VARIEDADE Domingo, 29 de Outubro de 2023, 09:25 - A | A

29 de Outubro de 2023, 09h:25 - A | A

VARIEDADE / SEM TABU

Sexo e câncer de mama: vamos falar sobre isso?

Autoaceitação, cuidado e diálogo desempenham papéis cruciais na busca por uma vida íntima plena

Marianne Mariano
Íntegra Comunição



Assessoria

Letícia França, Câncer de Mama

 

O câncer de mama traz consigo mudanças significativas em vários aspectos da vida das mulheres, incluindo a sua sexualidade. Questões psicológicas e físicas contribuem para que o sexo seja tirado da lista de prioridades. Com altos níveis de cura quando diagnosticado precocemente, as modalidades de tratamento podem incluir a cirurgia de retirada total ou parcial das mamas, quimioterapia, radioterapia ou hormonioterapia. Nessa jornada, a autoestima pode ficar comprometida e manter uma vida sexual satisfatória acaba se tornando um desafio. O desconforto não deve ser negligenciado, mas é importante considerar que existem abordagens e técnicas disponíveis para garantir que o prazer não vá embora, proporcionando assim mais qualidade de vida à mulher. 

A oncologista clínica Letícia França, da Oncomed–MT, explica que é comum as pacientes se preocuparem com a intimidade, especialmente quando estão em relacionamentos estáveis. “Por atingir um órgão símbolo da feminilidade, cerca de 30% das mulheres têm sua sexualidade impactada com a descoberta do câncer de mama. Os motivos podem ser psicológicos ou físicos, entre eles aqueles causados pela quimioterapia, como a queda de cabelo, cansaço excessivo e náuseas”.

O impacto na autoestima e na percepção do próprio corpo também prejudicam o apetite sexual. Após uma mastectomia (retirada total do seio), mesmo quando a reconstrução mamária é possível com próteses, há alterações no formato e, em alguns casos, perda parcial da sensibilidade local. Isso faz com que muitas mulheres deixem de se sentir atraentes ou desejadas. O primeiro passo para que o desejo se manifeste novamente, observa a médica, é a autoaceitação, um sentimento muitas vezes confuso nesse período. 

Entre as opções de tratamento, a hormonioterapia também pode ser indicada quando a neoplasia mamária é sensível a hormônios, como o estrogênio ou a progesterona, associados à progressão do câncer. Para impedir o crescimento desses tumores, é essencial bloquear a produção hormonal. Contudo, a paciente pode enfrentar efeitos colaterais como ressecamento vaginal, falta de libido e até mesmo a entrada na chamada menopausa precoce. 

Nestes casos, é recomendável o uso de pomadas hidratantes específicas, durante ou após o tratamento, para manter a lubrificação e prevenir a perda de elasticidade vaginal. Além disso, tratamentos a laser podem melhorar a vascularização da região. 

Prazer e saúde – Afinal, por que é importante ter uma vida sexual ativa? A luta contra o câncer pode ser exaustiva e momentos de prazer podem ajudar a recarregar as energias, aliviando a rotina. Durante o sexo, o corpo libera uma série de hormônios e neurotransmissores relacionados à felicidade e ao relaxamento, como a endorfina e a ocitocina. Quando combinados, eles têm a capacidade de reduzir dores e os níveis de estresse. A prática também melhora o sono e a autoestima. 

“Na maior parte dos casos, o sexo pode ser um aliado ao tratamento, exceto em situações em que a paciente apresenta um sistema imunológico fragilizado. Para os benefícios serem aproveitados integralmente, é importante que o momento seja prazeroso e livre de situações que causam desconforto. Toda ajuda é bem-vinda e o acompanhamento com um psicólogo também é indicado”, reforça a oncologista. 

Uma maneira de lidar com os desafios causados pela doença, é explorar novas formas de intimidade que valorizem a redescoberta do corpo e do prazer. É essencial ter um diálogo aberto com o parceiro(a), vivendo a nova fase sem julgamentos.

Sobre a Oncomed-MT – Situada em Cuiabá (MT), a clínica especializada no tratamento multidisciplinar do câncer iniciou suas atividades em 1996. Hoje conta com sede ampla, de fácil acesso e fortemente estruturada, dispondo de consultórios, ala de quimioterapia com farmácia unidade de radioterapia. O corpo clínico é formado por oncologistas clínicos, cirurgiões oncológicos, radio-oncologistas, hematologistas, mastologistas, urologistas e profissionais especializados em cuidados paliativos. Saiba mais em www.oncomedmt.com.br.

 

Entre no grupo do Semana7 no WhatsApp e receba notícias em tempo real (Clique AQUI).

Ser Família Capacita

 



Comente esta notícia