maio de 2023, 12:40 - A | A

19 de Maio de 2023, 12h:40 - A | A

VARIEDADE / audiovisual regional

Documentário sobre tecnologia na vida das crianças está em produção em Barra do Garças

Curta "Afetos à Tela Mágica" propõe reflexão sobre o assunto, mostrando os lados positivos e negativos dessa convivência

Laís Soares
Estudante de jornalismo - UFMT Araguaia



O documentário Afetos à Tela Mágica, produzido pela jornalista Aliana Camargo, mostra a relação entre as crianças e a tecnologia. O curta conta com a participação de profissionais, como psicólogos e psicopedagogos, e de crianças que têm acesso à internet. O documentário propõe uma reflexão sobre o assunto, mostrando os lados positivos e negativos dessa convivência. O filme tem previsão de estreia para agosto, em Barra do Garças.

O documentário da jornalista é fruto da sua pesquisa de doutorado, defendida em 2022, no Programa de Pós-Graduação em Educação, da UFMT. Aliana afirma ter feito a pesquisa em quatro anos, mas trabalha a relação da comunicação com a educação desde sua graduação. A produtora explica que o desejo de trabalhar com esse universo é mais intenso agora, com o convívio das crianças e as redes sociais, e também, por conta, de observar seus filhos e pensar numa educação que é desafiadora.

A produção

A personagem vive as redes sociais e tem até uma conta no TikTok

O audiovisual é dividido em duas partes. A primeira parte, que tem entre 13 e 15 minutos, mostra a vivência digital das crianças e analisa essa vivência, a partir de um olhar sociológico e psicológico. Foram gravadas entrevistas com nove crianças, que contaram suas experiências com as redes digitais, e a partir das falas delas, especialistas fizeram análises, apresentando dados sobre o universo infantil relacionado com a internet.

As gravações com a personagem principal Sofia Araújo Alves, de 9 anos, ilustram as situações descritas. A personagem, no seu cotidiano, tem contato constante com as redes sociais e tem até uma conta no TikTok, um aplicativo de mídia para criar e compartilhar vídeos curtos.

A segunda parte do documentário, que tem 15 minutos de duração, reflete sobre os rumos da educação, neste cenário em que as crianças estão conectadas, e como os professores observam isso.

A parte de captação de imagens e entrevistas do documentário já está concluída. Nesta fase, o documentário está na etapa de edição.

O curta é financiado pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel), através do edital audiovisual (010/2021).

A equipe de produção do documentário é formada por oito profissionais da região do Araguaia e dois de fora. O Núcleo de Produção Digital (NPD) da Universidade Federal de Mato Grosso é parceiro da produção, com empréstimo de equipamentos e auxílio dos alunos do curso de Jornalismo na produção.

O coordenador do NPD e professor do curso de jornalismo, Gilson Costa, destaca que esta é exatamente a proposta do NPD, “queremos apoiar as produções locais e ofertar aos realizadores equipamentos de produção, para que os filmes possam ser produzidos. Através das parcerias, o NPD envolve os alunos do curso de jornalismo, proporcionando-lhes a oportunidade de trabalharem nas produções".

Costa comenta que o NPD é importante para a região. Ele ressalta que antes da instalação do Núcleo, poucas gravações eram realizadas. Nos últimos anos, houve um acréscimo significativo da produção de documentários, seja por realizadores, artistas locais e até mesmo alunos.

As gravações

Duas viagens foram feitas para a gravação de imagens com especialistas

As principais gravações do documentário Afetos à Tela Mágica foram realizadas em Barra do Garças, mas também duas viagens foram necessárias para a gravação com especialistas. Uma para Cuiabá, para entrevistar as professoras Terezinha Fernandes, especialista em psicopedagogia, e Kátia Morosov, especialista em educação. A outra viagem foi para Goiânia, em que a professora Gisele Toassa, especialista em Lev Vygotsky no Brasil, foi entrevistada. Em Barra do Garças, além das entrevistas com as crianças, foi fonte especializada entrevistada, a psicóloga Aline Farias.

De acordo com Aliana, por ser uma filmagem fora de um grande centro de produção, algumas dificuldades foram enfrentadas. "A gente não teve a iluminação que a gente gostaria, não teve a equipe trabalhando no tempo que a gente gostaria. Nós tivemos que gravar muitas coisas nos finais de semana, porque a maioria da equipe não vive somente do audiovisual, como nós teríamos em uma grande capital”, destaca Aliana.

Cristiano Costa

documentário afeitos à tela mágica em bg

Equipe de produção gravando em avenida de Barra do Garças

No processo de produção, explica o diretor de fotografia, Cristiano Costa, é necessário o constante diálogo entre a diretora e o diretor de fotografia para o planejamento do registro das imagens. Em conjunto com os outros membros da equipe são pensados: o cenário, o figurino e duração do período de gravação. O diretor acrescenta que a produção de imagens foi dividida em quatro momentos.

“A primeira parte foi realizada no estúdio, com o chroma key, apenas conversando com as crianças. Já a segunda envolveu gravar os depoimentos das pesquisadoras, que analisaram a fala das crianças, e apresentaram dados sobre o universo infantil relacionado com a internet. O terceiro momento envolveu a dramatização das falas e ilustração das situações descritas. Essas cenas foram gravadas com uma personagem. Por último, foi realizada a captação de imagens em diversos ambientes, de cenas de pessoas interagindo com telas, internet e celulares manuseados por crianças, jovens e adultos”, explica Cristiano Costa.

Expectativa e experiência

Clea Torres, diretora da produção, formada em jornalismo pela UFMT, campus Araguaia, comenta que foi sua primeira vez participando de um documentário onde cenas foram gravadas com um personagem. "Para ilustrar o documentário, a gente precisou criar as cenas, precisamos fazer com a atriz. O processo foi bem legal”.

“Minha expectativa é que ele [o documentário] cumpra seu sentido educacional, tanto para as escolas, os pais e a família. É um documentário que diz muito sobre como as crianças estão na era digital. Outra função que eu espero dele é que ele seja muito bem aceito pela crítica. Eu acho que é sempre um ganho coletivo, então desejo que esse documentário tenha vida longa”, afirma Clea.

Para Cristiano, o curta-metragem tem sido uma grande experiência por duas perspectivas. “É bom conhecer e aprender um pouco mais sobre a relação das crianças com a internet. Perceber outros olhares e reflexões sobre o mundo digital com a fala das pesquisadoras. Uma outra perspectiva é que envolve a interação com as crianças e novas experiências, vivências com o trabalho que estamos desenvolvendo”.

A previsão de estreia do curta é para o mês de agosto. Há uma expectativa para que exista uma parceria entre a UFMT e a produção do documentário para que seja lançado e apresentado também na universidade.

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CâmaraBGMaio

 

 



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